Pastorais

A palavra esperança significa expectativa positiva de que algo bom irá acontecer. No Antigo Testamento há 73 passagens que apresentam Deus como o objeto da esperança. (Sl 71.5). A pessoa de Deus é “Esperança de Israel” (Jr 14.8; 17.7). É Ele e Dele que vem a esperança do seu povo (Sl 62.5; Jr 29.11). Fora Dele não há esperança, por isso a esperança do ímpio irá envergonhá-lo (Is 20.5-6) e acabará com a morte (Jó 8.13; 11.20). Mas, os que esperam no Senhor são ouvidos (Sl 40.1), abençoados (Is 30.18), renovam as suas forças (Is 40.31), serão salvos e alegres (Is 25.9), receberão coisas grandiosas (Is 64.4) e jamais serão envergonhados (Sl 25.3).

No Novo Testamento a esperança é parte fundamental do viver de um cristão. Ela é uma dádiva graciosa de Deus (2Ts 2.16), baseia-se em Jesus Cristo (Cl 1.27; 1Tm 1.1; Tt 2.13) e está intimamente ligada a fé e ao amor (1Co 13.13; 1Ts 1.3). Esperar é aguardar com certeza e paciência a intervenção de Deus. Em sua primeira carta, no primeiro 1, versos de 3 a 12, Pedro apresenta três dimensões da esperança:

 

  1. Nascidos para a esperança (vv.3-4)

Deus deve ser louvado pela excelência da sua pessoa (Ele é Pai de Jesus e o nosso Pai porque cremos em Jesus – 2Co 1.3: Ef 1.3) e por causa das suas bênçãos. Ele deve ser louvado porque é o autor da nossa regeneração. Ele nos fez nascer de novo ou nos deu um novo nascimento espiritual (Jo 3.3,5). Trata-se de uma ação soberana de Deus, que foi motivado por sua grande misericórdia (Ef 2.4-5). O objetivo da nossa regeneração foi criar em nós uma viva esperança. Trata-se de uma esperança que tem vida e que nunca se extingue com o tempo ou por causa de sofrimentos e perseguições. É algo pessoal, vivo e ativo que aguarda com paciência e disciplina a revelação de Jesus (Tt 2.13). A ressurreição de Jesus Cristo é o fundamento da nossa regeneração e, consequentemente, da nossa viva esperança (Cl 3.1). Sem a ressurreição de Jesus não haveria a regeneração e não teríamos esperança (1Co 15.16-19).

 

  1. Guardados para a esperança (v.5)

Deus nos protege com o objetivo de permanecermos na esperança. A palavra chave deste versículo é guardados, indicando uma proteção militar constante e infalível (Fp 4.7). Todo aquele que nasceu de Deus recebe a sua proteção: Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca (1Jo 5.18) Como somos guardados? Somos guardados pelo poder de Deus através da fé (Ef 6.16). Trata-se de uma proteção sobrenatural e eterna. Para que somos guardados? Somos guardados para a salvação plena e definitiva. A palavra salvação engloba vários significados: libertação dos perigos da vida (Mt 8.25), libertação de doenças (Mt 9.21), libertação da condenação divina (Mt 24.13) e libertação do poder do pecado (Mt 1.21). Esta salvação completa e total já está preparada e será experimentada plenamente quando Jesus voltar.

 

  1. Vivendo a esperança (vv.6-9)

A esperança é uma atitude diária do cristão. E a melhor maneira de desfrutarmos a viva esperança é por meio das provações. Paulo ensina que a esperança cristã é o resultado da tribulação ou da provação (Rm 5.3-5). Pedro usa o termo “provações”, em lugar de “tribulações” ou “perseguições”, pois trata dos problemas gerais que enfrentamos. As provações são variadas. A expressão várias provações significa “todo tipo de provações”. Provações com pessoas, com acontecimentos imprevistos, com doenças e com tentações espirituais. As provações são presentes e passageiras: no presente, por breve tempo. Elas fazem parte da vida cristã. Enquanto estivermos aqui seremos provados (At 14.22). “O cristão está entrando em provação, em meio à provação ou saindo da provação para entrar novamente”. As provações são necessárias: se necessário. Deus é quem sabe e quem define quais as provações precisamos enfrentar (1Co 10.13). E elas são necessárias para o nosso aperfeiçoamento espiritual (Tg 1.2-4). As provações são dolorosas: sejais contristados. Isto significa que as provações causam dor aguda e profunda tristeza (Mt 26.37). Somente a viva esperança pode nos ajudar nos momentos difíceis, como por exemplo, a morte de uma pessoa querida (1Ts 4.13).

 

Concluindo, Pedro apresenta os objetivos de Deus com as provações: Ele usa a provação para testar a autenticidade da nossa fé; Ele usa a provação para aumentar o nosso amor por Jesus (v.8); Ele usa a provação para que confiemos mais em Cristo (v.8); Ele usa a provação para produzir alegria no nosso coração.

Hoje, pela fé, já estamos salvos (1Co 1.18). É possível experimentar hoje a salvação de Deus. Pedro encerra o primeiro bloco da sua carta (vv.10-12), destacando quão grande é a nossa salvação. A salvação foi o tema da inspiração do Espírito Santo. Ele inspirou os profetas e os apóstolos, focando principalmente nos sofrimentos e na glória de Cristo (Lc 24.26 e 27). Logo, a salvação é o conteúdo da pregação que é feita pelos cristãos, no poder do Espírito Santo (At 1.8; 1Co 1.23-24).

 

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