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Esta obra de Abraham Kuyper, visa explicar o trabalho da terceira pessoa da Trindade, o Espírito Santo, tendo por objetivo o esclarecimento da devida honra a Ele, conforme o ensino das Sagradas Escrituras. Ou seja, a instrução sobre o assunto faz o leitor compreender a mais profunda direção divina e sua aproximação íntima

Experiências pessoais, hinos e cânticos espirituais, confissões, martírios, e perseguições não dizem tudo sobre a obra real do Espírito Santo. Devemos compreender de forma saudável as experiências pessoais e dar o valor correto aos testemunhos. A Obra dEle, não é tão exposta ou bem definida nas mentes, pelo fato de ser diferente de Cristo, por exemplo, que veio em carne, cumpriu a Palavra, e foi revelado completamente. E isso também gera a falta de estudo sobre o Espírito por parte da Igreja.

 Existem dois pontos de vista em relação à essa Obra:

  1. A ação do Espírito se estende à santificação dos redimidos, ou seja, sua ação é subordinada.
  2. A ação do Espírito iniciou-se desde a criação, continua, e perpetuará até a eternidade.

Essa última sendo a resposta mais completa e efetiva sobre a verdadeira obra do Espírito, pois, caso limitasse aos eleitos e sua santificação, Ele estaria outrora inativo.

Essa ação é interna e externa. A externa se iniciou na criação dos céus e da Terra, que marca o início do tempo, pois outrora Deus trabalhava dentro de si mesmo; a interna começa debaixo da externa, ou seja, é oculta por ser eterna, encontrar-se dentro dEle. Ambas, não são dicotômicas, embora distintas, pois Deus pensa, sente e deseja como ações indivisíveis. Por isso, compreender a função de cada pessoa da Trindade é importante para a ciência da economia divina e suas ações externas e internas.

A obra do Espírito Santo é distinta e devemos entender a essência dela, de forma não puramente intelectual, mas na prática das suas operações. E para compreender, precisamos definir as funções do Deus trino: o Pai cria (origem), o Filho organiza (conteúdo/ consistência) e o Espírito aperfeiçoa (destino).

Capítulo II – Criação

Levar a criação ao seu destino é a função do Espírito santo no qual Ele desempenhou e permanece desempenhando, que é a glória de Deus, mesmo que esta varie de intensidade e maneira. Esse propósito será cumprido quando todos os eleitos contemplarem a Deus face a face e conhecerem a íntima felicidade com Deus em sua comunhão, que ocorre através do Espírito, de forma que Ele age nas esferas invisíveis e ocultas a nós.

Essa obra, está intimamente ligada ao Pai e ao Filho, e embora haja a ligação direta no Antigo Testamento, do Espírito com o Pai em expressões como “Espírito do Senhor”, “Espírito de sua boca”, “seu Espírito”, a Igreja entende que está ligado à pessoa do Espírito santo em essência. Entende-se que há uma consciência na Trindade, apesar de haver três mentes.

A tarefa específica do Espírito começou depois da criação, inclusive e especialmente na criação do homem, isso evidencia também o fato que há a distribuição de funções dentro da Trindade desde o início. O Espírito possui a função notável de tocar e entrar no interior humano, distintamente das outras duas pessoas da Trindade, Ele trabalhará a natureza humana em si mesma, para sempre. Na criação, essa natureza, foi feita à imagem e semelhança de Deus, sendo imediata e caracterizada pela obra distinta das três pessoas. Assim como os dons e talentos são resultados da graça, por meio do Espírito Santo e seu agir, mesmo através de artes mecânicas e funções oficiais, que demandam vocação e talento pessoal, estes originam-se no Pai, são dispostos na natureza através do Filho e recebem vigor pelo Espírito Santo.

Capítulo III – Recriação

O conceito deste capítulo é: O pai permanece fora da criatura, o Filho a toca externamente e o Espírito internamente. E esse tocar, não se limita apenas a questão da regeneração, embora, as Três pessoas fizeram tudo, um por meio da outra. A falta de consistência na compreensão sobre a Obra da Terceira Pessoa, a saber, Ele toca toda criatura para cumprir suas operações e faz a manutenção de dons e talentos com referência à salvação; este é o seu trabalho na recriação, ou seja, vivificar.

Essa recriação ocorre por meio da graça, até porque Ele não trabalha com coisas inerentemente novas, mas trabalha na natureza já degradada. E apesar disso, essa graça não apenas recria a partir do velho, mas redime e justifica quem outrora, era chamado de ímpio. Esse estado novo, compara-se ao Cristo ressurreto e não a Adão antes da queda.

