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Gostaria que você se lembrasse da última vez em que esteve na Igreja e avalie qual foi o seu nível de compreensão das palavras ditas pelo pastor, como estava o som da igreja. Agora, pense sobre o quanto você conseguiu entender das letras cantadas ou se só cantou porque já conhecia os cânticos. Venha e reflita comigo neste artigo sobre a forma como estamos cuidando da qualidade da mensagem pregada ou cantada em nossas Igrejas. 

A Inteligibilidade do som da igreja

“Assim também vocês, se com a língua não disserem palavra compreensível, como se entenderá o que é dito? Porque vocês estarão como que falando ao vento. Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo, e nenhuma delas é sem sentido. Mas, se eu não entender o significado da voz, serei estrangeiro para aquele que fala, e ele será estrangeiro para mim.” 1 Co 14:9-11 (NAA)

Neste texto Paulo está falando aos Coríntios sobre Inteligibilidade, que é a capacidade de se perceber e compreender as palavras, ou seja, quão bem nós ouvimos e interpretamos o que está sendo dito e, assim, podemos absorver a mensagem.

São muitos fatores que interferem na inteligibilidade no local de culto. Tudo começa com a dicção dos oradores e com a composição dos arranjos musicais, passa pelo nível de qualidade dos equipamentos do sistema de sonorização e também é moldado pelo tipo de resposta acústica do local e é por aí que trabalharemos neste artigo.

Todos Tocam Tudo o Tempo Todo não dá certo

Arranjo musical é a forma que uma composição musical será executada por um grupo de vozes ou instrumentos musicais. Utilizando técnicas de rítmica, harmonia e contraponto a equipe de cânticos reorganiza a estrutura da música de acordo com os instrumentos disponíveis e da habilidade dos músicos. A função principal do arranjo é valorizar a mensagem musical através do uso criativo de diferentes instrumentos executando diferentes partes.

Um arranjo inteligente precisa considerar muitas nuances musicais mas o início de tudo se dá na eliminação do arranjo mais difundido nas Igrejas, o Arranjo 5T: Todos Tocam Tudo o Tempo Todo. O principal problema que isso causa é o mascaramento.

Mascaramento é um efeito auditivo que ocorre quando dois sons, em regiões de frequências muito próximas são tocados juntos, nosso cérebro interpreta apenas o que está mais alto. Percebemos esse efeito muito bem quando ouvimos o comentário: “quando aumenta o teclado o violão some!”. Isto é muito comum quando todos da banda “tocam tudo o tempo todo”. O problema é mais recorrente nas freqüências do médio-graves, o que torna muito difícil ouvir os que têm volume menor. 

Para se criar um bom arranjo é necessário que o músico tenha um grande conhecimento musical, para isso o estudo e o desenvolvimento técnico devem ser constantes. Harmonia, instrumentação, ritmos, formas, estilos e outros elementos musicais fazem parte da gama de conhecimentos usados para a definição de estrofes, refrões e pontes, determinar quantidade de repetições, criar introdução, interlúdio e finalização para as músicas.

É muito importante que instrumentos com a mesma região de frequências não toquem juntos no mesmo momento da música. Se atente também em não poluir a música com dois instrumentos distintos executando frases diferentes simultaneamente. Lembre-se sempre de que a quantidade de instrumentos ou cantores não significa qualidade.

Ajuste a sonorização

Não adianta muito o arranjo ser de qualidade se o projeto de sonorização de sua Igreja estiver mau elaborado. Quando falamos de sonorização falamos dos equipamentos instalados, ou seja, o sistema de som em si que abrange as caixas acústicas, os microfones, todos os cabeamentos, a mesa de som e qualquer outro equipamento que esteja inserido no meio desse caminho.

Sonorização é o reforço de som no qual se amplifica o som de instrumentos acústicos ou elétricos para que um evento possa ser assistido e compreendido por um grupo de pessoas onde, se o evento ocorresse apenas de forma não amplificada, não seria possível entender o seu conteúdo.

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Infelizmente com áudio a qualidade sonora está diretamente proporcional ao investimento realizado. Hoje em dia temos equipamentos muito tecnológicos que entregam áudio de alta qualidade, com precisão em sua distribuição e recursos técnicos que nenhum equipamento de baixo custo consegue se aproximar.

É claro que nem toda Igreja precisa ou consegue ter os equipamentos de primeira linha disponíveis no mercado mas, com certeza, toda Igreja que utiliza sistemas de som deve procurar uma distribuição uniforme das caixas acústicas, ter um sistema bem dimensionados e corretamente alinhado para que todas as pessoas que entrarem no templo tenham a mais alta taxa de inteligibilidade da Palavra cantada e pregada.

Como atingir bons resultados no som da igreja

Para que bons resultados sejam alcançados, é fundamental que as especificações técnicas de um projeto de sonorização sejam determinadas por um profissional. Ele deve levar em consideração uma série de fatores que, se corretamente combinados, vão proporcionar a melhor resposta sonora em um espaço físico.

