Pastorais

João 14.1-31

Segundo a bíblia, há cinco coisas que mais perturbam o coração humano: desgosto de filho (Gn 26.35), rejeição humana (Is 51.7), raiz de amargura (Hb 12.15), o medo do juízo divino (Jl 2.1), e a morte (At 20.10). Jesus está no Cenáculo com os seus discípulos. Há um clima de tristeza e consternação. Os discípulos estão confusos e perturbados com a iminente separação de Jesus. O Maravilhoso Conselheiro dirige-se para a cruz a fim de enfrentar o sofrimento e a morte. Em sua humanidade perfeita, ele está angustiado de espírito (Jo 13.21) ou com a alma profundamente triste (Mt 26.38). O médico da alma está ferido. Mas Jesus é Deus, a fonte de toda a consolação. Ele conforta, exorta, instrui e ora pelos seus amados (Jo 14-17). Ele ordena aos seus discípulos: Não se turbe o vosso coração (Jo 14.1). O estudo de hoje é sobre a consolação de Jesus.

PAREM DE FICAR PERTUBADOS (vv.1-6). Os discípulos estavam perturbados, mas Jesus os ordena: Não se turbe o vosso coração (v.1). Em outras palavras: Parem de ficar perturbados!

Primeiro, é Jesus quem faz o diagnóstico. Foi Ele quem diagnosticou a alma dos seus discípulos. Ele leu o que estava escrito na mente e no coração deles. Somente Ele sente e conhece o que se passa em nossa alma: Em toda a angústia deles, foi ele angustiado (Is 63.9).

Segundo, a perturbação dos discípulos tinha algumas causas. Eles estavam envergonhados pela lição do lava pés. Eles estavam desapontados, pois pensavam que Jesus era o Messias político que implantaria um reino secular em Israel. Eles estavam tristes porque Jesus os deixaria, e angustiados, porque um dos doze seria o traidor. Eles se sentiam abandonados e desamparados.

Terceiro, Jesus lhes dá uma ordem. Parem de sentir-se perturbados. Não se perturbem ao ponto de ficarem confusos e agitados. Trata-se de um imperativo na língua grega. Sossegar o coração não é uma opção, mas uma determinação divina. Após a ordem, Jesus apresenta alguns remédios que servem para tranquilizar o coração.
Creiam em Jesus. Jesus diz: credes em Deus, crede também em mim (v.1). A palavra “credes” é um imperativo verbal que significa “continuem crendo em mim”. Não desistam de acreditar em Deus e em Jesus. “Se vocês creem no Deus invisível, creiam em mim, mesmo que eu tenha que me ausentar por um tempo”. A força e a coragem para permanecer na fé procedem da confiança que o Deus invisível está conosco (Dt 31.6).

Creiam nas promessas de Jesus. No momento em que o coração está perturbado, precisamos olhar para o céu e pensar nas coisas lá do alto. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar (v.2). Jesus promete que iremos morar no céu. Mas o que é o céu?

Primeiro, o céu é um lugar. A bíblia o descreve como um país por causa da sua vastidão, de paraíso por causa da sua beleza, de cidade por causa dos seus muitos habitantes, de reino por causa da sua estrutura organizacional. Jesus o chama de casa de meu Pai, lugar de relacionamentos perfeitos e acolhimento aprazível. Nesta casa há muitos cômodos ou apartamentos que estão sendo preparados por Jesus, o mais excelente decorador de ambientes. A missão de Jesus foi primeiro ir ao céu para preparar acolhida para os seus discípulos (Lc 22.30).

Segundo, o céu é estar com Jesus. Ele disse: E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também (v.3). Observe a sequência: eu vou, eu voltarei, eu os receberei e nós estaremos juntos por toda a eternidade (2Ts 2.1). A felicidade do céu é estar ali com Jesus, para sempre (Jo 17.24; Fp 1.23). Estar com Cristo é algo incomparavelmente melhor.

Creiam que vocês estão no Caminho. Jesus está indo para o céu morar com o Pai. Dois discípulos dizem que desconhecem o caminho e o destino de Jesus (vv.4-5). Ele, contudo, esclarece: Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (v.6). Há três destaques nesta afirmação de Jesus.

O caminho para Deus é pessoal. O pronome “eu” indica que somos salvos por uma pessoa, e não por uma instituição, ou por uma religião ou por um código moral. Jesus é o Caminho e este foi o primeiro nome dado aos seus seguidores (At 9.2;19.9,23; 22.4; 24.14,22). “Siga-me. Eu sou o caminho a verdade e a vida. Sem o caminho não há como ir; sem a verdade não há saber; sem a vida não há viver. Eu sou o caminho que você deve seguir; a verdade que você deve crer; a vida pela qual você deve esperar. Eu sou o caminho inviolável; a verdade infalível, a vida sem fi m” (Thomas Kempis).

O caminho para Deus é exclusivo. O artigo definido masculino “o” revela que Jesus é o Caminho e não “um dos caminhos”. O conceito religioso que “todas as religiões levam a Deus” é falso. Ninguém chega a Deus se não for por intermédio de Jesus (At 4.12; 1Tm 2.7).

O caminho para Deus é Jesus. No versículo predomina a ideia de que Jesus é o caminho e a sua melhor tradução seria: “Eu sou o caminho porque eu sou a verdade e a vida” (Wiliam Hendriksen). Jesus é a verdade que revela o Pai, que liberta o homem e que santifica o crente (Jo 8.32; 17.7). Ele é a verdade em oposição à mentira. Jesus é a vida (zoe) porque nele está a vida e ele tem vida em si mesmo. Ele tem a luz e as palavras de vida. Ele veio ao nosso encontro para nos dar a vida eterna (Jo 1.4; 5.26; 6.68; 8.12 e 10.10). Ele é a vida em oposição à morte. “Jesus é o princípio, o meio e o fim. Nele nós devemos iniciar, prosseguir e terminar” (Matthew Henry).

 

Rev. Arival Dias Casimiro

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