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Muitas pessoas, especialmente pessoas que professam a fé cristã, tem tomado conhecimento do Design Inteligente, e tem demonstrado curiosidade em entendê-lo um pouco melhor. No entanto, com frequência, ele é associado ou confundido com o Criacionismo, o que constitui um engano. Neste texto veremos que, tão importante quanto distinguir entre o Design Inteligente e o Criacionismo, é também perceber como as teorias científicas contribuem para a formação da cosmovisão cristã. Cada ciência, tratando das verdades específicas dos seus campos, contribui muito para o conhecimento do mundo natural. Concebendo a natureza como obra divina, o cristão tende a fortalecer sua fé quando percebe com clareza o poder de Deus pelas coisas que foram criadas (Rm 1:20).

Sem maiores delongas, vamos ao que interessa. Este texto é uma introdução ao Design Inteligente.


Desde os primórdios da humanidade, muitos pensadores vem fazendo questionamentos fundamentais sobre nossas origens. Olhando para os céus iluminados pelas estrelas, a noite, torna-se difícil não se admirar com tamanha grandeza do universo. Afinal, como o universo veio a surgir? Questionamentos como esse são importantes para procurar entender o lugar do ser humano nesse universo. Outros questionamentos que também costumam ser feitos quanto às origens são os seguintes:

  • Como a primeira vida surgiu?
  • Como certas habilidades mais complicadas como a visão e a audição se desenvolveram?
  • De onde veio a nossa própria espécie?
  • Toda a complexidade da vida e do universo apontam mais para causas sem propósito, ou há um projeto inteligente por trás de tudo?

O que é o Design Inteligente

A teoria do Design Inteligente (DI) estuda sinais de inteligência, ou design, na natureza. Uma outra maneira de descrever o DI é pela afirmação de que certas características do universo e da vida biológica sejam melhor explicados por uma causa inteligente, e não apenas por causas naturais não controladas. Os cientistas do DI procuram sempre distinguir entre objetos ou eventos que sejam causados de modo inteligente — com intencionalidade —, daqueles que sejam originados por processos não intencionais ou não controlados.

É possível também entender o Design Inteligente como um programa de pesquisa que tem por base a ideia de que é possível distinguir cientificamente objetos/eventos que tenham causas naturais daqueles que tenham causas inteligentes. Desse modo, a comunidade dos teóricos do DI tem o propósito geral de solidificar os requisitos e as metodologias que permitam ao pesquisador/cientista fazer essa distinção de modo científico, ou seja, de modo independente da intuição do pesquisador e também reproduzível por outros cientistas segundo métodos bem definidos.

Desse modo, então como se definem causas naturais e causas inteligentes? Chamamos de causas naturais às explicações dadas para a origem de um objeto que envolvam somente leis físico-químicas da natureza. Na prática, essas explicações costumam fazer referência apenas a duas entidades fundamentais, matéria e energia, envolvidas na origem do objeto em estudo. Por outro lado, chamamos de causas inteligentes àquelas explicações para a origem de um objeto que envolvam não apenas leis físico-químicas da natureza, mas também envolva a infusão de informação relevante (pela ação de algum agente inteligente), sem a qual seria impossível a própria origem do objeto em questão.

Considere um objeto que todos nós sabemos ter sido projetado — um carro. Todas as partes desse carro estavam, originalmente, na forma de materiais brutos, tais como minério e petróleo. É claro que, por si mesmos, processos não intencionais ou não controlados nunca iriam organizar esses materiais até formar um carro. Algo a mais é necessário para que essa mudança ocorra. Transformar minério em motor requer outras máquinas que foram construídas por algum tipo de inteligência. De modo análogo, converter petróleo em combustível, em artefatos plásticos ou em pneus sintéticos, também requer intervenções inteligentes. Moldar todos esses materiais brutos em peças de carro, e montar essas peças até chegar ao carro requer um enorme esforço de controle inteligente, e todo esse processo gera um tipo específico de informação. Na verdade, a presença de um certo tipo de informação — Informação Complexa e Específica — é a característica principal que distingue objetos produzidos por processos não controlados, dos objetos produzidos com intencionalidade, ou seja, por design inteligente.

A experiência nos mostra que vários elementos da vida cotidiana — como a linguagem, códigos, e máquinas — dependem de informações produzidas por agentes inteligentes.

Agente Inteligente é um agente com a habilidade de projetar, planejar com antecedência, e pensar com algum objetivo ou propósito.

