Palavra Pastoral

A GLÓRIA DE DEUS, O SUPREMO PROPÓSITO DA VIDA

A GLÓRIA DE DEUS, O SUPREMO PROPÓSITO DA VIDA

Rev. Hernandes Dias Lopes

O fim principal de Deus é a promoção da sua própria glória e o nosso fim principal é glorificá-lo e gozá-lo para sempre. John Piper afirma que a felicidade de Deus em Deus é a base da nossa felicidade em Deus. Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele. Deus é inabalavelmente feliz. Sua felicidade é o prazer que tem em si mesmo. Antes da criação, regozijava-se na imagem da sua glória na pessoa do seu Filho. Depois a alegria de Deus “veio a público” na obra da criação e da redenção. Essas obras alegram o coração de Deus porque refletem sua glória.
Deus, e não os nossos interesses, deve ser o centro da nossa vida. Vivemos para ele e não para nós mesmos. Vivemos e morremos para ele. Somos dele: criados, sustentados, remidos, abençoados e galardoados por ele. Qualquer outro propósito na vida que não seja a glória de Deus está fora de foco. Comemos e bebemos para a glória de Deus. Trabalhamos e descansamos para a glória de Deus. Compramos e vendemos para a glória de Deus. Casamos ou permanecemos solteiros para a glória de Deus. Criamos filhos e os educamos para a glória de Deus. Ele se deleita em nós como o noivo se alegra com a sua noiva. Somos seus filhos e herdeiros; somos a herança de Deus, a menina dos seus olhos, a sua delícia. Como podemos glorificar a Deus?

1. Fazendo as coisas ordinárias da vida como um tributo de glória para Deus (1 Co 10:31) – Todas as coisas têm significado quando as fazemos por meio de Deus e para a glória de Deus. Comer, beber ou fazer qualquer outra coisa torna-se uma liturgia de glorificação a Deus. Não existe mais a dicotomia entre sagrado e profano. Tudo em nossa vida passa ser sagrado e cúltico. Fomos criados em Cristo Jesus para as boas obras. Somos a obra prima de Deus, a poesia de Deus, a delícia de Deus, em quem ele tem todo o seu prazer. Quando praticamos as boas obras para as quais fomos preparados, o nome de Deus é glorificado.

2. Oferecendo o nosso corpo como instrumento de glorificação a Deus (1 Co 6:20) – Ao sermos libertos da escravidão do pecado, os membros do nosso corpo deixam de ser instrumentos de iniquidade, para serem instrumentos de justiça. O nosso corpo em vez de ser um albergue do pecado, torna-se santuário do Espírito, habitação do Deus vivo. O nosso corpo não foi criado para a impureza, mas para a santidade. Fomos criados para a glória de Deus (Is 43:7) e devemos refletir a glória de Deus. É instrutivo o coro de T.M. Jones: “Que a beleza de Cristo se veja em mim/ Toda a sua admirável pureza e amor/ Oh, tu chama divina, todo o meu ser refina/ Até que a beleza de Cristo se veja em mim”.

3. Vivendo para abençoar outras pessoas a fim de que suas ações de graças redundem em glória ao nome de Deus (2 Co 4:15) – Deus é glorificado em nós quando expressamos a compaixão de Cristo pelas pessoas. Deus ama, socorre, consola e anima as pessoas através de nós. Somos o corpo de Cristo em ação na terra. Quando as pessoas tributam a Deus ações de graça pelo bem que lhes fazemos, isso traz glória ao nome de Deus. Fanny Crosby, cega desde as seis semanas de idade, produzia glória para Deus onde quer que fosse. Mesmo cega ela conhecia a sua Bíblia melhor do que a maioria das pessoas. Ainda jovem já sabia praticamente de cor o Pentateuco, e quase todo o Novo Testamento. Mesmo cega ela aprendeu a valorizar as belezas da criação de Deus e a expressar isso em suas poesias. Decorou os oito mil hinos que escreveu para a glória de Deus. Falou inúmeras vezes para grandes auditórios, tal a bênção que a sua presença transmitia. Aos 94 anos, a 11 de fevereiro de 1915, ela parecia estar bem de saúde, ditou uma carta e escreveu um novo poema, indo depois para a cama. Antes de amanhecer tinha ido para o céu. Qual o cristão que não deu glória a Deus ao cantar as canções escritas por Fanny Crosby? Quantos milhares de pessoas não entregaram suas vidas a Cristo ao ouvirem os hinos: “Manso e suave, Jesus está chamando”, “Mais perto quero estar meu Deus de Ti”. Milhares de vidas ficaram mais ricas porque a cega Fanny Crosby deu glória a Deus.

