Palavra Pastoral

A HUMILHAÇÃO E A EXALTAÇÃO DE JESUS

A HUMILHAÇÃO E A EXALTAÇÃO DE JESUS

Rev. Arival Dias Casimiro

Natal é a comemoração do aniversário de Jesus. Ele nasceu em Belém, há 2017 anos. A própria História dá testemunho da importância do seu nascimento, pois está dividida em antes e depois de Cristo. O mais importante, porém, não é a data em si, mas a pessoa do aniversariante. Jesus é único, singular. Ele foi a única pessoa com duas naturezas: Ele era verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Jesus, em sua encarnação, não deixou de ser Deus, mas assumiu uma humanidade perfeita. O objetivo da sua encarnação foi a obra de redenção do homem (Hb 2.14-18). Ele se fez homem para morrer. Com base em Filipenses 5.2-11, a sua vida e ministério pode ser dividida em duas fases: Humilhação e Exaltação.

1. Estado de Humilhação (Fp 2.5-8). O Estado de Humilhação compreende a vida de Jesus desde a sua encarnação até a sua morte. Paulo destaca: Jesus esvaziou-se de seu status de Deus (v.6). Jesus sendo Deus, abriu mão dos seus privilégios de divindade, a qual jamais foi abandonada. Deus jamais poderia deixar de ser Deus (Jo 1.1). E o atributo que revela a deidade de Jesus é a sua eternidade (CL 1.15-17; Ap 1.8,18). Jesus se fez homem (Fp 2.7). Este é o ato da encarnação (Jo 1.14). O Criador se fez criatura. Paulo usa as expressões semelhança de homens e reconhecido em figura humana para destacar a natureza humana de Jesus. Ele foi homem perfeito, completamente livre de pecado (Jo 8.46; 2Co 5.21). Jesus não poderia pecar, mas podia ser tentado. Jesus renunciou as suas riquezas (v.7). Pelo fato de ser Deus, Jesus é dono de tudo. Ele, porém, se fez servo ou escravo, perdendo temporariamente todos os privilégios de desfrutar tudo o que possuía. Ele se fez pobre, para fazer-nos ricos (2Co 8.7). Durante a sua vida neste mundo, ele foi pobre. Ele nasceu em uma manjedoura e foi enterrado em um túmulo emprestado. Nunca possuiu nada deste mundo. Viveu de forma simples e paupérrima (Lc 2.7). Jesus renunciou a sua glória celestial (v.7). No seu status de Deus, Jesus é pleno de glória. Na encarnação, Ele teve que abrir mão da sua glória a fim de habitar conosco (Is 53.3). Ao término da sua obra, Jesus pediu ao Pai a glória que possuía antes da encarnação (Jo 17.5). Jesus renunciou o exercício da sua autoridade ou poder (v.7). Durante a sua vida e ministério, Ele poderia ter usado as suas prerrogativas de Juiz e Senhor. Simplesmente, ele obedeceu, procurando fazer sempre a vontade de Deus (Jo 5.30). Ninguém poderia tirar a vida de Jesus, se Ele, espontaneamente, não a tivesse dado (Jo 10.18). Ele foi obediente ao Pai, até a morte, e morte de cruz. Morreu de forma dolorosa, maldita e ultrajante (Dt 21.23; Gl 3.13).

2. Estado de Exaltação (Fp 2.9-11). O estado de exaltação de Cristo inicia-se com a sua ressurreição, passa por sua ascensão e culmina com a sua glorificação. Paulo relaciona a exaltação com a humilhação: Por isso, Deus o exaltou (v. 9). Esta é uma regra divina: Mt 23.13; Lc 14.11; 18.14; Tg 4.10; 1Pe 5.6. Jesus recebeu um nome que está acima de todo nome (v.9). Jesus recebeu o nome do Senhor (Kyrios), o Deus exaltado (At 2.36; Rm 10.9) e o Rei Vitorioso (1Co 15.24-25; Ap 19.16). Senhor é o nome ou a posição que está acima de todo nome (Rm 9.5). Ele é o verdadeiro Deus (1Jo 5.20). O nome expressa o caráter, a reputação, a dignidade, a posição, a obra e o poder da pessoa. O nome de Jesus está acima de toda criatura em todo o universo. Jesus receberá o reconhecimento e adoração de todos (v.10). O propósito da exaltação de Jesus é a sua adoração: para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho. Em sua segunda vinda, Jesus será adorado por todos os seres inteligentes do universo: (a) No céu, anjos e todos os seres redimidos que já morreram (Ap 4.8-11; 5.8-12); (b) Na terra, por todos os seres humanos (1Co 15.40); (3) Debaixo da terra, todos os seres humanos e anjos maus que estão no inferno (Ef 4.9). Jesus será confessado por todos (v.11). O clímax da exaltação de Jesus é que Ele será confessado e reconhecido por todos: Jesus Cristo é o SENHOR (Rm 10.9). O propósito final da exaltação de Jesus é a glória de Deus Pai: E toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai (v.11).

Que neste Natal você concentre-se na pessoa do aniversariante, Jesus é o sentido da nossa festa e das nossas comemorações. A Ele seja o louvor, a honra e a glória.