Processos naturais cegos e não controlados não tem habilidade de pensar com antecedência para verificar o que é necessário para montar um carro. Agentes inteligentes são diferentes. Eles são capazes de fazer previsões e usá-las no projeto, coletar os materiais apropriados, construir as ferramentas necessárias, e então processar e montar tudo na ordem certa.

Os teóricos do DI iniciam seu trabalho estudando que tipos de informação são criadas por agentes inteligentes. A seguir, eles tomam objetos naturais para examinar se eles contém informação dos mesmos tipos. Quando esses tipos de informação são encontrados, então se faz a inferência de que uma causa inteligente estava operando na origem desse objeto.

Este raciocínio do DI é muito comum na vida cotidiana. Imagine que você esteja dirigindo com o seu carro numa rua, e chegasse a um local que tivesse uma mancha seca de tinta branca no asfalto. Você poderia ignorar a mancha e manteria seu carro em viagem.

Mas e se a mancha seca estivesse no formato da palavra “PARE”? Neste caso, você provavelmente faria uma inferência ao design que poderia salvar sua vida. Você iria reconhecer que algum agente inteligente estava tentando comunicar a você alguma mensagem importante, ainda que não se saiba quem.

Somente agentes inteligentes podem usar de previsões para realizar alguma meta — como montar um carro ou usar palavras escritas para comunicar uma mensagem. Reconhecer essa habilidade exclusiva de agentes inteligentes permite que cientistas de inúmeros campos do conhecimento façam detecção de design. Detecção de design já ocorre em inúmeros outros campos da ciência:

  • Arqueólogos precisam discriminar entre formações rochosas que foram moldadas por forças geológicas naturais e formações moldadas por inteligência — como paredes, estradas, aquedutos, utensílios, e outros.
  • Cientistas forenses distinguem entre mortes ocorridas naturalmente, e mortes causadas intencionalmente — assassinatos. Essa distinção é crucial para os sistemas legais de todo o mundo, e precisa ser realizada com muito esforço e precisão.
  • Cientistas ambientalistas precisam determinar se certos problemas do meio ambiente tiveram origem natural, ou pela ação humana. Encontrar peixes mortos num rio faria um cientista questionar se há algum tipo de resíduo químico tóxico sendo emitido por alguma indústria próxima, ou se há alguma doença que acomete a fauna local.

Seguindo essa lógica, os teóricos do DI fazem um questionamento simples e básico: se é possível detectar intencionalidade em outros campos da ciência, então por que seria controverso detectar intencionalidade também na biologia ou na cosmologia?

Base Científica do Design Inteligente

Imagine que você estivesse viajando com seu carro por outra estrada dessa vez, e visse essa montanha da figura abaixo.

Procurando seus detalhes, será possível achar características que fazem essa montanha ser única em relação a outras formações rochosas no nosso planeta. Na verdade, entre todas as possíveis combinações de rochas e rachaduras, essa montanha da figura acima teria uma probabilidade muito baixa de ser formada. No entanto, não há nada de especial nela que nos levaria à conclusão de que a montanha tivesse sido esculpida por alguém. O formato dela poderia ser facilmente explicado por processos naturais, como erosão por chuvas causando sedimentação e posterior compactação e cimentação. Por isso, a característica da baixa probabilidade não é, por si mesma, condição suficiente para fazer qualquer inferência ao design.

Imagine agora que, num outro momento, você estivesse num helicóptero, e visse esta outra formação rochosa da figura abaixo.

Essa formação é diferente. Ela também tem um formato de baixa probabilidade dentre todos os possíveis. Contudo, esse formato se encaixa num padrão, que é independente de quaisquer leis naturais e da própria rocha na qual a formação existe. Esse padrão é similar ao de outros artefatos criados por seres humanos, a saber, esculturas de personagens religiosos. Como observador, seria possível notar que:

  • Um certo tipo de informação foi usada pelo artista para “dar forma” à rocha. O artista sabia como esculpir uma rocha, além de conhecer também padrões esculturais de artefatos religiosos.
  • A imagem esculpida na rocha também transmite um certo tipo de informação ao observador, que é a figura de um personagem muito conhecido.

De imediato, você conclui que essa rocha foi formada por um agente inteligente, ainda que não seja necessário saber qual foi esse agente. Mas por que? Como dito anteriormente, a ciência do Design Inteligente se inicia pela investigação dos tipos de informação que são produzidas quando um agente inteligente age. O teórico do DI observa que agentes inteligentes são capazes de produzir, de modo único e exclusivo, altos níveis de Complexidade Especificada.

