Arival Dias Casimiro

João 14.16-26. Uma das realidades mais importante para o cristão, embora menos entendida, é o ensino bíblico a respeito do Espírito Santo. Hoje, muito se fala acerca da pessoa e obra do Espírito Santo, entretanto percebe-se que alguns equívocos têm sido cometidos. Esse desconhecimento a respeito da pessoa e obra do Espírito Santo tem causado muitas dificuldades na vida da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, gerando inclusive graves heresias. Talvez, até mesmo de maneira inconsciente e ingênua, muitos têm tentado manipular o Espírito Santo, como se Ele estivesse a nosso serviço e não o contrário. O Espírito Santo está a serviço do Pai e do Filho, e não a nosso serviço; a tentativa de manipula-Lo pode ser uma forma de resistência à Sua obra, que é inédita, criativa, livre dinâmica, às vezes surpreendentemente simples, às vezes simplesmente surpreendente. Uma compreensão bíblica equilibrada e desprovida de preconceitos a respeito do Espírito Santo é de fundamental importância para a vida do discípulo. Por isso, a orientação bíblica deve prevalecer às experiências pessoais.

 

A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO é de natureza divina

A Bíblia ensina que o Espírito Santo integra a Santíssima Trindade, sendo da mesma essência do Pai e do Filho. No livro de Atos 5.3-4, temos a evidência de que o Espírito Santo é verdadeiro Deus. Os atributos pertencentes ao Pai e ao Filho tais como: Onipresença (SI 139.7), Onisciência (1Co 2.9-11), Onipotência (Rm 15.19), Eternidade (Hb 9.14), também pertencem ao Espírito Santo. A Bíblia confirma a divindade do Espírito Santo, atribuindo-lhe obras que somente Deus realiza (Rm 8.11; Jó 33.4; 1Co 12.8-11). A obra da redenção (Tt 3.4-7; 1Jo 5.5-8), bem como a fórmula do batismo (Mt 28.19) e também a bênção Apostólica (2Co 13.13) nos mostram de maneira inequívoca a igualdade das 3 pessoas da Santíssima Trindade. O Catecismo Maior da Igreja Presbiteriana do Brasil (Pergunta n° 9) enfatiza que as três pessoas da Trindade são “um só Deus verdadeiro e eterno, da mesma substância, iguais em poder e glória, embora distintas pelas suas propriedades pessoais”. E assim sendo, o Espírito Santo deve ser compreendido e honrado como Deus.

 

A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO tem personalidade própria

A palavra “Consolador” que se encontra em João 14.16-17,26, mostra que o Espírito Santo é uma pessoa, que também pode ser traduzido por “conselheiro”, “auxiliar”, “advogado”, “amigo”. É assim que Jesus apresenta o Espírito Santo, o “outro” que haveria de vir para dar continuidade à Sua obra. A Bíblia ensina que o Espírito Santo é uma pessoa pelo fato de que as qualidades que lhe são atribuídas são próprias de uma pessoa, a saber: pensamento, sentimento, vontade, consciência e direção própria, conforme registram os textos a seguir: Jo 14.26; Jo 16.7-8,13-15; Rm 15.30; Ef 4.30. Os atos do Espírito Santo também confirmam a sua personalidade: Ele fala, clama, testifica, ensina, intercede, guia, conforme revela a Bíblia em Ap 2.7; Gl 4.6; Rm 8.14,26. O Espírito Santo é uma pessoa, isto é, a terceira pessoa da Trindade. Ele não é somente uma boa Influência, uma energia ou força impessoal. Ele, juntamente com o Pai e o Filho, é Deus.