Não menos importante do que o projeto de sonorização bem executado, os operadores de som das Igrejas precisam estar bem capacitados técnica e teoricamente para poder tirar melhor proveito de todas as ferramentas disponíveis. Não adianta termos uma Ferrari em nossas mãos se nem habilitação nós temos porque, naturalmente, acidentes acontecerão.

Além de termos habilitação para dirigir nossa Ferrari, precisamos também ter uma estrada que nos permita rodar com qualidade, desempenhando toda a potência disponível sem prejuízos mecânicos para o nosso carro. A estrada do som é o ar e a qualidade acústica do local representa quanto de asfalto ou de buracos nós temos a percorrer.

Já escutei por diversas vezes a expressão muito equivocada: “minha Igreja não tem acústica”. Acústica é o ramo da física que trata dos sons e seus fenômenos. É a forma com a qual o som reage em um determinado espaço, ou seja, todo local possui uma acústica mas nem sempre essa acústica possui características adequadas para a finalidade desejada.

Um ambiente acusticamente propício para uma orquestra possui muita reverberação com graves ressonantes. Já um ambiente projetado para funcionar como um estúdio de gravação possui tempos de reverberação muito curtos e controlados, sempre buscando neutralizar quaisquer tipos de ressonâncias. A acústica de um ambiente pode ser perfeita para um tipo de aplicação e péssima para outros.

Para se ter a acústica adequada em cada aplicação é necessário primeiro definir o tipo de utilização do espaço que será priorizada (coral, discurso, banda de rock, banda de bossa nova, canto gregoriano, cinema, gravação, etc) e então estabelecer os índices técnicos de medição que serão levados em conta para o projeto de tratamento acústico e, através do correto posicionamento das fontes sonoras, realizando a instalação de anteparos que causam difração, reflexão ou absorção, o público presente receberá o conteúdo de forma clara e inteligível, com nível de pressão sonora coerente por todo o espaço. 

Sistema de som é um assunto importante!

Sistema de som de Igreja nunca é tratado como prioridade quando, na verdade, este deveria ser assunto prioritário entre as lideranças. A qualidade sonora do local de culto é o que determina se o que é pregado também é fielmente compreendido ou se as palavras serão desperdiçadas e jogadas ao vento, como citou Paulo.

Sistema de som e projetos acústicos não são custos mas, sim, investimentos. São essas as principais ferramentas de trabalho para um culto nos dias atuais acontecer. Planejamento e estabelecimento de prioridades é o que permitirá com que a Igreja obtenha os recursos necessários para as ações necessárias. Estes projetos podem ser programados para execução em fases, o que dilui os gastos e facilita as condições de pagamento.

Deixo aqui o meu incentivo às Igrejas a pensarem na qualidade sonora de seus cultos. Capacitação das equipes de música e de som, projetos de sonorização profissionais e tratamentos acústicos adequados nas Igrejas permitirão com que a mensagem pregada seja realmente eficaz na proclamação do Evangelho.


Cadu Aranha
Cadu Aranha

Cadu Aranha é natural de Campinas/SP, casado, pai de 2 filhos. Pós-graduado em Fotografia e Audiovisual, formado em Produção Musical. Técnico de áudio com experiências em grandes shows e eventos trabalhando no SESC/SP entre 2010 e 2013, sob o DRT nº 4138/SP e membro associado da AES. É responsável por equipes de som e de transmissão ao vivo em Igrejas de São Paulo desde 2013. Ministra cursos e treinamentos de sonorização pelo Brasil desde 2015. Proprietário da OitoSet, uma produtora cultural que desenvolve eventos e projetos audiovisuais para Igrejas, bandas e empresas. Fundador da Audio Web Academy, uma EduTech 4.0 com ênfase em sonorização.

    1 Response to "Como melhorar o som da igreja"

    • Avatar Marta

      Ótimo artigo! Deus o abençoe e fortaleça em seu trabalho, de maneira q produza muitos e bons frutos!!!
      Vejo sempre a dedicação e esmero dos irmãos na execução dos cânticos, buscando aplicar técnicas ou arranjos, tocar mais rápido ou animado, mas, na maioria das vezes, tenho sempre a impressão de ser uma apresentação musical, qndo deveria ser a condução da igreja a louvar… Digo em relação ao momento de culto, qndo é preciso q a igreja ouça, compreenda e seja capaz de acompanhar a ministração.
      Ser capaz de analisar a situação, o ambiente e o momento, e assim escolher a melhor forma de execução, é um desafio… E por vezes exigirá a humildade de optar pelo simples, singelo… Um grande desafio, de conhecer mais, aprender e aprimorar, deixando porém q o Santo Espírito do Senhor traga discernimento qnto ao q fazer ou, até mesmo, o que deixar de fazer.

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