Pastorais

15 RAZÕES PELAS QUAIS SUA ALMA NECESSITA DE ADORAÇÃO EM COMUNIDADE E NÃO APENAS DE UMA TRANSMISSÃO AO VIVO

 

Continuação:

8.Encorajamento. Subestimamos grandemente o poder espiritual do encorajamento, tanto para o encorajador quanto para os encorajados. Uma das razões pelas quais nos reunimos é para nos “encorajar”, isto é, aumentar a coragem uns nos outros. Cumprimento um amigo, ele pergunta como foi minha semana, eu menciono um desafio pelo qual estou passando, ele diz: “Aguente firme; Deus está com você”. Uma troca de 30 segundos, que terminou tão rápido quanto começou – mas minha alma ficou um pouco mais dilatada.

 

9.É mais difícil para o pregador se você estiver em casa. Ele não pode vê-lo. Ele sabe que alguns estão online e tenta autenticar sua presença do púlpito olhando para a câmera da transmissão ao vivo de vez em quando. Mas o pregador não sabe se você está acenando com a cabeça concordando ou só com sono. Ele não sabe se há alguma reação. Você pode estar pulando de alegria e ele não faz ideia. A pregação saudável é dialógica – o pregador se nutre de seus olhares, seus acenos e sua atenção enquanto prega. Ele necessita vê-lo.

 

10.Além disso, a pregação é mais difícil para você se estiver em casa. Sentar-se no sofá e ver o pregador como uma imagem na tela simplesmente não é tão prazeroso quanto se sentar a 6 metros de distância dele, em uma sala com acústica melhor, cercado por dezenas de outros cristãos que também estão ouvindo-o com você. A atenção a um pregador 2D necessariamente diminui em comparação a um pregador 3D.

 

11.Na adoração conjunta na igreja, nem tudo é roteirizado. Cumprimentamos alguém que não esperávamos ver. Um visitante pode se sentar perto e temos a oportunidade de recebê-lo. Pode ser que até mesmo desempenhemos um papel em levar alguém a Cristo. Estando no sofá de casa, nada disso acontece. Tudo é roteirizado. É quase impossível ter uma interação inesperada.

 

12.Quando se está no templo, não dá para apertar o “mudo”. Você não pode pausar o culto para buscar mais café. Não é possível aumentar ou diminuir o volume. Você é menos tentado a pegar o celular e ver quem acabou de enviar-lhe uma mensagem. Quando estamos na igreja, somos maravilhosamente capturados pelo ambiente. Ficamos presos juntos com outros cristãos, diante de Deus. Isso é bom.

 

13.Cantar. Talvez seja possível ouvir a congregação cantar através dos alto-falantes em casa, mas todos sabemos que não é o mesmo que ouvir as vozes reais ao nosso redor. O mesmo vale para a leitura conjunta das Escrituras ou de uma confissão de pecado em uníssono, mesmo que seja através de máscaras. Há uma artificialidade necessária quando essas coisas são feitas apenas com você e a família na sala de estar. Os outros membros precisam ouvi-lo cantar. Você os está fortalecendo enquanto eles ouvem sua voz. Sua afinação não importa. Quer eles saibam ou não, você está reforçando a teologia deles com sua voz.

 

14.Os Sacramentos. Perdemos a oportunidade de participar da Ceia do Senhor se estivermos em casa, e no entanto, cremos que essa é uma fonte vital de fortalecimento espiritual – não apenas um ato memorial.

 

15.Tempo. Quanto mais tempo passa, e quanto mais confortáveis ficamos tentando ter culto de adoração à distância, mais “fora de forma” ficamos. Não estamos exercitando nossos músculos de adoração conjunta. Quanto mais esperarmos, mais normal será para nós adorar em casa. Pelas razões acima, isso está longe de ser ideal. Essa situação não é fácil para nenhum de nós. Há que ter paciência uns com os outros. Há que amar, compreender e demonstrar graça uns aos outros. Entretanto, implementando as medidas de segurança necessárias, devemos ousadamente encorajar uns aos outros a nos reunirmos para a adoração conjunta. Esse vírus é ruim. Eu entendo. Há que proteger nossos corpos – mas não às custas de nossas almas.

 

Dane Ortlund (PhD, Wheaton College) é escritor e vicepresidente
executivo de publicação da Bíblia e editor da
Bíblia na Crossway, em Wheaton, Illinois, EUA.

Publicado no Boletim Dominical de 03/10/21
ANO 31 Nº 48 da Igreja Presbiteriana de Brotas