Pastorais

No dia 31 de outubro de 1517, em Wittenberg – Alemanha, Martinho Lutero publicou 95 teses que questionavam o ensino da Igreja Católica sobre a penitência e a venda de indulgências. Tal publicação impulsionou o debate teológico que resultou na chamada “Reforma Protestante”. Foi daí que surgiram as Igrejas Reformadas, sob a liderança de Ulrico Zwinglio (1484-1531), Guilherme Farel (1489-1565), João Calvino (1509-1564), John Knox (1515-1587) e outros reformadores.

 

O principal objetivo da Reforma foi trazer a igreja de volta às Escrituras e ao Evangelho pregado pelos apóstolos. Para isso, os reformadores estabeleceram cinco doutrinas chaves: (1) “Somente as Escrituras” – a Bíblia é a nossa única regra de fé e prática; (2) “Somente Cristo” – Há somente um mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo; (3) “Somente a Graça” – a Graça de Deus é a única fonte ou causa eficiente de salvação; (4) “Somente a fé” – a fé é o único meio peio qual podemos ser justificados por Deus; (5) “Glória somente a Deus” – somente Deus é digno de ser adorado e tudo deve ser feito para glorificar o seu nome.

 

Nós, que pertencemos à Igreja Presbiteriana do Brasil, somos herdeiros desta grande herança da fé reformada. O presbiterianismo surgiu na Escócia, com John Knox, migrou para os Estados Unidos, e chegou ao Brasil, em 1859, por intermédio do missionário Ashbel Green Simonton (1833-1867). O nosso grande desafio hoje é aprender, viver e ensinar os princípios espirituais da reforma. Vejamos quatro:

 

Primeiro, a exclusividade e supremacia da Bíblia.

 

A Bíblia é autoridade suprema naquilo que cremos e praticamos. Somente ela é útil para nos aperfeiçoar e nos habilitar perfeitamente para toda boa obra. Hoje somos desafiados a ficar aquém das Escrituras (liberalismo) ou ir além dela (pentecostalismo). Mas, não devemos nos desviar da centralidade das Escrituras. Somente a Bíblia. Ela é suficiente para nos educar na justiça e nos instruir acerca da salvação. Rejeitemos com veemência qualquer ensino de homens contrário a Bíblia. Voltemos para a Palavra de Deus.

 

Segundo, salvação somente em Cristo.

 

A Bíblia ensina que Jesus é o único Salvador. Não há outro nome ou pessoa pelo qual importa que sejamos salvos. Ele é o caminho, a verdade e a vida. Fora dele não há salvação. Hoje, porém, tal como na idade média, prolifera em nosso meio, que a salvação está na igreja. Não se prega a pessoa de Cristo como o Salvador e Senhor, mas a igreja onde acontece a bênção e os milagres. Não se propaga a Cristo, mas se faz publicidade do local onde tal pessoa fará prodígios salvadores. A instituição ou a empresa religiosa é quem administra a salvação. Precisamos voltar à Bíblia.

 

Terceiro, o sacerdócio universal dos crentes.

 

A Bíblia ensina que todo crente é um sacerdote de Deus, não existindo hierarquia espiritual entre o povo de Deus, mas diferentes dons e responsabilidades. Hoje, somos desafiados a combater o estrelismo entre os evangélicos, expresso na disputa pelos títulos eclesiásticos (patriarcas, apóstolos e bispos). Alguns líderes se colocam espiritualmente acima do povo de Deus, como se fossem “celebridades”. Outros se colocam como intermediários espirituais entre o crente e Deus, tal como o sacerdócio católico na idade média. Precisamos voltar às Escrituras.

 

Quarto, a igreja é o povo de Deus.

 

A Bíblia ensina que a igreja de Deus é o povo eleito pelo Pai, o rebanho que foi redimido pelo Filho, e são os crentes convertidos e selados pelo Espírito Santo. A Igreja é a reunião de todos os eleitos de Deus, que forma a “comunhão dos santos”. Hoje, por causa da secularização e do marketing religioso, a igreja é vista como uma empresa, que oferece produtos espirituais para consumidores espirituais. A ideia de “família de Deus” está sendo substituída por empresa, onde o crente deixa de ser um “filho”, para ser um “sócio”. A falta de compromisso dos crentes com Deus e com a igreja cresce de forma avassaladora.

 

Precisamos hoje de uma nova reforma espiritual. Necessitamos voltar à Bíblia e tirar do nosso meio tudo aquilo que contraria o seu sagrado ensino. Precisamos resistir à secularização e promover a sã doutrina aliada à piedade. Necessitamos de um avivamento espiritual que traga um tempo de refrigério espiritual. Lembremos sempre que somos os herdeiros da reforma.

 

Rev. Arival Dias Casimiro

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