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Esse breve artigo tem como intuito falar sobre a objeção judaica a doutrina da trindade. Mais especificamente é uma breve resposta às objeções judaicas à doutrina da trindade. A questão se estabelece do seguinte modo: são os cristãos idólatras por defender a trindade?

Primeiro falaremos sobre as objeções judaicas, depois apresentaremos aquilo que entendemos ser a revelação acerca da Trindade no AT e no NT, e, por último, traremos as conclusões pertinentes ao que foi levantado.

As Objeções Judaicas à Trindade

Para os judeus, Deus é Pessoal, Todo-Poderoso, Eterno, Misericordioso. Mas não é a Trindade. O pensamento judaico não admite a trindade, e traz várias objeções à essa doutrina central para os cristãos. Para o judeu Trindade é uma concessão ao politeísmo. “Para o incondicional monoteísmo judaico, a doutrina da Trindade é profundamente objetável porque se trata de uma concessão ao politeísmo ou, de certa maneira, uma adulteração da ideia de um único indefinível e indivisível Deus” [1].

O Rabino Shraga Simmons assim expõe o tema:

“A ideia cristã da trindade quebra D’us em três seres separados: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (mateus 28:19). Compare isto com o Shemá, a base da crença judaica: “Ouve, ó Israel, o Eterno nosso D’us, o Senhor é UM” (Devarim 6:4). Os judeus declaram a unicidade de D’us todos os dias, escrevendo-a sobre os batentes das portas (Mezuzá), e atando-a à mão e cabeça (Tefilin). Esta declaração da unicidade de D’us são as primeiras palavras que uma criança judia aprende a falar, e as últimas palavras pronunciadas antes de morrer. Na Lei Judaica, adorar um deus em três partes é considerado idolatria – um dos três pecados cardeais, que o judeu prefere desistir da vida a transgredir. Isto explica porque durante as Inquisições e através da História, os judeus desistiram da vida para não se converterem” [2].

Fica assim clara a importância de contrapor a doutrina da trindade por parte dos judeus. Estabelecida a questão, importa verificarmos se há menção a Trindade na Bíblia. É necessário agora verificar se realmente a doutrina da Trindade implica em politeísmo.

Doutrina da Trindade no AT e no NT

“4 Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. 5 Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.” (Dt 6:4-5).

É doutrina muito cara para toda a Escritura, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento a unidade de Deus. Um dos primeiros textos a consolidar essa verdade diante do povo de Deus é Deuteronômio 6.4-5. “O SENHOR nosso Deus é Único”. A ideia do texto é ensinar a Unidade de Deus.

Em meio a uma cultura extremamente politeísta, o povo de Deus é chamado ao monoteísmo. Porém, vemos que o Antigo Testamento, ainda que defenda a unidade de Deus, também fala sobre a Pluralidade de Pessoas, em um Deus que é Uno. Vejamos o que Rosenthal nos ensina sobre a Pluralidade de Pessoas em Deus, apenas pelo estudo do seu nome:

Pluralidade no Nome de Deus. Em nossa Bíblia portuguesa, os tradutores, ao traduzirem as palavras hebraicas El e Elohim, fizeram-no com “D” maiúsculo, “Deus”. No hebraico, essas palavras significam ambas “Todo-poderoso”. Ambos esses nomes, na verdade, são uma só palavra. Todavia, El é a forma singular, enquanto que Elohim é a forma plural da mesma palavra [3].

 A decisão divina de criar o homem também é apresentada na Bíblia como sendo a decisão de um ser plural, ainda que Uno:

“Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança… Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou: homem e mulher os criou” (Gênesis 1:26,27).

Além do Deus Criador, o Messias prometido é reconhecido como Divino:

6 Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. 7 Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.” (Is 9:6-7).

“5 Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, sendo rei, reinará e agirá sabiamente, e praticará o juízo e a justiça na terra. 6 Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará seguro; e este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA.” (Jr 23:5-6).