A recriação possui duas partes:

  1. Remoção da corrupção, cura da separação, morte para o pecado e expiação pela culpa.
  2. Mudança de estado completo a partir da reversão do primeiro estado, produção de uma nova ordem.

Isso confirma, que o regenerado é diferente de Adão, pois este se dá pela aliança em Cristo, que completou a boa obra, para que pudéssemos através dele já tê-lo alcançado. A recriação, nos eleva ao já terminado, eterno, completo, para levar a Terra graça, bênçãos e salvação. Entretanto, é necessário distinguir a obra do Espírito na recriação, antes do nascimento de Cristo: preparação da redenção para toda a Igreja e a regeneração e santificação dos santos vivos. E mesmo dentro da Antiga Aliança, Ele preservou os eleitos, dentro de uma cultura pagã, até nascer Cristo, e a nova aliança se estabelecer para chegar aos gentios também.

Capítulo IV – As Sagradas escrituras do Antigo Testamento

As Escrituras são parte da obra do Espírito Santo, ela é reflexo da vida divina. Pensamento e vida não são separados para Deus, diferentemente de nós, que não possuímos essa união estabelecida. E isto prova que as Escrituras é tão divina e singular, pois ela não segue o padrão humano; cooperando como o instrumento do Espírito no coração humano e equipando-o para toda a boa obra.

A Bíblia não é um apetrecho, mas é uma necessidade, para clarear a mente obscura do ser humano afetado pelo pecado, nos faz conhecer os pensamentos de Deus que são veículo da vida de Deus. E isso, mostra o quão orgânico e não mecânico é em seu poder. Seu estudo deve sempre ser direcionado para a glória de Deus, para não tornar o leitor um irreverente que torna o seu próprio esforço num trabalho pecaminoso e culpável.

As Escrituras do Antigo Testamento, iniciam-se com um casal, depois uma família e depois uma nação inteira. Antes da manifestação dos milagres visíveis, o Espírito Santo, realiza um milagre no interior de cada homem, através da fé. O milagre por si só não convence, o incrédulo pode facilmente negá-lo, atribuindo-lhe causas naturais para a efetividade e convencimento de um milagre, o Espírito precisa trabalhar primeiro no coração das pessoas, para que elas experimentem o seu poder e glorifiquem a Deus. No Antigo Testamento, Deus se comunicava através dos profetas principalmente, eles eram responsáveis de receber a mensagem de Deus e transmiti-la ao povo e essas mensagens não são avulsas, são interligadas e, quando juntas, constituem um todo.  Quando Deus usa alguém, ele se comunica de forma audível interessado em dar uma mensagem inteligível ao receptor, sua mensagem é eterna e possui o poder de adentrar na consciência humana por intermédio do Espírito Santo. A profecia bíblica não servia apenas para as pessoas da época, mas produz frutos em todos os tempos para a Igreja.

As Escrituras, por excelência, possuem em sua construção a operação do Espírito Santo, elas são inspiradas por Deus, ou seja, o Espírito dirigiu o homem a escrevê-la em sua singularidade e assim, concebeu à Igreja, uma Escritura infalível e completa. Além disso, possui garantia de autoridade divinamente absoluta, todavia, foi construída a deixar espaços para exercício da fé, ou seja, possui a intenção de serem aprovadas por meio de julgamento crítico sob esse fundamento.

Capítulo V – A encarnação da Palavra

O preparo do corpo de Cristo, se deu pela obra do Espírito Santo. É incorreto afirmar que ele é o pai de Cristo, ou que ele tenha criado seu corpo, mas ele o preparou, assim como o Pai e o Filho também cooperaram para isso, como uma obra conjunta. Cristo não pode ser considerado uma nova criatura, e sim o divino filho de Deus fez-se homem, carne e osso, vestiu-se de natureza humana, abrindo mão de toda sua glória, ele sentiu as nossas dores, paixões e aspirações, todavia sua natureza divina fluía naturalmente, conduzindo-o perfeitamente a vontade do Pai. Sem mancha, pecado, e perfeito em santidade, preparado pelo Espírito.

A participação de Cristo pela nossa natureza, não o torna participante do nosso pecado e culpa. Em virtude da nossa concepção de que fomos gerados no pecado, na epístola aos hebreus, Paulo esclarece que Cristo nasceu puro e santo, separado dos pecadores, feito mais alto que os céus. Jesus, sofreu tentações, porém não pecou nenhuma vez sequer. Enfatiza-se a questão da culpa herdada, ou seja, permanecemos em pecado por culpa herdada de Adão, participamos do seu pecado, consequentemente, nascemos corrompidos. Jesus não nasceu passivamente, mas tomou para si a natureza humana, vemos isso na genealogia, que começa em Abraão, ou seja, não foi segundo a carne; Ele não herdou a corrupção e culpa da natureza adâmica, por conta disso, Ele é o nosso mediador voluntário e vicário.