Notícias

ESTAMOS FAZENDO UMA GRANDE OBRA

ESTAMOS FAZENDO UMA GRANDE OBRA

Rev. Arival Dias Casimiro

“Enviei-lhes mensageiros a dizer: Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer; por que cessaria a obra, enquanto eu a deixasse e fosse ter convosco?” (Neemias 6.3)
Jim Elliot afirmou: “Não é nenhum tolo aquele que dá o que não pode guardar, a fim de ganhar o que não pode perder”. Certamente trabalhar na igreja com o objetivo de edificar uma igreja missionária é um privilégio ímpar. É a oportunidade de darmos ao Senhor aquilo que não podemos guardar, a nossa vida – tudo que somos e temos – para não perdemos o privilégio dos galardões eternos. O Senhor Jesus promete que não se esquecerá sequer de um copo de água fria dado em seu nome (Mt 10.42).
Creio que podemos afirmar como Neemias: “Estou fazendo uma grande obra”. A obra de Deus não se limita a empreendimentos materiais, mas na salvação de vidas. A grandeza da obra está nos seu aspecto eterno. O nosso grande alvo deve ser “obter para o Cordeiro que foi morto a recompensa do seu sofrimento”. (cf Is 53.11 e Ap 5.9). Para realizarmos esta grande obra precisamos de compromisso.

Primeiro, compromisso de santificação.
Sem santificação, jamais poderemos servir ao Senhor de modo agradável. Ele jamais usará um vaso sujo na Sua obra. “Assim pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificação e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra” (2Tm 2.21). A limpeza interior se processa por uma vida diária de comunhão, leitura bíblica e oração, acompanhada de um testemunho influente.

Segundo, compromisso de contribuição.
A contribuição cristã deve refletir o nosso amor pelo Senhor. A gratidão é a mais saudável de todas as emoções, por isso o apóstolo Paulo recomenda: “Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (Ts 5.18). Ofertar para a realização de uma grande obra é utilizar os valores desta vida para promover riquezas celestiais. Não importa o valor, pois Deus ama a quem dá, não aquilo que é dado. Assuma um compromisso mensal de contribuição.

Terceiro, compromisso de testemunho.
O compromisso de testemunho implica no envolvimento, preocupação com a obra, interesse na divulgação do projeto, o interesse de engajar outros e principalmente, a tarefa de ganhar outros para Jesus. O verdadeiro testemunho se reflete na produtividade espiritual.

Que Deus coloque no seu coração o desejo de compromisso de participar desta grande obra. Nada é impossível ao cristão sincero que, com fervor, procura servir a Deus. Grandes vitórias espirituais ocorrerão pelo poder do Espirito Santo. Todos os que desejam servir bem a Deus precisam acreditar nisto.

Palavra Pastoral

DEUS, SARA A NOSSA TERRA!

DEUS, SARA A NOSSA TERRA!

Rev. Hernandes Dias Lopes

O rei Salomão estava consagrando o templo de Jerusalém ao Senhor. Na festa de inauguração, a glória de Deus encheu o templo. O povo ao ver a gloriosa manifestação de Deus, prostrou-se e o adorou. Deus, então, apareceu a Salomão e fez-lhe uma promessa, dizendo que, em caso de crise e juízo sobre a nação, se o seu povo se voltasse para ele, então seus pecados seriam perdoados e sua terra seria curada (2Cr 7.14). Quatro verdades devem ser destacadas à luz do texto em tela.

1. Em tempos de crise, o povo de Deus deve se humilhar perante a face do Senhor. “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar…”. Na mesma medida que a obediência produz bênçãos, a desobediência atrai maldição. Quando a nação vira as costas para Deus, rejeitando sua lei, escarnecendo de sua palavra, entregando-se à toda sorte de aberrações morais, promovendo o mal e refreando o bem, o juízo divino torna-se inevitável. A humilhação ante a poderosa mão de Deus é o caminho da restauração. Enquanto o povo endurecer sua cerviz, sofrerá as consequências irremediáveis de sua desobediência. O juízo deve começar pela casa de Deus. Por isso, só uma igreja quebrantada pode chamar a nação ao arrependimento. Só quando a igreja se humilha é que Deus visita a terra com cura.