Stanley Rosenthal, então, assim afirma sobre a divindade do Messias Prometido:

Somente Deus pode ser adorado, com toda a legitimidade. Deus proíbe a adoração direta a qualquer outro ser ou objeto, tanto nos céus quanto na terra. Em Salmos 118:8 somos instruídos quanto a esse particular: “É melhor confiar no SENHOR do que confiar no homem.” Mais dogmático ainda mostra-se o profeta Jeremias, o qual citou Deus a dizer “5 Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR! … 7 Bendito o homem que confia no SENHOR, e cuja confiança é o SENHOR.” (Jr 17:7) No entanto, em certas porções das Escrituras, encontramos o Messias aceitando adoração da parte dos homens. Davi deixa isso perfeitamente claro no Salmo 2. Ali ele identifica o Messias como o Filho de Deus, e, em seguida, instrui que o Rei-Messias deveria ser adorado (v. 12). Isso pode ser chocante para o seguidor das Escrituras — a menos que ele compreenda a tri-unidade de Deus. Então torna-se lógica e escriturística aquela admoestação de Davi, que recomenda: “Beijai [ o Filho..] Deus deixou perfeitamente claro que o Seu Filho, o Messias, tem todo o direito de ser adorado. Isso, por sua vez, significa que Cristo é Deus. Se não fosse uma realidade, então a única alternativa que nos restaria seria acreditar que o Deus que nos adverte a não reverenciar ao homem, estava contradizendo-se ao ordenar-nos tal coisa. Naturalmente, Deus não estava se contradizendo. Ao contrário, estava frisando esse ponto uma vez mais: o Messias é Deus [4].

Conforme nos apresenta Louis Berkhof, podemos afirmar que o Antigo Testamento já nos indica que em Deus existe mais de uma pessoa. Deus fala de si mesmo no plural (Gn 1.26; 11.7); o Anjo do Senhor nos é apresentado como sendo uma pessoa divina (Gn 16.7-13; 18.1-21; 19.1-22), e igualmente o Espírito Santo nos é apresentado como uma pessoa distinta (Is 48.16; 63.10). Há igualmente passagens nas quais o Messias fala e menciona as outras pessoas (Is 48.16; 63.9, 10). Dado o progresso que encontramos na revelação, o Novo Testamento nos apresenta provas mais concretas. Encontramos as provas mais contundentes nos atos da redenção. O Pai envia seu Filho ao mundo, e o Filho envia o Espírito Santo. Além disso, há certo número de passagens nas quais as três pessoas são mencionadas especificamente, tais como na “Grande Comissão” (Mt 28.19); a “Bênção Apostólica” (2Co 13.13). Vejam-se também Lucas 3.21, 22; 1.35; 1 Coríntios 12.4-6; 1 Pedro 1.2 [5].

Respostas às Objeções

O tema não é simples e não teríamos como responder cabalmente à questão com apenas um simples artigo, porém vejamos mais alguns comentários da teologia sistemática do teólogo Vicent Cheung. Cheung diz que Deus é uma Trindade. A Triunidade de Deus é analisada como um atributo Seu. O autor diz que todos os atributos divinos aplicam-se a cada membro da Divindade. Ainda que haja somente um Deus, ele subsiste em três pessoas, cada uma delas plenamente participante na única essência divina. Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito cumpriram seus papéis singulares no batismo de Cristo: Assim que Jesus [Deus Filho] foi batizado, saiu da água. Naquele momento o céu se abriu, e ele viu o Espírito de Deus [Deus Espírito] descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus [Deus Pai] disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mateus 3.16,17). O que com frequência é chamado de Bênção Apostólica diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês” (2 Coríntios 13.14). Mateus 28.19 tem uma relevância particular a uma discussão sobre a Trindade: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” [6].

Cheung nos chama a atenção, dizendo:

Repare que esse versículo não diz: 1. “… nos nomes do Pai e do Filho e do Espírito Santo.” 2. “… no nome do Pai, e no nome do Filho, e no nome do Espírito Santo.” 3. “… no nome do Pai, Filho e Espírito Santo.” A primeira e a segunda versão implicariam que estamos lidando com três seres separados. E visto que a terceira conserva a palavra “nome” no singular, não fica uma distinção clara entre as três pessoas. Entretanto, Jesus não põe sua declaração em qualquer dessas três formas. O que o versículo diz é: “… em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. O Pai, o Filho e o Espírito Santo recebem cada um artigo definido, indicando assim uma clara distinção entre os três, mas a palavra “nome” permanece no singular, sinalizando assim a unidade essencial e a igualdade das três [7].