Entretanto, é preciso entender o que é o pecado, ele não é um conteúdo material presente em nosso sangue e carne, mas na perda de justiça original e estado de corrupção, ou seja, desarranjo anormal das partes e poderes da alma; desviados de Deus, voltados para o próprio ego. Cristo, então, manteve-se conservado e o Espírito o capacitou na natureza enfraquecida, para uma natureza gloriosa.

Capítulo VI – O Mediador

A encarnação foi apenas o princípio da ação do Espírito, em Cristo. Ele atuou no seu desenvolvimento humano, na consagração de seu ofício, na sua humilhação vicária, na sua ressurreição e exaltação e retorno em glória. Não há detalhes sobre seu desenvolvimento infantil e juvenil, entretanto sabemos que o Espírito o desenvolveu, dotando-o de dons, talentos, poderes e dádivas; a influência do Espírito em seu crescimento o afastando do pecado e o conduzindo em todas as coisas. 

Toda a obra de Jesus foi conduzida pelo Espírito, inclusive seu ofício, desde a época dos testemunhos dos profetas. O batismo foi o meio pelo qual oficializou-se o ofício de Jesus, no qual ele foi consagrado ao seu devido ministério.

A comunicação do Espírito à natureza de Jesus e a nossa, podem ser enumeradas em três:

  1. O mau que existe em nosso coração resiste ao Espírito, porém, o coração de Jesus não tinha pecado ou injustiça, por isso o fluir do Espírito Santo em sua vida era de maneira natural;
  2. Os suportes que recebemos são sempre individuais e em parte imperfeitos, enquanto que em Cristo não deixam nenhum vazio, por serem perfeitos;
  3. O nosso ego e natureza opõe-se a Deus, porém, a pessoa de Cristo não resiste, por ser santo, coopera com a ação do Espírito Santo.

A natureza humana é limitada, apesar de ser criação divina, o Espírito que é responsável por seu desenvolvimento, a parti do Filho que aplica a redenção. A comunhão entre Espírito e Filho era tão grande que sua obediência e entrega foram voluntárias; suas dores e sua morte de humilhação foram fruto de um coração preparado pelo Espírito.

Capítulo VII – O Derramamento do Espírito Santo

Esse episódio sobre o Pentecostes exige uma atenção, pois há muitas profecias sobre o assunto no Antigo Testamento, e a partir dele vemos as ações do Espírito de forma clara, nos profetas, por exemplo. O Espírito é responsável pelo convencimento do pecado por meio da morte de Cristo para que após a sua ressurreição, viesse o Consolador, para cumprimento dessas profecias do Antigo Testamento. E como Jesus havia prometido, o derramamento ocorre na passagem de Atos 2, no qual a Igreja recebe o Consolador.

Diferentemente do Antigo Testamento, o Espírito Santo age no grupo de homens unidos de forma orgânica em Cristo por cabeça, sendo estes, seu corpo; no Antigo Testamento o espírito se restringia a agir por um grupo racial, uma nação, unidos por etnia e não por Cristo. A ação do Espírito se dá por duas formas:

  1. Visível: externa, por meio dos dons e funções;
  2. Invisível: interna, deriva de uma regeneração, não necessariamente implica no derramamento de dons.

O Espírito é onipresente, ou seja, sua presença está em todos os lugares concedendo dons temporários, ou permanentes para a salvação.

A descida do Espírito Santo é um grande mistério a Igreja, afirma o momento que os discípulos são capacitados para a sua missão e isso difere do seu aparecimento no Antigo Testamento no qual, cada pessoa vivia espiritualmente isolada no N.T com o derramamento do Espírito Santo, todos começam a ter união, provando das bênçãos de Deus como um corpo.

O corpo de Israel é revigorado, porém, outras aparições são registradas na bíblia, neste caso aos gentios, com isso mostra-se que todo o corpo de Cristo estava sendo revigorado, então orar por novos derramamentos do Espírito Santo seria uma grande heresia, pois isso seria negar o que ocorreu no dia de Pentecostes, porque o Espírito já habita entre nós e os novos convertidos já são participantes desta benção.

Os sinais do dia do Pentecostes, não é apenas simbologia, mas cumpre a profecia para a Igreja, outrora em Joel, interpretada por Pedro. Toda aparição de Deus traz grandes acontecimentos no Antigo Testamento, assim como no Novo.