2. Em tempos de crise, o povo de Deus deve orar com fervor. “Se o meu povo, que se chama pelo nome […] orar, e me buscar…”. O pecado produz sofrimento para a nação, mas a oração abre o caminho da restauração. Quando a igreja se prostra para orar, Deus restaura a nação. Quando a igreja ora, o braço de Deus se move para restaurar o povo. A oração é a maior arma da igreja, pois Deus age por intermédio da oração. A oração é revolucionária, pois orar é conectar o altar ao trono, é unir a fraqueza humana à onipotência divina. Quando a igreja se prostra em oração diante de Deus para buscar sua face, o caminho da restauração e do avivamento é aberto.

3. Em tempos de crise, o povo de Deus deve abandonar seus maus caminhos. “Se o meu povo […] se converter dos seus maus caminhos…”. Os pecados do povo de Deus são mais graves do que os pecados das demais pessoas. Isso, porque, o povo de Deus peca contra um maior conhecimento. O povo de Deus denuncia o pecado em público e, não poucas vezes, o pratica em secreto. Quando um cristão cai, sua queda torna-se pedra de tropeço para os incrédulos. O caminho da restauração passa pela confissão e pelo abandono do pecado. Uma igreja mundana e secularizada é sal que perdeu o sabor. É luz debaixo do alqueire. Seu testemunho é ineficaz, sua voz é confusa e sua influência é pífia. O povo de Deus é convocado pelo próprio Deus a se converter de seus maus caminhos. Quando isso acontece, então sua cura brota sem detença e a nação toda é abençoada.

4. Em tempos de crise, quando o povo de Deus se volta para Deus, ele se volta para seu povo para sarar a nação. “… então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra”. O povo de Deus precisa passar pela porta do arrependimento para ser perdoado e curado. Nosso país está doente e caído pelos seus pecados. Desde o palácio às choupanas, desde o parlamento às cortes, desde a igreja às famílias, desde à indústria ao comércio, desde as salas das escolas às ruas, nossa nação tem multiplicado seus pecados contra Deus. O descalabro moral que feriu com golpes profundos nossa classe política e importantes setores da sociedade é consequência desse descaso com as coisas de Deus. A solução para o Brasil não está apenas nas decisões de nossas cortes nem apenas no escrutínio do voto popular. A solução para o Brasil está em Deus. Se nos voltarmos para Deus em arrependimento, ele se voltará para nós em graça e misericórdia!

Palavra Pastoral

O RELACIONAMENTO DA IGREJA COM DEUS

O RELACIONAMENTO DA IGREJA COM DEUS

Rev. Arival Dias Casimiro

George Barna afirma que relacionamento é o “produto” que a igreja tem para oferecer às pessoas: relacionamento com Deus (vertical) e relacionamento interpessoal ou das pessoas umas com as outras. Por isso, a igreja deve investir todos os seus esforços e recursos para oferecer o melhor relacionamento possível.
A vida comunitária na igreja, em suas diversas atividades, pode levar o crente a negligenciar o seu relacionamento pessoal com Deus. Isto não deve acontecer. Comunhão com Deus deve ser a prioridade do cristão. A qualidade de todos os outros relacionamentos depende de um bom relacionamento com Deus.
Paulo fala agora de quatro atitudes internas dos crentes ou quatro mandamentos que precisam ser praticados (1Ts 5.16-19) no seu relacionamento com Deus:

Regozijai-vos sempre.
A alegria é um mandamento bíblico e o resultado principal da nossa salvação (Fp 4.4). Ser salvo é ser invadido pela alegria de Deus. Por isso devemos adorar ao Senhor com alegria, trabalhar para o Senhor com alegria, viver alegre e contente em qualquer situação e proclamar as boas novas de grande alegria. A alegria do Senhor é a nossa força.

Orai sem cessar.
A oração é o meio que temos para vencer as nossas ansiedades e tristezas. Por isso, quem ora, é alegre. E para regozijarmos sempre precisamos orar incessantemente (Fp 4.6). Precisamos nos agarrar a Deus, em oração (Cl 4.2).

Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.
O cristão deve achar motivos para louvar e agradecer a Deus em todo tempo e em qualquer situação. A razão para isto é que tudo que acontece é a vontade de Deus para a sua vida. Não importa a situação, poderemos agradecer a Deus (Rm 8.28).

Não apagueis o Espírito.
A alegria, a oração e a gratidão são produzidas e alimentadas no coração do crente pela presença do Espirito, ou seja, anular ou impedir a sua ação. Apagar o Espírito significa frieza espiritual. A metáfora do fogo aplicada ao Espírito (Mt 3.11; At 2.3; Rm 12.11) simboliza poder, energia, pureza e fervor espiritual.
Observe as quatros atitudes básicas: regozijo, oração, gratidão e fervor espiritual. Podemos dizer quatro características de uma igreja autentica: É uma igreja feliz; é uma igreja que ora; é uma igreja agradecida; é uma igreja fervorosa no Espirito.

