O que buscamos? A Glória de Deus ou a glória do homem? Hoje em dia, a glória do homem está em alta: “Você é importante”, “Você merece”, “Você decide”, “Você pode”. Estas são algumas das frases que mais ouvimos, principalmente quando pedimos ajuda de amigos, eles tentam nos ajudar colocando força em nós. O problema é quando acreditamos nisso e deixamos influenciar nosso ministério de louvor. Hoje em dia, o raciocínio mais comum é que o homem é o centro de tudo e pode fazer qualquer coisa. Há uma busca intensa pelo próprio prazer que sempre vira prioridade na vida de muitos.

Mas nada disso não passa de buscar a glória do homem, ou uma “auto-idolatria” (Mateus 23:3-7), um hedonismo muito envolvente (Jeremias 17:9). Até mesmo muitas músicas “cristãs” focam mais no homem do que em Deus, trazem mais mensagens sobre a “sua” vitória ou sobre o “seu” direito àquela promessa.

Mas é isso mesmo que devemos buscar no ministério de louvor?

“… fazei tudo para a glória de Deus”, é isso que a Bíblia nos ensina. A glória nunca esteve, não está e nunca estará no próprio homem (1 Crônicas 29:11-12). O verdadeiro cristianismo proclama a glória de Deus, pois ele é o centro do universo (não o homem). Por isso devemos viver para manifestar a glória de Deus, aprendendo Sua palavra, vivendo Sua vontade, cantando Sua glória. Deus é o criador de todas as coisas (Gênesis 1:1, Salmos 102:25), Deus escreveu Sua palavra (II Timóteo 3:16), Deus preservou Seu povo (a Igreja) (Salmos 145:20), Deus domina sobre tudo e todos (Salmos 103;19), Deus é manifesto na natureza (que proclama a Sua glória – Salmos 19:1) e no homem (feito à Sua imagem e semelhança – Isaías 43-7), Deus foi, Deus é , Deus sempre será e nós só seremos novamente o homem criado por Deus no Édem (Atos 3:21), quando manifestarmos Sua glória.

Isso nos leva a pensar, se o que temos vivido diariamente, em nossas casas, em nossos trabalhos, em nossas escolas, no segredo dos nossos quartos, no ministério de louvor, tem manifestado diariamente a glória de Deus.

Em I Coríntios 10:31, vemos que mesmo as coisas mais simples, como comer ou beber, essas coisas devem ser feitas para a glória de Deus. Imagine você se servindo da comida da sua mãe ou esposa (ou do restaurante), e no momento de apreciar aquela comida, você glorifica a Deus com esse ato tão simples, mas fundamental à continuidade da vida… Se devemos glorificar a Deus com uma coisa tão simples, porque fazemos tantas outras coisas sem nem mesmo pensar em Deus? O texto completa dizendo: “… fazei tudo para a glória de Deus”, não fala “alguma coisa”, também não diz “as coisas feitas pela manhã”, nem se pronuncia: “as coisas feitas em sua hora devocional” ou “durante o culto na igreja”, ou “no blog“não, o texto diz: “tudo”. É imperativo.

O Pr. Hernandes pensando sobre este texto diz: “Não vivemos nem morremos para nós mesmos. Nascemos para a glória de Deus. Estudamos para a glória de Deus. Trabalhamos para a glória de Deus. Casamo-nos para a glória de Deus. Criamos filhos para a glória de Deus. Fazemos tudo para a glória de Deus.”

Se não estivermos fazendo tudo para a glória de Deus, estamos claramente desobedecendo a ordem do Senhor e glorificando a nós mesmos (I Samuel 15:22). Mas como temos visto nas liturgias: “A minha glória, não a dou a outrem” (Isaías 48:11), a glória é só de Deus, vem de Deus, volta para Deus e não podemos, tentar roubar a Sua glória. Isso nos lembra do primeiro pecado, que foi o pecado de Adão e Eva desejarem ser igual a Deus (Gênesis 3:5 e 6). Quando nos envolvemos nas situações e nos ministérios glorificando a nós mesmos, estamos voltando ao Édem e caindo novamente, nos afastando de Deus, e não glorificando ao verdadeiro dono da adoração.

Quando a liturgia é vazia de significado e inútil

Em Romanos 11:36 lemos: “Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas” e o Pr. Hernandes nos chama atênção para três verdades:

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1. Deus é a origem e o dono de todas as coisas. O universo foi criado por Deus para a sua própria glória. Deus é a fonte e Deus é dono do universo.

2. Deus é o sustentador de todas as coisas. Não apenas todas as coisas são de Deus, mas também, todas as coisas são por meio dele. Ele é maior do que a criação e independente dela, mas interfere e dela cuida. Ele é o nosso criador e provedor.

3. Deus é a razão máxima para a qual todas as coisas existem. Todas as coisas são para ele. Fomos criados por Deus e nossa existência não encontra seu pleno significado enquanto não nos voltamos para Deus. Fomos criados e salvos para o louvor da Sua glória.

Portanto, se não vivemos para a glória de Deus, não manifestamos Deus em nossa vida, e se não manifestamos Deus em nossa vida, nosso culto, o ministério de louvor, não passa de uma liturgia vazia de significado e inútil.

Voltando novamente ao Édem, quando Caim e Abel se aproximam de Deus para entregar sua oferta, a Bíblia nos diz que “Deus não se agradou de Caim e de sua oferta” (Gênesis 4:5), a vida de Caim desagradou a Deus antes do culto dele. O coração dele não estava preocupado em honrar a Deus, só queria ter a glória de ter entregue o “melhor fruto” do seu próprio trabalho, e ai se satisfazer em si mesmo: “mandei bem nessa oferta…” e por isso, Deus rejeitou sua vida (primeiro) e sua oferta (depois).

E nós? Como temos trazido nossa oferta para Deus? Como temos feito nosso culto? Como temos tocado com nosso grupo? Como temos cantado? Para receber os elogios de um trabalho bem feito? Para “ser a melhor banda” da igreja?

O fato é que a resposta correta deveria ser:
“Temos servido nos grupos de louvor, única e exclusivamente para a glória de Deus.”

Que Deus manifeste a Sua glória na vida de cada músico da igreja e que sejamos um ministério de louvor cheio do Espírito Santo.


    2 replies to "Lidando com o ego no ministério de louvor"

    • Avatar Ivan Eduardo Silva de Souza

      Ótima reflexão Marcelo. Deus continue te abençoando.

    • Avatar Jaqueline de Oliveira Machado

      Excelente reflexão. 🙏

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