Aqui já temos uma refutação à acusação dos judeus. Os cristãos também estão profundamente engajados em defender a unidade do Ser Divino.

O autor segue falando que 1 Pedro 1.1,2 é um outro texto que pressupõe a Trindade de Deus e indica o papel singular que cada membro desempenha na obra de redenção: Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos de Deus, peregrinos… escolhidos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito, para a obediência a Jesus Cristo e a aspersão do seu sangue: Graça e paz lhes sejam multiplicadas [8].

Louis Berkhof ainda detalhe a esclarece a Doutrina Cristã que devemos ter sobre o Pai, sobre o Filho e sobre o Espírito.

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Quanto ao Pai, o autor diz que o título Pai se aplica com freqüência, nas Escrituras, ao Deus Triúno como o Criador de todas as coisas (1Co 8.6; Hb 12.9; Tg 1.17), como Pai de Israel (Dt 32.6; Is 63.16) e como Pai dos crentes (Mt 5.45; 6.6, 9, 14; Rm 8.15). No sentido mais profundo, a palavra Pai se refere à primeira Pessoa da Trindade (Jo 1.14, 18; 8.54; 14.12, 13). Esta é a paternidade original e da qual a paternidade humana não é mais que um débil reflexo. A característica essencial do Pai é haver ele gerado o Filho desde toda a eternidade. As obras que geralmente se lhe atribuem são o planejamento da obra redentora, a criação, a providência e a representação da Trindade no conselho da redenção [9].

Quanto ao Filho, Jesus Cristo, Berkhof nos ensina que a segunda Pessoa da Trindade é chamada Filho ou Filho de Deus. Este nome lhe é dado não só como Filho unigênito do Pai (Jo 1.14, 18; 3.16, 18; Gl 4.4), mas também como o Messias eleito de Deus (Mt 8.29; 26.63; Jo 1.49; 11.27), e em virtude de seu nascimento especial por obra do Espírito Santo (Lc 1.32, 35). A característica essencial do Filho é haver ele sido gerado do Pai desde toda a eternidade (Sl 2.7; At 13.33; Hb 1.5). Por razão desta geração eterna, o Pai é a causa da existência pessoal do Filho na Deidade divina. As obras que são atribuídas ao Filho, de um modo especial, são obras de mediação. O Filho de Deus é o Mediador da criação (Jo 1.3, 10; Hb 1.2, 3) e o Mediador da obra redentora (Ef 1.3-14) [10].

Quanto ao Espírito Santo, somos ensinados que ainda que os socinianos, os unitarianos e os modernistas [bem como os russelitas] de nossos dias falem do Espírito Santo como um mero poder ou influência divina, a Bíblia fala dele como uma Pessoa (Jo 14.16, 17, 26; 14.26; 16.7-15; Rm 8.26). O Espírito Santo tem inteligência (Jo 14.26), emoção (Is 63.10; Ef 4.30) e vontade (At 16.7; 1Co 12.11). A Escritura nos afirma que o Espírito Santo fala, sonda, testifica, ordena, disputa e intercede. Além disso, sua Pessoa nos é apresentada como distinta de seu poder (Lc 4.14; 1.35; At 10.38; 1Co 2.4). A característica essencial do Espírito Santo é proceder do Pai e do Filho por expiração. Em termos gerais, a obra do Espírito Santo é completar as obras da criação e da redenção (Gn 1.2; Jó 26.13; Lc 1.35; Jo 3.34; 1Co 12.4-11; Ef 2.22) [11].

Conclusão

Portanto, entendemos e proclamamos que a Doutrina da Trindade está clara em todas as Escrituras, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. É evidente, lendo a Bíblia, que a Doutrina é bem mais clara nas páginas do Novo Testamento, porém, isso ocorre em função do Progresso da Revelação, tema que poderíamos discorrer em outro ensaio. A implicação judaica de afirmar que somos politeístas pelo fato de defendermos um Deus Tri-Uno não tem fundamento.

A igreja reformada tem proclamado a unidade de Deus e enfatizado isso. O Breve Catecismo de Westminster dedica uma pergunta para falar sobre a Unidade Divina, e outra para falar de sua Pluralidade, ou da de pessoas que existem na Unidade Divina. Assim nossas crianças aprendem:

PERGUNTA 5. Há mais de um Deus?