Palavra Pastoral

O QUE FAZER QUANDO NÃO SE SABE O QUE FAZER

O QUE FAZER QUANDO NÃO SE SABE O QUE FAZER

Rev. Hernandes Dias Lopes

O rei Josafá está encurralado por adversários medonhos e insolentes. Uma grande multidão, fortemente armada, estava pronta para atacar Jerusalém. Não dava tempo para reagir nem Josafá tinha recursos para resistir àquele aparato militar que pretendia varrer Jerusalém do mapa. Ao saber da tragédia, humanamente irremediável, Josafá teve medo e pôs-se a buscar o Senhor, convocando a nação para orar e jejuar. Em sua oração, o rei disse: “Ah! Nosso Deus, acaso, não executarás tu o teu julgamento contra eles? Porque em nós não há força para resistirmos a essa grande multidão que vem contra nós, e não sabemos nós o que fazer; porém os nossos olhos estão postos em ti” (2Cr 20.12). Diante da situação tão desesperadora, Josafá admite sua incapacidade, reconhece que não sabe o que fazer, mas põe os seus olhos em Deus. Desse episódio podemos tirar quatro lições:

1. Quando você não souber o que fazer, busque a Deus em oração e jejum (2Cr 20.3) – Há momentos em que os problemas vêm sobre nós como uma torrente caudalosa, como uma avalanche avassaladora, como um terremoto assustador. Nessas horas, nossos recursos são absolutamente insuficientes para enfrentarmos a situação e nada podemos fazer senão recorrermos ao Deus do céu, e clamar por sua ajuda e socorro. A oração e o jejum são recursos sobrenaturais, são armas espirituais à disposição do povo de Deus. Quando agimos por nossa própria destreza e fiados em nossos próprios recursos, ficamos sujeitos a derrotas acachapantes. Mas, quando buscamos a Deus em oração e nos humilhamos sob sua onipotente mão, então, seu braço onipotente sai em nossa defesa e nos concede vitória.

2. Quando você não souber o que fazer, confie nas promessas de Deus (2Cr 20.4-12) – Não basta orar, precisamos orar como convém. Não basta pedir, precisamos conhecer aquele a quem pedimos. Josafá reconhece que Deus é o soberano Senhor nos céus e domina sobre todos os reinos da terra. Ele ora consciente de que nas mãos de Deus estão toda força e poder e não há quem lhe possa resistir. Quando compreendemos a grandeza de Deus, nossos grandes problemas se apequenam. Mas, Josafá deu um passo além em sua oração: ele fulcrou sua súplica nas promessas de Deus. Ao mesmo tempo em que buscou a Deus em oração, abriu as Escrituras para orar e fundamentar sua petição no alicerce firme das promessas de Deus. Oramos com eficácia quando ancoramos nossas petições nas promessas daquele que tem zelo pela sua Palavra e fidelidade em cumpri-la.

3. Quando você não souber o que fazer, ouça e obedeça a Palavra de Deus (2Cr 20.13-19) – Quando todos os homens, mulheres e crianças se reuniram para falar com Deus em oração, Deus se manifestou e falou com eles, trazendo-lhes sua Palavra. Por intermédio da oração falamos com Deus; por meio da Palavra Deus fala conosco. A Palavra divina que veio ao povo encorajou-o a não olhar para as circunstâncias e não temer as ameaças do inimigo. Deus lhes acalmou o coração dizendo que pelejaria por eles e lhes daria a vitória. A Palavra gerou fé no coração deles e tirou seus olhos do problema para colocá-los no Deus que está acima e no controle da situação.

4. Quando você não souber o que fazer, louve a Deus com confiança (2Cr 20.20-30) – Quando o povo ouviu a voz de Deus, o medo foi substituído pelo louvor. Eles enfrentaram os exércitos inimigos não com armas carnais, mas com louvor. Eles não louvaram depois que o inimigo foi derrotado; louvaram para derrotar o inimigo. O louvor não é apenas consequência da vitória, mas é a causa da vitória. “Tendo eles começado a cantar e a dar louvores, pôs o Senhor emboscada contra os filhos de Amom e de Moabe e os do monte Seir que vieram contra Judá, e foram desbaratados” (2Cr 20.22). O louvor é o brado de triunfo dos filhos de Deus no campo de batalha. Quando os problemas parecerem insolúveis, faça o que fez Josafá: ore, jejue, obedeça e louve ao Senhor, e o inimigo será desbaratado.

