Arival Dias Casimiro

Jó 22.21-30
O problema do mal desafia a religião: por que os homens sofrem? O livro de Jó apresenta um caso notável de sofrimento desmerecido. Jó era um homem integro (moralmente são), reto (não se desviava dos padrões de Deus), temente a Deus (reverente) e se desviava do mal (fugia do pecado). Jó também era um homem muito abençoado por Deus: possuía uma família feliz (boa esposa, sete filhos e três filhas) e era muito rico (terra e rebanhos), o maior de todos os do Oriente. Há uma interferência sobrenatural na vida de Jó. O Diabo (o acusador do povo de Deus – cf Ap 12.9-12), acusa Jó de adorar a Deus por interesse (Jó 1.9-11). Deus, então, permite ao Diabo destruir tudo que Jó possuía, exceto tirar-lhe a vida.

Algum homem poderá servir e adorar a Deus de forma desinteressada? Haverá algum homem que continue tendo fé, se nunca obtiver nenhum benefício pessoal dessa fé? Algum homem terá fé, servirá e adorará a um Deus que nunca responde às orações e permite desastre após desastre para arruinar sua vida?

No texto que lemos, temos os conselhos que Élifaz dá a Jó, em meio aos seus sofrimentos. De uma forma concisa, temos qual deve ser a nossa atitude quando estivermos passando por alguma tribulação ou em meio a grande sofrimento:

 

Fique em paz com Deus (v 21)

Na dificuldade não adianta blasfemar, murmurar revoltar-se contra Deus. Elifaz convida a Jó a concordar com Deus: Reconcilia-te, pois, com Ele, e tem paz. O hebraico subtende, literalmente: Sê um companheiro de Deus. O pecador pode descansar se cessar de pecar. O profeta Jeremias, ao passar por um tremendo sofrimento, recomenda-nos: Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto esse jugo Deus pôs sobre ele (Lm 3.28). Confesse e abandone o teu pecado e a paz de Deus virá sobre você, em meio ao sofrimento. Submeta-se a Deus.

 

Guarde a Palavra de Deus no coração (v 22)

No sofrimento, não devemos nos esquecer da Palavra de Deus. Devemos guardá-la no coração. Há também paz e prosperidade na obediência. Guardo no coração as tuas palavras para não pecar contra ti (Sl 119.11). Entesourai Suas palavras em vossos corações, como um rico tesouro, muito valioso, preferível ao ouro, à prata e as pedras preciosas, que os homens guardam em caixas e gabinetes, por causa do seu valor (John Gill). É muito difícil ser obediente no sofrimento. A esposa de Jó não suportou tanto sofrimento e disse ao seu marido: Amaldiçoa a Deus e morre (Jó 2.9).

 

Converta-se a Deus (v 23)

Muitas vezes Deus tem usado o sofrimento para nos converter. Em 2Co 7.10, o apóstolo Paulo diz: Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar; mas a tristeza do mundo produz morte. Veja a progressão: tristeza, arrependimento e salvação. Elifaz diz a Jó: Se te converteres ao Todo-Poderoso. Conversão significa: tirar da sua vida e da sua casa tudo aquilo que é injusto diante de Deus (v23); tirar do coração tudo aquilo que toma o lugar de Deus (vs 24-25). A consequência da conversão será o restabelecimento: Se te converteres… serás restabelecido (v 23). Veja que Deus é quem restabelece o crente no meio do sofrimento. Este restabelecimento significa: Deus será o seu bem maior (v 25); o crente voltará a ter prazer em Deus (v 26.a); Levantarás o rosto para Deus (v 26.b); Voltarás a orar e a crer que Deus responde às orações (v 27.a): Pagarás os teus votos a Deus (v 27.b); Retornarás a fazer projetos com esperança (v 28.a); Receberás a sabedoria ou a iluminação de Deus para todas as decisões (v 28.b): Aprenderás a humildade e a importância da santidade (v 29-30).

Concluindo, o principal objetivo do sofrimento na vida do cristão é aproximá-lo de Deus, levando-o a uma comunhão mais profunda. Leia o testemunho de Jó: EU TE CONHECIA SÓ DE OUVIR, MAS AGORA OS MEUS OLHOS TE VEEM (42.5).

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