O milagre das línguas como dons espirituais, tanto as inteligíveis e as ininteligíveis, apresenta uma manifestação do Espírito Santo e foi um marco da ação explosiva de Deus no derramamento do Espírito.  

Capítulo VIII – Apostolado               

 O apostolado se deu pelos homens que foram separados por Cristo para pregarem o Evangelho, o que foi inédito nas Escrituras. Eles exerciam o ministério dependentes do Espírito Santo, chamados de santos por terem sido santificados e separados por Jesus, testemunhas oculares da vida, morte, ressurreição e ascensão de Cristo, podendo assim, serem chamados apóstolos.

Os documentos por eles disponibilizados, ou seja, o cânon, é necessário para vida da Igreja em comunidade, seja ela a curto prazo, para as Igrejas plantadas na época, ou permanente, para as Igrejas de todos os tempos. Esse legado é inapagável, pois foi dirigido e inspirado pelo Espírito Santo, através de cartas, testemunhos e doutrinas. Essas cartas ensinavam as doutrinas cristãs que gerou a teoria Ética e a teoria Reformada. De acordo com a primeira, a encarnação cria um novo tipo de indivíduo, e por isso os apóstolos eram certamente elevados dos demais, pois presenciaram a perfeita e total obra que Cristo lhes tinha proporcionado. Entretanto, a teoria reformada afirma que, a inspiração concedida a eles, foi conduzida pelo Espírito Santo, afim de redigir as Sagradas Escrituras, diferente dos Escritos do Antigos Testamento que dão impressão de inspiração independente da vida pessoal e espiritual, enquanto no Novo Testamento dá-nos a ideia de algo vindo do interior.

Não existe base bíblica para a afirmação da continuidade apostólica como afirmam algumas correntes cristãs. Os primeiros apóstolos foram selecionados por Jesus, num chamado pessoal, atualmente, esse chamado se dá pelo Espírito Santo.

Capítulo IX – As Sagradas Escrituras do Novo Testamento

O Novo Testamento, é uma mudança na vida religiosa da época, através da obra de Cristo com o esclarecimento do Espírito Santo, para a vivência da verdade na Igreja, Deus usou os apóstolos para revelar o que outrora encontrava-se em oculto, e dar luz aos seus filhos, de forma a trazer fé na prática; através dos parâmetros antigos já revelados por Jesus e João Batista. Todas as barreiras culturais, étnicas e geográficas foram rompidas em Cristo, no ensino de seu Evangelho, sua proporção já encontrava-se desmedida, e não podia se manter na tradição oral, foram, então, confeccionadas cartas para as Igrejas, mesmo que não houvesse ciência da sua canonicidade futura por parte dos escritores na época. Ou seja, a autenticidade não está propriamente no escritor, mas no Espírito Santo que é a própria autoridade sobre o escrito.

As Escrituras contêm as verdades de Deus, não apenas fatos históricos, esses escritos dialogam entre si de forma harmônica, e o próprio Espírito dá aos seus o entendimento sobre estes.

Capítulo X – a Igreja de Cristo

Através do Novo Testamento se tornou universal, desprendida de distinções étnicas, raciais, geográficas ou qualquer outro aspecto semelhante, apenas o Espírito Santo era o condutor da santificação e operante no coração humano, mostrando-lhe a necessidade de redenção; todos pecaram, e essa é a premissa para compreender que a Igreja de Deus, vai além de fatores visíveis.

A dádiva priori da eleição é a salvação, recebida por meio da graça que é um dom de Deus, a segunda são dons espirituais para a glória de Deus, e cumprimento da função da Igreja no mundo e seu propósito; dado através, novamente, pelo Espírito que capacita e santifica para tais fins.

Há uma função específica de todos os cristãos que é a pregação da palavra para que venham crer, e por meio da fé, serem alcançados pela graça. Essa fé, está além a capacidade humana, ela é disposta pelo Espírito, que trabalha no coração humano. Ou seja, é o autor dando a interpretação de seu próprio texto ao leitor, dando-lhe compreensão, o Espírito ensina e leva a crer e viver as verdades espirituais. 

O governo da Igreja Apostólica era uma instituição criada por Deus, santificada e conduzida por Ele. As Escrituras nos afirmam que somos rebanho, corpo de Cristo, e Ele o cabeça, pelo qual vivemos; essa Igreja é amada por Cristo, governada por Ele.

As Escrituras ensinam dois sacramentos para exposição de fidelidade da Igreja: Batismo e Ceia do Senhor, ambas instituídas por Cristo. E essa Igreja deve prosseguir exortando em amor, submissa a Cristo e guiada pelo Espírito Santo.