Complexidade Especificada é a propriedade exibida por objetos, eventos ou informação que seja improvável — isto é, tenha baixa probabilidade — e também tenha um padrão independente.

No contexto da ciência e da teoria da informação, uma coisa é dita complexa se ela for improvável. Uma coisa é dita específica se ela tem um padrão independente. Dito isso, o tipo de informação que é inerente a objetos que possuam complexidade especificada é chamada de Informação Complexa e Específica (ICE). Pela experiência, nota-se que a detecção conjunta de complexidade e de especificidade é a principal indicação, ou assinatura, de design inteligente.

As três figuras a seguir mostram a diferença entre os conceitos de complexidade e especificidade, exibindo também como ambos os conceitos conjuntamente indicam design de modo inequívoco.

Nesta primeira figura acima, a ordem exata das letras no texto é muito improvável — isto é, tem baixa probabilidade —, o que caracteriza o texto como sendo complexo. No entanto, o que está escrito não tem sentido, não se encaixando em nenhum padrão independente e, por isso, pode ser classificado como não especificado. Conclusão: não se pode inferir que houve design.

Já nesta segunda figura acima, o texto se encaixa num padrão, que é curto e simples. Possuir esse padrão confere ao texto a característica de ser especificado. Contudo, ele é não complexo, pois a ordem com que ele foi escrito torna-o de fácil previsão e, por isso, não tem baixa probabilidade. Conclusão: não se pode inferir que houve design.

Nesta terceira e última figura acima, a ordem das letras é improvável — tem baixa probabilidade —, e portanto, é complexa. O texto também se encaixa num padrão independente (a língua portuguesa), e por isso, é especificado. Conclusão: pode se inferir que houve design inteligente.

No caso de um objeto que seja formado apenas por leis naturais, a informação que está contida nele não será ao mesmo tempo complexa e específica. Por exemplo, num cristal que esteja estruturado por uma sequência periódica de átomos, a informação nele contida é específica: a sequência é específica desse cristal, caracterizando-o unicamente; mas não é complexa, pois a sequência não é improvável: a probabilidade de formar uma sequência de átomos assim repetidos não é baixa, já que há leis naturais que levam a essa formação. Outro exemplo que poderia ser usado é o de uma mistura aleatória de polímeros orgânicos. A informação contida nessa mistura é complexa, sendo muito improvável aquele arranjo dos polímeros; mas tal mistura não é específica, pois o arranjo não se conforma a nenhum padrão independente reconhecível.

Organismos vivos, por outro lado, são simultaneamente complexos e específicos. Eles são complexos porque as suas estruturas são altamente improváveis, dentre todos os arranjos de estrutura possíveis dos seus constituintes orgânicos. Eles também são específicos, pois é um arranjo que permite a ocorrência de metabolismo e todos os processos biológicos inerentes ao funcionamento do organismo. Isso indica que os organismos vivos são resultado de design inteligente.

Aqui surge a pergunta: como toda essa complexidade especificada surgiu? O Design Inteligente diz que toda complexidade especificada tem origem em agentes inteligentes, ainda que não se possa identificá-los. Agentes inteligentes podem pensar com um objetivo em mente, e nisso, eles são únicos com habilidade e possibilidade de agir criando Informação Complexa e Específica (ICE). Um dos teóricos do DI mais conhecidos, Stephen Meyer, diz que estruturas informacionais como as da linguagem, das máquinas e dos códigos de computador são exemplos clássicos de estruturas projetadas com grandes quantidades de ICE:

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Nosso conhecimento baseado na experiência com grandes quantidades de complexidade especificada (especialmente códigos e linguagens) sempre aponta para uma origem inteligente — uma mente ou um agente pessoal.
(Stephen Meyer)

A detecção de complexidade especificada é o indicador inequívoco de design inteligente, e que ICEs podem ser encontradas em vários aspectos da natureza, desde as constantes das leis da física, na cosmologia, até às minúsculas máquinas moleculares dentro das unidades da vida biológica, as células.

O que NÃO é o Design Inteligente

Apesar de todo o aparato científico do Design Inteligente, muitos críticos afirmam que o DI é uma forma mascarada de “criacionismo”. Mas será que isso é verdade? Existem várias definições de criacionismo, mas a compreensão mais comum é aquela associada à Bíblia.

Criacionismo é a crença de que o universo e a vida foram criados por Deus da forma como está relatado no livro do Gênesis na Bíblia.

