Pastorais

Todo cristão verdadeiro é um servo. E o propósito principal de um servo é ser semelhante ao seu Senhor. Aquele que diz que é de Jesus deve viver e andar como ele andou. Jonh Stott, refletindo sobre o discípulo radical, afirma que a semelhança com Cristo é o propósito de Deus para o seu povo. O propósito eterno (Rm 8.29), o propósito histórico (2Co 3.18) e o propósito escatológico de Deus (1Jo 3.2) é nos transformar a semelhança de Jesus. O trecho bíblico de João 13, versículos 1 a 17, quando Jesus lavou os pés dos discípulos, nos ensina que a melhor maneira de sermos parecidos com Ele é servindo como ele serviu. Devemos ser como Cristo em seu serviço. E ele mesmo disse: Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também (v.15). Jesus é o nosso referencial de servo e de serviço. No contexto atual, quando a maioria dos cristãos está preocupada com o seu sucesso pessoal, faz-se necessário resgatar a identidade de servo e o ideal de servir. É como disse Albert Einstein: “Chegou a hora de substituir o ideal de sucesso pelo ideal de serviço”. João inicia dizendo que Jesus estava jantando com os seus discípulos, em Jerusalém, antes da festa da Páscoa. Ele enfatiza também o que Jesus sabia e sentia.

 

O QUE JESUS SABIA E SENTIA.

 

Há quatro coisas que Jesus sabia: (1) Ele sabia que era a sua hora de morrer (v.1). “Era chegada à sua hora” (Jo 12.23; 17.1) de morrer, ressuscitar e subir para o céu ou “a sua hora de passar deste mundo para o Pai” (v.2). Ele sabia qual era a hora determinada pelo Pai para a sua glorificação. (2) Ele sabia que Judas iria traí-lo (v.2). O diabo já tinha decidido ou posto no coração de Judas a decisão de trair a Jesus. E Jesus sabia de tudo (vv.11 e 27). (3) Ele sabia da sua exaltação (v.3). Esta exaltação compreendia toda autoridade sobre tudo e todos (Mt 28.18) e a consciência da sua origem e do seu destino eterno. Ele viera de Deus e voltava para Deus. (4) Ele sabia da disputa entre os seus discípulos. Lucas registra que os discípulos discutiam entre si sobre qual deles era o maior (Lc 22.24). Jesus sabia dessa disputa.

 

João destaca também o que Jesus sentia: “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (v.1). Três lições sobre o amor: (1) A sua origem: Jesus. Ele é Deus e Deus é amor. Ele é a fonte do amor verdadeiro. (2) O seu objeto: os seus que estavam no mundo. O objeto do seu amor não é o mundo ou a humanidade, mas os seus discípulos que estavam no mundo. Eles estão no mundo, mas não são do mundo. (3) A sua dimensão: até ao fim. As palavras “até ao fim” indicam intensidade (amou ao máximo) ou temporalidade (amou até o fim da sua vida). O certo é que o amor de Jesus é único, inigualável e incomparável: “Ninguém tem maior amor do que este: de dar a sua vida em favor dos seus amigos” (Jo 15.13).

 

O QUE JESUS FEZ.

 

O que Jesus sabia e sentia determinou o que ele fez: levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido (vv.4-5). A atitude de Jesus nos ensina três lições sobre servir: (1) Servir é ação. Observe que a toalha, a bacia e a jarra com água estavam ali disponíveis a todos. O lavar os pés era necessário, mas ninguém tomou a iniciativa, exceto Jesus. Há pessoas na igreja que indicam os serviços que precisam ser feitos, outros descrevem como executar os serviços eficazmente, mas são incapazes de por a mão na massa. Não servimos, mas queremos ser servidos (Mc 10.43-45). (2) Servir exige humildade. No contexto da época, lavar os pés dos visitantes era uma tarefa para os escravos, ou para as pessoas consideradas sem importância social. Jesus revela toda a sua humildade ao lavar os pés dos seus discípulos. Ele se torna um humilde escravo (Fp 2.5-8). (3) Servir é um prova de amor. Você pode até servir sem amar, mas, você jamais poderá amar sem servir. Ao lavar os pés dos discípulos, Jesus demonstra o seu amor.

 

Pedro reage e questiona a ação humilde e amorosa de Jesus: Senhor, tu me lavas os pés a mim? (v.6). Pedro estava perplexo e envergonhado. Ao lavar os pés dos discípulos, Jesus ensina três lições para Pedro e para cada um de nós. (1) Os planos e ações de Deus muitas vezes não são compreendidos de imediato (v.7). O agir de Deus parece muitas vezes sem sentido, mas não é. (2) Ninguém jamais poderia herdar a salvação ou participar das bênçãos de Jesus, se não for lavado pelo sangue do Cordeiro de Deus (v.8). (3) Somente Jesus sabe distinguir os salvos dos perdidos, o santo do pecador, o justo do injusto (vv.9-11).

 

O QUE JESUS ENSINOU.

 

Após ter lavado os pés, Jesus perguntou aos seus discípulos: Compreendeis o que vos fiz? Provavelmente, os discípulos não compreenderam e Jesus lhe oferece uma aula sobre liderança espiritual. A sua mensagem principal foi resumida numa frase: Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também (v.15). Todo líder espiritual deve ser um líder servo como Jesus. Logo, esse líder possui quatro características básicas: (1) O líder servo é aquele que identifica necessidades e toma iniciativas para supri-las (v.12) (2) O líder servo é aquele que ensina o serviço pelo exemplo (vv.13-15) (3) O líder servo é aquele que se deixa servir pelo trabalho de outros (v.16). (4) O líder servo é aquele que tem uma vida abençoada, por causa da sua obediência a Deus (v.17).

Rev. Arival Dias Casimiro

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