Considerações finais

No primeiro volume de “A Obra do Espírito Santo”, Kuyper delineou a trajetória e ação do Espírito desde a criação até a formação da Igreja de Cristo, passando pela recriação, pelas Escrituras, Cristo e os apóstolos. Essa linha geral foi exposta necessariamente, para que a compreensão sobre a terceira pessoa da Trindade fosse mais profunda e pessoal.

O Espírito Santo possui função vital, mesmo sendo incompreensível e misterioso. É raro vermos pregações sobre sua obra e ação, quando ela não é completamente revelada e visível como a de Cristo por exemplo, apesar de sua obra se estender desde o invisível ao visível. Sua função peculiar, é aperfeiçoar aquilo que foi criado pelo pai e organizado pelo Filho; Ele é o condutor do aperfeiçoamento dos eleitos de Deus, visando a sua glória na felicidade da comunhão dos filhos com o Deus Triúno; na condenação dos ímpios “a quem o Senhor Jesus matará com os sopro de sua boca” (II Ts 2.8) e Ele é que, em conexão com a criação original pelos meios de graça, regenera-nos e santifica-nos como filhos de Deus.

É importante ressaltar as diferentes formas pelo qual as Escrituras tratam o Espírito, há a distinção entre as pessoas da Trindade e suas funções, entretanto elas possuem a mesma mente; o Espírito vivifica aquilo que já foi criado outrora pelo Pai, estava presente desde o início e dirigiu tudo o que estava por vir. Há também uma peculiaridade em sua obra, ele age no interior do homem, diferentemente do Pai, que age externamente e do Filho que age superficialmente, no homem. Essa ação interior, envolve o desenvolvimento de dons e talentos pelo qual é resultado da graça ao homem.

Sua ação é orgânica, não mecânica. Seu toque é pessoal, individual e diário na natureza permanente na criação e na recriação, e essa conduz ao que é eterno, terminado, completo, traz o eterno ao temporal.

Em questão, das Sagradas Escrituras, ela demonstra a unidade entre pensamento e vida na ação de Deus, diferentemente de nós, que levados pela falsidade, na raiz de pecado, diferenciamos ambas, ação e pensamento. Através das Escrituras, o Espírito age no coração humano e o qualifica para a boa obra. Daí então, obtemos poder e podemos glorificar a Deus pelos seus feitos, Ele fala no pensamento do homem, executa seu propósito nele e então molda sua consciência. Chegamos, então, à conclusão de que o Espírito fala através das Escrituras, e além disso, Ele mesmo as inspirou e selou sobre elas a sua autoridade, para podermos vivê-las e compreendê-las.

Cristo também foi preparado pelo Espírito, antes de seu nascimento, desde a profecia do Antigo Testamento, até sua morte, ressurreição e ascensão. Seu nascimento, vida e consagração também foram dirigidos pelo Espírito Santo, sendo assim, capacitado por Ele em todas as coisas.

Depois da ascensão de Jesus, o Espírito foi derramado no Pentecostes, como predito em Joel, para que se cumprisse a profecia e, para que Igreja o recebesse de forma distinta, ele selou a união dos eleitos que outrora não havia, era necessário o seu derramar, para que a Igreja fosse reconhecida em Cristo como seu cabeça e ela seu corpo, novamente, uma ligação orgânica.  

Então foi expandido o Evangelho entre os judeus e gentios, através dos Apóstolos e evangelistas pela própria condução do Espírito Santo.

Os profetas foram inspirados antes do Pentecostes, e os apóstolos depois. Para que através deles, adquiríssemos o Novo Testamento, também por inspiração do Espírito Santo. O que completa as Escrituras, preparando a Igreja de Cristo até o porvir, na função de adorná-la e edificá-la, suprindo todas as suas necessidades, tendo por condutor o Espírito. E ela, por meio de dons dados pelo Espírito, age pregando as Escrituras, e a aplicando em vida, testemunhando direta e indiretamente da grande obra do Espírito Santo.


    2 replies to "A Obra do Espírito Santo, Abraham Kuyper (I)"

    • Davi Da Silva Santos

      Muito bom, ótimo post, muito edificante ainda não li esse livro tenho ele mas ainda não o li, o Espírito Santo é a pessoa da trindade que mais gosto de ler e aprender.

    • […] com Deus, mesmo que comece com pouco tempo e com dificuldades, se esforce, peça auxílio ao Espírito Santo para que a sua vida seja santificada (1Co 6.11; Hb 12.14; 1Pe 1.14-16). Tenha certeza que de que […]

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