Palavra Pastoral

A IGREJA É MISSÃO

A IGREJA É MISSÃO

Rev. Arival Dias Casimiro

Por que, no Brasil, temos igrejas que são bíblicas e ortodoxas, mas descomprometidas com a obra missionária? Onde está aquela paixão do pai do presbiterianismo John Knox, que orava todos os dias: “Senhor, dá-me a Escócia, senão eu morro!”? Sugiro três respostas:

Primeiro, um equívoco sobre qual é a missão da igreja.
Pensamos que a nossa missão é aquilo que fazemos ou executamos para Deus. Mas Chistopher J. H. Wright argumenta que devemos mudar a nossa perspectiva: “Assim como a salvação, a missão pertence ao nosso Deus. A missão não é nossa, a missão é de Deus. A missão não foi feita para a igreja, mas a igreja foi feita para a missão – missão de Deus”. Uma igreja local só pode ser de Deus se ela participar dos propósitos de Deus no mundo e para o mundo. Deus nos chamou para participar da sua missão aqui em São Paulo, no Brasil e em todas as nações da terra. Não é Deus que se encaixa na minha história, minha vida e minha agenda. Mas sou eu que me encaixo na grande história da missão de Deus.

Segundo, um conceito incompleto sobre as marcas da igreja.
Aprendemos dos nossos pais reformados que uma igreja local verdadeira possui três marcas: a correta pregação do Evangelho, a administração correta dos sacramentos (Batismo e Ceia do Senhor) e aplicação correta da disciplina bíblica. Creio que uma quarta marca precisa ser acrescentada: o correto envolvimento em missões. Se uma igreja não evangeliza, ela não é evangélica. Se uma igreja não é missionária, ela não participa da missão de Deus na história. Ela não está sendo usada por Deus para cumprir os seus propósitos.

Terceiro, uma educação teológica errada.
O ensino teológico deve andar de mãos dadas com a obra missionária. Uma formação teológica que não motiva o envolvimento do aluno com a prática missionária está completamente errada. Quem aprende a verdadeira teologia bíblica e reformada torna-se um missionário fervoroso. Foi o missionário Paulo que, inspirado pelo Espírito Santo, produziu textos teológicos como Romanos, Gálatas e Efésios. A verdadeira obra missionária é a encarnação da sã teologia. Por isso precisamos questionar e resistir a separação entre missão e teologia, reflexão e prática, e conteúdo e ação.

Concluindo, podemos dizer que existimos como igreja, para sermos usados por Deus em sua missão. A igreja é missão: “Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21).

Palavra Pastoral

A VIDA DEVOCIONAL DO DISCÍPULO

A VIDA DEVOCIONAL DO DISCÍPULO

Rev. Arival Dias Casimiro

“Tendo-se levantado alta madrugada, saiu, foi para um lugar deserto e ali orava” (Marcos 1.35). Vida devocional significa um tempo diário que todo crente deve ter sozinho com Deus. Noal Webster define “devoção” como “uma atenção solene ao Ser Supremo na adoração; uma rendição do coração e das afeições a Deus, com reverência, fé e piedade, nos deveres religiosos, particularmente na oração e na meditação”. É essencial que todo discípulo de Jesus separe um tempo diário para cultivar a sua comunhão com Deus, através da leitura e meditação bíblica, oração e adoração a Deus. A bíblia sugere em várias passagens a necessidade de termos um tempo diário, a sós com Deus (Sl 5.3; 55.17; 88.13; 119.147-148; Dn 6.10). Jesus praticou e ensinou a vida devocional (Mc 1.35; Mt 6.6; 26.41; Lc 6.12). E.M. Bounds disse que devemos iniciar o nosso dia orando a sós com Deus: “Aquele que mais tem feito para Deus neste mundo tem estado de manhã cedo de joelhos. Aquele que desperdiça as primeiras horas do dia, sua oportunidade e frescor em outros assuntos que não seja buscar a Deus, poucos avanços fará em buscá-lo no restante do dia”.