Há criacionistas que aceitam a visão científica corrente de que a Terra e o universo tenham uma idade da ordem de bilhões de anos. Já os criacionistas de “Terra jovem” acreditam que a Terra e o universo tenham idade da ordem de milhares de anos, na faixa de 6 mil a 10 mil anos. No entanto, o que todos os criacionistas tem em comum é que eles montam seus raciocícios a partir de textos religiosos (como a Bíblia), e terminam seus pensamentos fazendo conclusões religiosas.

O Design Inteligente se diferencia do criacionismo, pois não há uso de qualquer texto religioso. O DI parte de observações sobre a natureza — e não de textos religiosos —, limitando suas conclusões científicas àquilo que possa ser concluído pelo método científico. Como toda ciência, que se limita a conclusões que venham do método científico, o DI faz referência a causas inteligentes somente quando esta for a conclusão científica, longe de procurar estabelecer a identidade, a fonte ou a natureza moral dessa causa inteligente. Questionamentos sobre a natureza ou a identidade dessa causa inteligente podem ser muito importantes para algumas pessoas. Entretanto, o Design Inteligente se restringe apenas àquilo que possa ser respondido pela ciência. Tais questionamentos vão além do escopo do DI, e podem ser melhor enquadrados dentro de disciplinas da filosofia.

Alguns dos teóricos do DI tem interesse em questões mais amplas, como as da identidade de certas causas inteligentes através da filosofia, ou mesmo da teologia. Mas TODOS eles concordam que é possível formular argumentos em favor do design usando apenas evidências científicas.

Além da confusão que alguns podem fazer entre Criacionismo e Design Inteligente, há também o questionamento de se o DI implicaria em algum tipo de intervenção sobrenatural. Usualmente, críticos que levantam esse tipo de questionamento parecem mais estar dispostos a descontinuar a discussão sobre o DI, e a evitar que as evidências apresentadas pelo DI sejam divulgadas ao público. Para responder esse questionamento, não é necessário um esforço muito grande. Como vimos repetidamente, o DI afirma que a causa que melhor explica certos aspectos da natureza é algum tipo de inteligência, não se referindo à identidade ou a qualquer característica moral dessa inteligência. Dessa maneira, o DI não se aventura fora do método científico. Pode-se então resumir tudo a alguns pontos, e que precisam ser frisados:

  • Os cientistas do Design Inteligente desejam manter o debate em torno das evidências somente.
  • Quando explicações naturalistas são questionadas, não há um posicionamento automático em favor do sobrenatural. Tome o exemplo do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro: sabe-se que as montanhas são objetos naturais, no entanto, o formato do Cristo Redentor não pode ser explicado por causas naturais. Os agentes inteligentes que deram formato àquela formação rochosa foram seres humanos. Detectar que uma inteligência foi a causa de algum objeto natural (quando possível) é o propósito máximo do DI. Muito diferente disso é tentar identificar qual inteligência causadora, ou a localização dessa inteligência.
  • Os teóricos do DI entendem que não se pode supervalorizar certas afirmações que vão além daquilo que foi possível conhecer pela ciência. A ciência não responde a todos os questionamentos. Por exemplo, as complexas máquinas moleculares que codificam DNA podem ter sido originadas por design inteligente. Mas a evidência científica não nos diz que tipo de inteligência as originou, se foi o Deus da tradição judaico-cristã, ou Alá, ou o Mestre Yoda, ou até mesmo extraterrestres ou qualquer outro tipo de inteligência.

Vale a pena perguntar: Por que certos críticos do Design Inteligente evitam debater sobre as evidências, e parecem estar mais preocupados com as potenciais implicações filosóficas (ou até teológicas) do DI?

Materialismo

Pode haver certa resistência a algumas das evidências positivas do Design Inteligente. Boa parte dessa resistência é feita por críticos que aceitam a posição filosófica do materialismo.

Materialismo é a posição filosófica que acredita que o mundo material é a única realidade que existe.

De acordo com essa filosofia, o universo e a vida biológica são resultado de eventos e processos físicos cegos e sem propósito. Não há nenhum design inteligente e nem um designer. No materialismo, em última instância, nada teria propósito.

Há duas concepções relacionadas ao materialismo que também são de grande importância conhecê-las, por estarem sendo usadas com frequência no debate científico do Design Inteligente. A primeira delas é o naturalismo filosófico.

Naturalismo filosófico é, em essência, é uma posição filosófica semelhante à do materialismo, que acredita que o mundo material é a única realidade que existe.

A outra é a do naturalismo metodológico.

Naturalismo metodológico é posição filosófica que acredita que, ao fazer ciência, deve-se supor que o mundo material seja o único que existe, indiferentemente se isso é verdade ou não.

