A Organização Mundial de Saúde apresenta estudos apontando que mais de quatrocentos e cinquenta milhões de pessoas sofrem algum tipo de doença mental no mundo hoje. No Brasil, 23 milhões de pessoas (12% da população) necessitam de algum atendimento em saúde mental. Cerca de 5 milhões de brasileiros sofrem de graves e persistentes transtornos mentais como a depressão. E  este número vem crescendo, em todas as classes e faixas etárias da população.

As doenças mais comuns e conhecidas são ansiedade, depressão, distimia (depressão branda crônica), síndrome de pânico e transtornos de ajustamento. Esquizofrenia e depressão bipolar são as doenças  mais graves.

DEPRESSÃO FEMININA

As mulheres são mais vulneráveis alguns tipos de transtornos mentais, destacando-se, a depressão.  As mulheres são duas vezes mais propensas que os homens a sofrer de depressão, isso, independente da cultura e da classe social.

A palavra “depressão” é usada, popularmente, para descrever qualquer tipo de tristeza ou perda de humor. Para a medicina, a “depressão” é vista como um conjunto de sinais e sintomas que merecem atenção profissional, médica e psicológica. Ela deve ser diagnosticada por meio de critérios específicos e por um profissional médico (psiquiatra).

Para os médicos, a depressão não tem uma causa única, mas é resultado da interação de vários fatores, variando de pessoa para pessoa. Tradicionalmente, a causa da depressão é classificada em dois tipos: depressão endógena e depressão exógena. A primeira se refere às causas internas, de origem biológica e ou predisposições hereditárias. A pessoa que sofre de depressão endógena tem uma causa fundamentalmente biológica, não existindo uma correlação entre o momento depressivo com os fatos ou acontecimentos externos. A depressão exógena, porém, é causada por fatores externos. Ela é provocada como se fosse uma reação a fatores ambientais e circunstanciais.  Por exemplo, morte de um ente querido, estresse, desemprego, divórcio etc.

A depressão feminina está ligada a causas biológicas (puberdade, ciclo menstrual, gravidez ou infertilidade, pós-parto e menopausa), culturais (papel da mulher, status social, abuso sexual) e psicológicas (stress, reação às perdas e aos conflitos, discriminação).

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De forma resumida, a psiquiatra Roseli Gedanke Shavitt, aponta os principais sintomas da depressão geral, os quais são também os da depressão feminina:

  • Humor depressivo, desânimo, tristeza desproporcional às circunstâncias.
  • Insônia ou hipersônia (dormir mais do que o habitual)
  • Aumento exagerado ou diminuição do apetite
  • Diminuição ou perda do interesse e prazer pelas coisas
  • Sentimentos e ideação de culpa exagerados ou irracionais
  • Fadiga ou sensação de perda de energia
  • Diminuição da capacidade de concentração
  • Diminuição da capacidade de tomar decisões
  • Agitação ou lentificação motora
  • Pensamentos, planos ou tentativa de suicídio

O tratamento da depressão deve ser realizado a partir de dois procedimentos: (1) Avaliação e diagnóstico por um profissional médico, com o apoio dos familiares do paciente. (2) Escolha do tratamento adequado. O tipo de tratamento a ser administrado vai depender da gravidade da depressão, dos serviços disponíveis e da preferência do indivíduo. Os dois tratamentos eficazes são o medicamentoso e o da psicoterapia.

DEPRESSÃO E ESPIRITUALIDADE

A Bíblia descreve o transtorno depressivo através da experiência  de pessoas que creram em Deus. Eles eram crentes dedicados a Deus e passaram por depressões. é um exemplo clássico de depressão causada por perdas. Ele perdeu de forma repentina e traumática, todos os seus filhos, todos os seus bens materiais e sua saúde. Ele entra em depressão e fala: Porque não morri eu na madre? Porque não expirei ao sair dela? (Jó 3.11). Moisés também passou por depressão e pediu a Deus que o matasse: Se assim me tratas, mata-me de uma vez, eu te peço, se tenho achado favor aos teus olhos (Nm.11.15). O profeta Jonas também sofria de grave melancolia ou de um distimia crônica. Ele pede a Deus: Peço-te, pois, ó Senhor, tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver (Jn.4.3). Davi, “o homem segundo o coração de Deus”, também passou por várias depressões. Quando ele pecou e tentou esconder o seu erro, ele entrou em uma profunda depressão: Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio (Sl 32.3-4).  A sua depressão afetou os seus osso e seu humor. Jesus também sofreu de depressão. No Getsêmani, antes de enfrentar a morte na cruz, ele confessa: Minha alma está profundamente triste até a morte (Mt.26.38). Trata-se de um estado de profunda depressão. Naquela hora Jesus passou por sofrimentos, sensações e sentimentos de agonia tão fortes que até desejou morrer.

Tais exemplos revelam o realismo bíblico da depressão. Nenhum crente está imune à depressão. Qualquer cristão, por mais fiel que ele seja, pode enfrentar uma depressão.  A fé não nos dá isenção dos transtornos mentais.  Mas acima de tudo, o ensino bíblico sobre a depressão, nos dá esperança: porque não temos Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas… Pois naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados! (Hb.4.15 e 2.18). Jesus experimentou a depressão e por isso ele conhece o sofrimento de uma pessoa depressiva.

Encerro este pequeno artigo chamando a sua atenção para o perigo de se diagnosticar a doença física da depressão como se fosse um problema de origem espiritual. Por falta de informação, por preconceito ou em nome de uma “grande fé”,  o tratamento médico necessário é rejeitado ou substituído pelo religioso. Não podemos esquecer que a medicina é uma benção de Deus e os remédios são meios divinos, para a nossa cura.  Extraordinariamente, Deus pode nos curar diretamente por meio de um milagre. Ordinariamente, Deus cura as pessoas através de um tratamento médico.

(Recomendamos a leitura do livro TRANSTORNOS MENTAIS E ESPIRITUALIDADE. Z3 Ideias Editora (2010). Arival Dias Casimiro e Roseli Gedanke Shavitt. Orientações médicas e espirituais sobre Ansiedade, Síndrome de Pânico e Ansiedade).


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