1. OS ELEMENTOS DA VIDA DEVOCIONAL. Ter um tempo diário com Deus requer disciplina e perseverança. Seremos constantemente tentados a desistir. Os dois principais elementos da prática devocional são a oração e a leitura bíblica.
•ORAÇÃO: VOCÊ CONVERSA COM DEUS. Orar é falar com Deus. É expor para Ele o que você sente e aquilo que você precisa. Orar também é uma forma de expressar a sua admiração pela pessoa de Deus é e agradecê-lo por aquilo que Ele tem feito por você. A oração é um meio de adoração e gratidão.
•LEITURA BÍBLICA: DEUS FALA COM VOCÊ. A Bíblia é a revelação escrita de Deus. Ela é o Livro do Senhor, a Palavra de Cristo e a Espada do Espírito. O seu texto foi inspirado por Deus, por meio da ação do Espírito Santo (2 Tm 3.16; 2Pe 1.21). O seu conteúdo é puro, verdadeiro, perfeito, precioso, vivo e poderoso (Sl 19.1-7; Hb 4.12). Ela foi designada por Deus para regenerar, reavivar, iluminar, converter, santificar, ensinar, consolar corrigir e julgar os homens. Ela deve ser lida, recebida, crida, conhecida, estudada, obedecida e ensinada.
Três pontos importantes: (1) O que é a Escritura? Ela é inspirada por Deus, isto é, a sua origem é divina, o seu conteúdo é inerrante e a sua autoridade é suprema. (2) Qual a sua utilidade? Ela é útil ou proveitosa para ensinar, repreender, corrigir e educar aqueles que a estudam. (3) Qual a sua finalidade? Aperfeiçoar o caráter do seu leitor capacitando-o para toda boa obra (2Tm 2.15).
O crente precisa ler estudar e meditar na Palavra de Deus, dia e noite (Js 1.8; Sl 1.2). A expressão indica que a meditação bíblica deve ser incessante e ininterrupta tal como a presença e a direção de Deus, na vida do seu povo (Ex 13.21-22).

2. A PRÁTICA DEVOCIONAL. A prática devocional consiste em você orar e meditar na bíblia, todos os dias, de forma intencional e objetiva. O que Deus uniu não separe o homem. A oração e o estudo da bíblia jamais devem ser separados.

Concluo chamando a sua atenção para o fato de que, na vida cristã, nada substitui a vida devocional. Ela é indispensável ao seu progresso espiritual.

Palavra Pastoral

DEUS É AMOR

DEUS É AMOR

Rev. Arival Dias Casimiro

«Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor» (1João 4.8).
Num mundo de tanto ódio e aflições, ouvimos uma mensagem do céu: Deus é amor! Esta é uma das mais importantes e consoladoras revelações da Bíblia acerca da natureza de Deus. Este é o primeiro conceito de Deus que aprendemos na infância, por meio do famoso cântico Três palavrinhas só: Deus é amor.
Deus é amor (ágape), isto é, amor é a essência do ser divino. Logo, tudo que Deus é, pensa e faz origina-se do seu amor. A criação de Deus está cheia do seu amor. E o amor de Deus é descrito na Bíblia como constrangedor (Os 11.4), eterno (Jr 31.3), grande (Ef 2.4), infalível (Is 49.15-16), inseparável (Rm 8.39), permanente (Sf 3.17) e soberano (Dt 7.7-8). O amor de Cristo é imutável (Jo 13.1), indissolúvel (Rm 8.35) e constrangedor (2Co 5.14). O amor só existe, porque Deus existe. Ele é a fonte do amor e a expressão máxima de sua existência. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor (1João 4.8).
João apresenta dois aspectos do amor de Deus:

1. A revelação do amor de Deus.
Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele (1Jo 4.9). Três lições neste verso: (1) A natureza da revelação do amor. Nisto se manifestou o amor de Deus em nós. Deus manifesta (efanerote) ou torna conhecido o seu amor. “Manifestar significa tornar plenamente conhecida, com detalhes, mediante revelação clara, alguma coisa que estava oculta”. O amor de Deus é eterno e já existia antes que tudo fosse criado. (2) O conteúdo da revelação do amor. A manifestação ou a revelação do amor de Deus foi a encarnação de Jesus. Quando Jesus tornou-se uma pessoa, nascendo em Belém, o amor de Deus tornou-se visível e tangível. Ninguém jamais viu a Deus: o Deus unigênito, que está no seio do seu Pai é quem o revelou (Jo 1.18). Foi por meio de Jesus que Deus mostrou o seu amor por nós. (3) O objetivo da revelação do amor: para nos dar vida ou para vivermos por meio dele. A vida eterna ou a vida de Deus está em Jesus e todo aquele que crê em Jesus recebe essa vida, pela fé. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).