Quanto às afirmações científicas sobre as origens do universo e da vida biológica, o materialismo e as suas variantes citadas acima acabam sendo idênticas. Veja no quadro abaixo como se diferenciam os posicionamentos em relação a certas questões que aparecem com frequência.

  Evidências científicas de design na natureza? Deus?
Criacionismo SIM Deus criou todas as coisas.
Naturalismo filosófico NÃO Não existe.
Naturalismo metodológico NÃO Não importa se existe ou não.
Design Inteligente SIM Identificar a causa inteligente requer investigação fora do escopo científico.

Para que o materialismo possa ser considerado factível, é necessário que suas principais afirmações sejam verdadeiras. Pode-se resumir essas afirmações em sete pontos:

7 PONTOS DO MATERIALISMO

  1. A origem do universo se deu a partir do nada por acaso; ou, ele sempre existiu, não possuindo causa, sendo infinitamente antigo.
  2. As leis da física e as constantes do universo foram resultado de processos sem propósito ou sem controle, pelo acaso.
  3. A vida biológica se originou a partir de materiais inorgânicos através de processos cegos, sem propósito ou sem controle.
  4. A informação biológica surgiu através de processos cegos, sem propósito ou sem controle.
  5. As complexas máquinas moleculares da vida biológica e as novas características genéticas foram desenvolvidas com o tempo através de processos cegos, sem propósito ou sem controle.
  6. Todas as espécies de seres vivos evoluíram através de seleção natural não guiada ou não controlada, atuando por meio de mutações genéticas aleatórias.
  7. Todos os seres vivos possuem ancestralidade comum universal.

A importância que se dá ao debate sobre o materialismo é justificada pelo fato de que essa posição filosófica acaba restringindo o questionamento científico. O motor do progresso científico é o questionamento, e em razão das restrições impostas arbitrariamente sobre a ciência, esse progresso corre sérios riscos de cessar. A proibição de quaisquer referências a causas inteligentes é uma dessas restrições arbitrárias sobre a ciência, e esse fator é explicado hoje como sendo resultado direto de décadas e décadas de influência do materialismo nas universidades. A consequência visível dessa influência é o controle quase total da educação pública, dos meios de comunicação e dos tribunais de justiça. Um importante biólogo, materialista, exemplifica bem essa situação no seu posicionamento, trazido por uma das mais importantes revistas de ciência do mundo, a Nature:

“Mesmo que todos os dados apontem para um designer inteligente, essa hipótese fica excluída da ciência por ela não ser naturalista.”

O Design Inteligente procura remover essas restrições arbitrárias não apenas por elas bloquearem o avanço da ciência, mas também por ameaçarem a busca pela verdade. Em momento oportuno, faremos também uma discussão sobre os avanços científicos promovidos pelo DI.

Finalizando…

As propostas do DI desafiam o materialismo nos seguintes pontos:

  • Causas inteligentes podem ser estudadas pela ciência.
  • Diversas linhas de pesquisa científica demonstram que vários aspectos da natureza são melhor explicados como tendo uma causa inteligente.

Apesar da enorme influência do materialismo, tem crescido o número de cientistas, professores e legisladores que questionam seriamente sobre a validade desse materialismo e sua influência sobre a educação e a pesquisa científica.

No Brasil, existem ainda poucos sites que divulgam o Design Inteligente. Entre eles, estão: TDI Brasil – Sociedade Brasileira do Design Inteligente (site em construção), o site do Discovery-Mackenzie (também em construção), e o TDI Brasil + (com textos e publicações de excelente qualidade).


Bibliografia

Gary Kemper, Hallie Kemper e Casey Luskin. Discovering Intelligent Design: A Journey into the Scientific Evidence. Discovery Institute Press, 2013, pp. 15-24.

Site do livro Discovering Intelligent Design, discoveringid.org.

Stephen Meyer. The origin of biological information and the higher taxonomic categories. Proceedings of the Biological Society of Washington, 117 (2004), pp-213-239.

Scott C Todd. A view from Kansas on that evolution debate. Nature, 401 (1999), p. 423.

William Dembski. No Free Lunch: Why Specified Complexity Cannot Be Purchased without Intelligence. Rowman & Littlefield, 2002.


Saulo Reis
Saulo Reis

Diretor do Acrópole da Fé Cristã e mestrando em Matemática pela Unifesp. Engenheiro de Computação por profissão; professor de Matemática por paixão; Teólogo por amor a Deus.

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