Pastorais

O apóstolo Paulo disse que nos últimos dias, os tempos seriam difíceis (2Tm 3.1). A palavra “difíceis” é a mesma usada para descrever o furioso endemoninhado de Gadara. O mundo está em convulsão. Há uma inquietação global. Há um desassossego entre as nações. Uma horda de “gafanhotos” sai do abismo para atormentar os homens (Ap 9.1-11). Essa angústia entre as nações pode ser vista nos seguintes fatos: 

 

Em primeiro lugar

 

Uma pandemia global. O ano 2020 ficará nos anais da história como um tempo em que o mundo parou por causa de um vírus. As colunas de sustentação da sociedade ficaram abaladas. Os poderes econômicos, políticos e científicos não tiveram uma resposta rápida e eficaz para sanar esse mal que ceifou mais de um milhão de pessoas em todo o mundo. Países ricos e pobres enfrentam a carranca da crise. A morte visitou palácios e choupanas, ricos e pobres, doutos e analfabetos, jovens e velhos, crentes e ateus. Bastou um vírus para jogar por terra toda a soberba humana e colocar de cócoras os poderosos. Hoje, vivemos a corrida na busca de uma vacina eficaz para erradicar esse mal. Porém, os temores teimam em assustar a todos, pois não se tem certeza da plena eficácia desses imunizantes.

 

 Em segundo lugar

 

Uma inversão de valores. A sociedade hodierna não apenas tolera o mal, mas promove-o. Não se trata apenas de acomodação à uma ética flácida e situacional, mas o que se vê é uma inversão de valores. A sociedade aplaude o que deveria reprovar e reprova o que se deveria promover. Chamam luz de trevas e trevas e luz. Um exemplo dessa inversão de valores foi a aprovação da lei do aborto, recentemente na Argentina. Multidões foram às ruas comemorar a cultura da morte. A sociedade que, hipocritamente, fala em direitos humanos, luta bravamente para defender ovos de tartaruga, mas sem qualquer pudor, drapeja suas bandeiras celebrando a morte de seres humanos privados do mais sagrado de todos os direitos, o direito à vida. Aborto é assassinato com requinte de crueldade. É transformar o sacrário do ventre materno num patíbulo de tortura. É arrancar do ventre um ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, como se fosse uma verruga pestilenta. Ah, o sangue dos inocentes clama aos céus! 

Em terceiro lugar,

 

Uma marcha rumo ao ateísmo cultural. A sociedade contemporânea, em nome do Estado laico, quer estabelecer um Estado ateu. Os valores cristãos estão sendo tripudiados. Os símbolos cristãos estão sendo eliminados. Os princípios judaico-cristãos estão sendo perseguidos. O conceito de família, conforme instituída por Deus, está sendo atacada com rigor desmesurado. A intolerância com a fé cristã é notória. Uma onda de Cristofobia percorre o mundo. Cristãos estão sendo perseguidos em todo o mundo e em todos os níveis. A intolerância com a fé cristã é vista até mesmo nos países chamados cristãos. Essa intolerância, não raro, é notada nos palácios, nos parlamentos, nas cortes, na grande mídia, no teatro e na literatura. 

 

Em quarto lugar

Uma radicalização política intolerante. O mundo caminha para uma radicalização intolerante. Estamos perdendo a capacidade de dialogar com os diferentes e respeitar opiniões diversas das nossas. Até mesmo a maior democracia do mundo flerta com uma espécie de guerra civil. O idealismo da política está se desfigurando. Usa-se o poder para manipular. Compra-se apoio político para se perpetuar no poder. Expedientes heterodoxos e nada republicanos são usados para auferir vantagens pessoais. Populismo e ditadura são o sonho de consumo de líderes que amam a si mesmos e o poder em vez de amar o povo para servi-lo. 

 

Em quinto lugar,

 

Uma apostasia galopante. Não é apenas o mundo que está em convulsão, a igreja, também, em larga escala, mundo afora, ruma para uma apostasia assaz perigosa. Denominações inteiras sucumbiram ao liberalismo teológico e se desidrataram. Outras, renderam-se ao sincretismo religioso e se perderam nos labirintos de um misticismo tosco. Há aquelas que, por amor ao lucro, entregaram-se à teologia da prosperidade. Não poucas são as igrejas que se acomodaram a uma ortodoxia morta. Nesse mundo em convulsão, é preciso erguer a voz e dizer que a única esperança para esta geração é o evangelho de Cristo. E só uma igreja viva e cheia do Espírito Santo pode pregar o evangelho com autoridade e poder.

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