2. A consciência do amor de Deus.
«Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados» (1Jo 4.10). Duas características do amor de Deus: (1) O amor de Deus é incondicional. A melhor tradução do grego de “nisto consiste o amor” é “nisto é o amor”. O amor de Deus é incondicional, não causado ou espontâneo. Deus nos amou livremente, simplesmente porque Ele nos quis amar. Não existe no homem motivo ou virtude alguma para ele ser amado por Deus. Trata-se de um amor eletivo (Dt 7.7-8; Jo 15.16; Ef 1.5). (2) O amor de Deus é sacrificial: e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Deus enviou o seu Filho para morrer sacrificialmente por nós. Jesus cobriu nossos pecados e nos libertou da culpa.

Ele nos ama e deseja nossa salvação. A prova do seu amor é que Jesus veio. Morreu pelos nossos pecados e garantiu a nossa salvação. Creia em Jesus e serás salvo.

Palavra Pastoral

SALVAÇÃO, DOM INEFÁVEL DE DEUS

SALVAÇÃO, DOM INEFÁVEL DE DEUS

Rev. Hernandes Dias Lopes

A salvação não é uma conquista humana, mas uma dádiva de Deus. Não a alcançamos por mérito, mas recebemo-la por graça. A salvação não é um troféu que erguemos como fruto do nosso labor nem uma medalha de honra ao mérito, mas um presente imerecido. Concernente à salvação, como dom inefável de Deus, destacamos três verdades sublimes:

Em primeiro lugar, a graça, o fundamento da salvação. “Porque pela graça sois salvos…” (Ef 2.8a). A graça de Deus é seu amor imerecido, endereçado a pecadores perdidos e arruinados. Deus amou-nos quando éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Amou-nos não por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. Amou-nos não por causa das nossas virtudes, mas apesar das nossas mazelas. Amou-nos não porque éramos seus amigos, mas apesar de ser seus inimigos. Amou-nos e deu-nos seu Filho Unigênito. Amou-nos e deu-nos tudo. Deu-se a si mesmo. Deu seu Filho único. Deu-o não para ser servido, mas para servir. Não para ser aplaudido entre os homens, mas morrer pelos pecadores. Esse amor incomparável, incompreensível e indescritível a pecadores indignos é a expressão mais eloquente de sua graça. Assim, não somos salvos pela obra que realizamos para Deus, mas pela obra que Deus realizou por nós, na cruz do Calvário. A cruz de Cristo é o palco onde refulge com todo o esplendor a graça de Deus. Aqui está a causa meritória da nossa redenção, o fundamento da nossa salvação.

Em segundo lugar, a fé, o instrumento da nossa salvação. “… mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8b,9). Não somos salvos por causa da fé, mas mediante a fé. A fé não é a causa meritória, mas a causa instrumental da nossa salvação. Apropriamos da salvação pela graça, mediante a fé. A fé é a mão estendida de um mendigo para receber o presente de um rei. Deus nos oferece a salvação gratuitamente e apropriamo-nos dela pela fé. A própria fé não vem do homem, vem de Deus; não é resultado de esforço ou mérito humano, mas presente de Deus. A fé salvadora não é apenas um assentimento intelectual nem uma confiança passageira apenas para as questões desta vida. A fé salvadora é plantada em nosso coração pelo Espírito de Deus e então, transferimos nossa confiança daquilo que fazemos para o que Cristo fez por nós na cruz. A fé não apenas toma posse da salvação, mas, também, descansa na suficiente obra de Cristo. Somos justificados pela fé, vivemos pela fé, andamos de fé em fé e vencemos o mundo pela fé.

Em terceiro lugar, as boas obras, o propósito da nossa salvação. “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus, para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). Não somos salvos pelas boas obras, mas para as boas obras. As boas obras não são a causa da salvação, mas sua consequência. Não fazemos boas obras com o propósito de sermos salvos; fazemo-las porque já fomos salvos pela graça, mediante a fé. É importante destacar que se as boas obras não encontram lugar como causa meritória ou instrumental da salvação, elas precisam ser vistas como a evidência da salvação. A fé e as boas obras não estão em conflito. A fé sem as obras é morta; as obras sem a fé não são boas. A fé produz obras e as obras provam a fé. A salvação é só pela fé independente das obras, mas a fé salvadora nunca vem só. Vem acompanhada das obras que glorificam a Deus e abençoam os homens. Essas obras foram preparadas de antemão para que andássemos nelas. Tudo provém de Deus, pois é ele quem opera em nós, tanto o querer como o realizar.