R. Há só um Deus, o Deus vivo e verdadeiro. Ref. Dt 6.4; 1Co 8.4; Jr 10.10; Jo 17.3.

PERGUNTA 6. Quantas pessoas há na Divindade?

R. Há três pessoas na Divindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estas três são um Deus, da mesma substância, iguais em poder e glória. Ref. Mt 3.16-17; 28.19; 2Co 13.13; Jo 1.1; 3.18; At 5.3-4; Hb 1.3; Jo 10.30. (BREVE CATECISMO).

Fançois Turretini nos ensina: “Assim, aquele que não reconhece e não crê na Trindade não tem o Deus verdadeiro, porém erigiu para sim um ídolo no lugar de Deus” [12]. Tristemente essa é a condição de todo judeu, e precisamos não só orar por eles, mas evangeliza-los.

Quanto a importância da doutrina da Trindade para nossa salvação, Boice comenta: “A eleição é a escolha de Deus Pai. A expiação é o sacrifício de Deus Filho. A graça que nos leva a Cristo e nos capacita a perseverar até o fim é a obra de Deus Espírito Santo. Assim, a salvação é uma obra divina do início ao fim – o trabalho coordenado do Deus triúno –, como é necessário para que sejamos salvos. Leve o seguinte em consideração: se estamos realmente mortos em nossos pecados (depravação radical), só Deus poderia nos escolher em Cristo (eleição incondicional), somente Cristo poderia expiar os nossos pecados (redenção particular), e somente o Espírito poderia nos levar a Cristo (graça eficaz) e nos preservar nele (graça perseverante). Portanto, todo louvor e glória pertencem somente a Deus: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre!” (Rm 11.36)” [13]


[1] VÁRIOS AUTORES. Como responder ao Judaísmo. Disponível em: www.cacp.org.br/judaismo/. Acesso em 20 de setembro de 2019.

[2] SIMMMONS, Rabino Shraga. Judeus não acreditam em Jesus. Disponível em: https://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/1622650/jewish/Judeus-no-acreditam-em-Jesus.htm. Acesso em: 19 de set de 2019.

[3] ROSENTHAL, Stanley. A TRI-UNIDADE DE DEUS NO VELHO TESTAMENTO. Disponível em: <solascriptura-tt.org/TeologiaPropriaTrindade/TriunidadeDeDeusNoVelhoTestamento-SRosentha.htm>. Acesso em 24 set 2019.

[4] ROSENTHAL, Stanley. A TRI-UNIDADE DE DEUS NO VELHO TESTAMENTO. Disponível em: <solascriptura-tt.org/TeologiaPropriaTrindade/TriunidadeDeDeusNoVelhoTestamento-SRosentha.htm>. Acesso em 24 set 2019.

[5] BERKHOF, L. Manual de Doutrina Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2012, p. 14.

[6] CHEUNG, Vicent. Teologia Sistemática. Disponível em: www.monergismo.com/textos/livros/teologia_sistematica_completa_cheung.pdf>. Acesso em 24 de set 2019, pp. 52-53.

[7] CHEUNG, Vicent. Teologia Sistemática. Disponível em: www.monergismo.com/textos/livros/teologia_sistematica_completa_cheung.pdf>. Acesso em 24 de set 2019, pp. 52-53.

[8] Ibid.

[9] BERKHOF, L. Manual de Doutrina Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2012, p. 15.

[10] BERKHOF, L. Manual de Doutrina Cristã. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2012, p. 15.

[11] Ibid.

[12] Fançois Turretini (Compêndio de Teologia e Apologética. Vol 1. Livro: 3; Pergunta 24; p. 347).

[13] BOICE, James M. A Lógica Calvinista na Trindade. Disponível em: bereianos.blogspot.com/2015/02/a-logica-calvinista-na-trindade.html. Acesso em 20 set de 2019.


Yan Guedes
Yan Guedes

Yan Pedro Pereira Guedes. Seminarista pelo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição. Mestrando em Direito, bolsista, pesquisador do Reformador Johannes Althusius, pela Universidade Nove de Julho. Formado em Direito na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Especialista em Derecho Publico Global pela Universidad Castilla-La Mancha (Espanha)

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