 

A OBRA DO ESPIRITO SANTO nos conduz a conversão e a regeneração

De início, é necessário compreender que Cristo, pelo seu sacrifício conquistou a nossa redenção e o Espírito Santo aplica em nossas vidas o resultado dessa redenção. É o Espírito Santo quem age no coração do homem, abrindo o seu entendimento, operando no seu interior, realizando a transformação de sua natureza, levando-o a reconhecer o seu estado de pecado e perdição eterna. O homem, antes separado de Deus pelo pecado (morto espiritualmente), recebe vida, ressuscitando eternamente para o Senhor Jesus. Esta obra de regeneração do homem é realizada pelo Espírito Santo. O próprio Senhor Jesus Cristo diz que o Espírito Santo “… nos convence do pecado da justiça e do juízo…” (Jo 16.8). Jesus continua dizendo (Jo 3.5-6) que o Espírito Santo faz a pessoa nascer espiritualmente. Desta vez Ele responde a uma importante pergunta de um homem bom, religioso e bem intencionado, chamado Nicodemos que não compreendia a mensagem da salvação. A ele, Jesus diz: “… Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é Espírito”. O pecado degenera, mas o Espírito Santo regenera, conforme disse o Rev. S. P. Tavares. Isto, porém, não depende do homem, mas só acontece mediante a ação da obra poderosa e miraculosa da pessoa do Espírito Santo.

 

O ESPÍRITO SANTO nos adota, sela e batiza

Sabemos, através da Bíblia, que todos os seres humanos são criados à imagem e semelhança de Deus, todos são criaturas de Deus. Porém, nem todos são, de fato, filhos de Deus. Alguns textos utilizam uma linguagem bastante dura quando se referem àqueles que ainda não são filhos de Deus, apesar de terem a imagem e semelhança (1Jo 3.9-10; Jo 8.44). No ato da conversão, o Espírito Santo concede ao convertido um poder muito especial, adota-o como filho de Deus, confira em: (Gl 4.4-6; Ef 2.18-19). Esse poder somente é dado àquele que crê no nome de Jesus (Jo 1.12) recebendo-o como seu senhor e servindo-o como escravo. Havendo nos comprado com o seu precioso sangue, o Senhor Jesus Cristo, após havermos crido no evangelho de nossa salvação, nos selou com a presença do Espírito Santo da promessa, como garantia de posse (penhor), para sempre nesta vida terrena, até o dia da nossa redenção (Ef 1.13; 2Co 1.22; Ef 4.30). O Espírito Santo, além de convencer e regenerar o pecador, Ele também batiza-o no corpo de Cristo, isto é, faz a união do pecador regenerado ao corpo de Cristo. “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo…” (1Co 12.13). No batismo com água, confirmação externa de algo interno que já aconteceu (conversão), o convertido é introduzido na igreja local, comunidade visível, concreta e terrena. Já, na conversão, o Espírito Santo batiza o novo convertido no corpo de Cristo, a Igreja Invisível, composta por todos os salvos em Cristo. O batismo do Espírito Santo é uma dádiva de Deus e acontece como experiência única na vida do convertido, no mesmo Instante de sua conversão. Não é possível receber a Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) em prestações; são indivisíveis e agem em comum acordo. E quando o Espírito Santo vem habitar em seu coração transformando sua vida, incutindo-lhe fé, convencendo-o do pecado, conduzindo-o ao arrependimento, levando-o ao pedido de perdão a Deus. Assim, o Espírito Santo realiza a experiência do NOVO nascimento na vida do crente, adotando-o como filho de Deus. João Batista pregou dizendo: “Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo (Mc 1.8).

 

A RAZÃO PRINCIPAL DA VINDA DO ESPÍRITO SANTO

Em João 16.14 está registrado: “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu e vô-lo há de anunciar”. Glorificar a Cristo, anunciando-nos a sua vontade, é a principal razão da habitação do Espírito Santo em nossa vida. E uma das maneiras que isso poderá ser realizado através de nós é sendo testemunhas de Jesus, como está registrado em Atos 1.8 “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra”. Devemos falar de Jesus para as outras pessoas, contar a elas o que Ele fez em nossas vidas, falar do Evangelho de Cristo para os demais, falar das boas novas do evangelho. Isto é evangelizar.

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