A salvação é um dom inefável de Deus. Foi planejada por Deus Pai, executada pelo Deus Filho e aplicada pelo Deus Espírito Santo. Foi planejada na eternidade, é executada na história e será consumada na segunda vinda de Cristo. Fomos salvos pela graça, mediante a fé e para as boas obras!

Palavra Pastoral

EVANGELIZAÇÃO, A URGÊNCIA DE UMA TAREFA

EVANGELIZAÇÃO, A URGÊNCIA DE UMA TAREFA

Rev. Hernandes Dias Lopes

Jesus concluiu sua obra na cruz. Triunfou sobre o diabo e suas hostes e levou sobre si os nossos pecados. Agora, comissiona sua igreja a levar essa mensagem ao mundo inteiro. O projeto de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, a toda criatura, em todo o mundo. Três verdades devem ser destacadas sobre a evangelização.

A evangelização é ordem de Deus. O mesmo Deus que nos alcançou com a salvação, comissiona-nos a proclamar a salvação pela graça mediante a fé em Cristo. Todo alcançado é um enviado. Deus nos salvou do mundo e nos envia de volta ao mundo, como embaixadores do seu reino. Jesus disse para seus discípulos que assim como o Pai o havia enviado, também os enviava ao mundo. Isso fala tanto de estratégia como de ação. Jesus não trovejou do céu palavras de salvação; ele desceu até nós. A Palavra se fez carne; o Verbo de Deus vestiu pele humana. A evangelização não é uma tarefa centrípeta, para dentro; mas centrífuga, para fora. Não são os pecadores que vêm à igreja, mas é a igreja que vai aos pecadores. Deus tirou a igreja do mundo (no sentido ético) e a enviou de volta ao mundo (no sentido geográfico). Não podemos nos esconder, confortavelmente, dentro dos nossos templos. Precisamos sair e ir lá fora, onde os pecadores estão. Jesus, antes de voltar ao céu e derramar seu Espírito, deu a grande comissão aos seus discípulos. Essa grande comissão está registrada nos quatro evangelhos e também no livro de Atos. Não evangelizar é um pecado de negligência e omissão. Na verdade, é uma conspiração contra uma ordem expressa de Deus.

A evangelização é tarefa da igreja. Nenhuma outra entidade na terra tem competência e autoridade para evangelizar, exceto a igreja. A igreja é o método de Deus. Não podemos nos calar nem nos omitir. Se o ímpio morrer na sua impiedade, sem ouvir o evangelho, Deus vai requer de nós, o sangue desse ímpio. Em 1963, quando John Kennedy foi assassinado em Dalas, no Texas, em doze horas, a metade do mundo ficou sabendo de sua morte. Jesus Cristo, o Filho de Deus, morreu na cruz, pelos nossos pecados, há dois mil anos e, ainda, quase a metade do mundo, não sabe dessa boa notícia. O que nos falta não é comissionamento, mas obediência. O que nos falta não é conhecimento, mas paixão. O que nos falta não é método, mas disposição. Encontramos o Messias, e não temos anunciado isso às outras pessoas. Encontramos o Caminho e não temos avisado isso aos perdidos. Encontramos o Salvador e não proclamamos isso aos pecadores. Encontramos a vida eterna e não temos espalhado essa maior notícia aos que estão mortos em seus delitos e pecados. Precisamos erguer nossos olhos e ver os campos brancos para a ceifa. Precisamos ter visão, paixão e compromisso. Precisamos investir recursos, talentos e a nossa própria vida nessa causa de consequências eternas.

A evangelização é uma necessidade do mundo. O evangelho de Cristo é o único remédio para a doença do homem. O pecado é uma doença mortal. O pecado é pior do que a pobreza. É mais grave do que o sofrimento. É mais dramático do que a própria morte. Esses males todos, embora sejam tão devastadores, não podem afastar o homem de Deus. Mas, o pecado afasta o homem de Deus no tempo, na história e na eternidade. Não há esperança para o mundo fora do evangelho. Não há salvação para o homem fora de Jesus. As religiões se multiplicam, mas a religião não pode levar o homem a Deus. As filosofias humanas discutem as questões da vida, mas não têm respostas que satisfazem a alma. As psicologias humanas levam o homem à introspecção, mas nas recâmaras da alma humana não há uma fresta de luz para a eternidade. O mundo precisa de Cristo; precisa do evangelho. Chegou a hora da igreja se levantar, no poder do Espírito Santo e proclamar que Cristo é o Pão do céu para os famintos, a Água viva para os sedentos e a verdadeira Paz para os aflitos. Jesus é o Salvador do mundo!