Pastorais

VAMOS CUIDAR DAS NOSSAS CRIANÇAS

 

As crianças brasileiras estão sendo atacadas, com rigor desmesurado, sob a omissão de muitos, o silêncio de outros e o prejuízo de todos. Se não bastasse a tolerância com a ditadura do relativismo, estamos assistindo, estarrecidos, uma gritante inversão de valores em nossa sociedade. Usar crianças para promover a causa da ideologia de gênero é o fim da picada. Introduzir, precocemente, nossas crianças à uma sexualidade contrária à natureza é confundir a cabeça delas, solapar os alicerces da família e perverter a fé cristã. Muito embora tenha existido um silêncio sepulcral das autoridades competentes para dar um basta nessa afronta, muitos setores da sociedade ergueram sua voz de protesto contra esse descalabro.

 

Recorro à Palavra de Deus para conclamar as famílias cristãs a uma tomada de posição em relação aos nossos filhos. Valho-me do Salmo 78.1-8. Este texto enseja-nos três importantes lições. Vejamos:

 

Em primeiro lugar, os pais não podem sonegar aos seus filhos o legado espiritual que receberam (Sl 78.1-4). Felizes são os pais que beberam o leite da piedade desde a infância. Felizes são aqueles que aprenderam as sagradas letras desde os primórdios de sua vida e foram instruídos na verdade. Esse legado é melhor do que riquezas. Os pais que foram instruídos no passado, não podem sonegar nem encobrir aos seus filhos o que ouviram e viram de seus pais. Estamos numa corrida de revezamento. Se falharmos em passar o bastão da verdade para nossos filhos, o mundo vai ocupar esse espaço para confundir a mente deles. O papel da educação moral e espiritual dos filhos pertence aos pais e não ao Estado nem mesmo às escolas. Cabe aos pais, sobretudo, aos pais cristãos, lutar pelos seus filhos e transmitir a eles a verdade do Evangelho e os valores do reino de Deus.

 

Em segundo lugar, os pais precisam contar à vindoura geração as excelências dos atributos de Deus bem como suas grandes obras (Sl 78.4). Os pais são os mais importantes mestres de seus filhos. Cabe a eles esse sacrossanto ministério de informar e formar seus filhos. Sonegar a verdade aos filhos ou entregá-los à cultura decadente, para que sejam doutrinados pela cartilha da inversão de valores é decretar a falência da família, a decadência da igreja e a ruína da nação. Os grandes impérios do passado foram destruídos não por forças externas, mas pela imoralidade interna. Os historiadores dizem que o império romano só caiu nas mãos dos bárbaros porque já está podre por dentro. É hora de os pais tomarem posição. Chegou a hora de assumirem seu papel de sacerdotes do lar. É tempo de ocuparem a posição firme do corajoso comandante Josué, que disse: “Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei, hoje, a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais que estavam dalém do Eufrates ou aos deuses dos amorreus em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15).

 

Em terceiro lugar, os pais não devem descansar até ver seus filhos comprometidos com a Palavra de Deus (Sl 78.5-8). Deus estabeleceu um testemunho e instituiu uma lei e ordenou aos nossos pais que os transmitissem a seus filhos. Esses

preceitos da Palavra de Deus precisam ser passados para a nova geração, para que esta conheça a verdade e a transmita também a seus filhos. Não podemos interromper esse discipulado. Não podemos falhar nesse processo. Cada geração precisa conhecer a Deus e a sua Palavra. Basta uma geração desatenta e o mundo, com seus ardis, ocupará esse espaço para arruinar seus valores e perverter sua vida. Resta claro afirmar, porém, que os pais não podem ensinar apenas pelo preceito, mas também, e sobretudo, pelo exemplo. Antes dos pais inculcarem a verdade nos filhos, essa verdade precisa estar acesa em seu coração. Os pais devem ensinar os filhos não o caminho que eles querem andar, nem mesmo o caminho que eles devem andar. Os pais devem ensinar no caminho, sendo exemplo para eles. Filhos bem instruídos e fortalecidos pelo exemplo dos pais colocarão em Deus a sua confiança e não serão massa de manobra deste mundo que está posto no maligno.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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