Palavra Pastoral

A INFLUÊNCIA DA BÍBLIA NAS CIVILIZAÇÕES

A INFLUÊNCIA DA BÍBLIA NAS CIVILIZAÇÕES

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hoje é o dia da Bíblia. Rendemos a Deus nosso tributo de gratidão por esse presente especial. Ela não é fruto da lucubração humana, mas da revelação divina. Ela não procede da terra, mas do céu. Sua origem está em Deus, não no homem.
A Bíblia é o farol que alumia as nações. Todas as civilizações que foram edificadas sobre o alicerce das Escrituras prosperaram. Aonde a luz chega, as trevas não prevalecem. Aonde a verdade é anunciada, o erro é desmascarado. Aonde o conhecimento é buscado, a ignorância e o misticismo não florescem. Foi por isso que as nações que cresceram bebendo o leite genuíno da Palavra de Deus floresceram e progrediram, enquanto aquelas que taparam seus ouvidos à voz da verdade ficaram imersas em um obscurantismo medonho.
Quando o missionário John Paton terminou a tradução do Novo Testamento na língua africana aniwan, um velho chefe tribal perguntou-lhe: “O livro fala?” O missionário respondeu: “Sim, agora ele fala em sua língua”. John Paton pôs-se a ler trechos do Novo Testamento para o velho tribal. As palavras entraram em seu coração. Então, agarrando o livro, comprimindo-o ao peito, exclamou: “O livro fala, o livro fala!” Sim, a Palavra de Deus é viva e eficaz.
Certa feita, chegou à Ilha de Fidji um ateu estadeando sua crença evolucionista a um grupo de cristãos. Com ar de arrogância, blasonando sua cultura atéia, enaltecendo sua pretensa ciência, começou a ridicularizar as Escrituras Sagradas e a menosprezar a fé sincera daqueles nativos.
Imediatamente, o chefe daquela tribo dirigiu-se ao altivo ateu, dizendo: “O senhor está vendo aquele velho forno? Ali assávamos carne humana; não fosse a Bíblia e a transformação que Deus realizou em nós pela sua mensagem, hoje, o senhor seria o nosso jantar”. A Bíblia fez uma diferença tão grande naquela tribo, que o turista altivo em vez de ser o jantar, foi convidado para jantar.
A Bíblia não é simplesmente um livro de religião, ela é a Palavra de Deus na voz humana. Os grandes luminares da filosofia e os fundadores de segmentos religiosos significativos não alcançaram esta verdade eterna. Sócrates defendia a vingança contra os inimigos. Platão era defensor do infanticídio e da prostituição. Maomé defendia a poligamia. Os Vedas permitiam o roubo. A filosofia estóica é fatalista. A filosofia epicurista é hedonista. Mas a Bíblia é a revelação inerrante, infalível e suficiente de todo o conselho de Deus. Aonde ela chega e sua mensagem é proclamada e crida, vidas são transformadas, famílias são restauradas e nações são reerguidas das cinzas.
Os grandes avanços sociais que a humanidade conhece são resultado do exame das Escrituras, como a libertação dos escravos, o resgate da dignidade e direitos da mulher e da criança. As grandes conquistas no campo cultural, econômico, social e político também foram fruto do exame das Escrituras. O apogeu da melhor música foi inspirado pelas Sagradas Escrituras. Ouça Criação, de Haydn; O Messias, de Haendel; Elias e S. Paulo, de Mendelssohn, assim também, Bach, Mozart, Gounod, e saberá que as verdades eternas da Bíblia foram e ainda são a maior fonte inspiradora desta sublime arte.
A Bíblia, também, foi o grande instrumento que trouxe ao mundo a maior revolução religiosa de todos os tempos, a Reforma Protestante do século XVI. João Calvino diz que a Bíblia é o cetro pelo qual o Rei celestial governa a sua igreja. Lutero afirmava: “Minha consciência é escrava da Palavra de Deus”. O entendimento dos reformadores era que onde a Bíblia não tem voz, não devemos ter ouvidos.

Palavra Pastoral

NATAL, O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO DE JESUS

NATAL, O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO DE JESUS

Rev. Hernandes Dias Lopes

O Natal é a celebração do nascimento de Jesus, o Salvador do mundo. Trata-se de um grande mistério. O Deus transcendente, tornou-se imanente; o soberano Senhor do universo fez-se servo; o Eterno entrou no tempo. Deus vestiu pele humana: sendo rico se fez pobre; sendo santo se fez pecado; sendo bendito foi feito maldição por nós. O apóstolo João, destacando tanto a divindade como a humanidade de Jesus, falou dele como o Verbo que se fez carne. Destacaremos, aqui algumas verdades importantes sobre o Verbo de Deus.

1. Os atributos do Verbo de Deus. O apóstolo João, no prólogo de seu evangelho (Jo 1.1), nos apresenta três características peculiares do Verbo: Primeiro, ele é eterno: “No princípio era o Verbo…”. Quando tudo começou o Verbo de Deus, a segunda Pessoa da Trindade, já existia e, existia desde toda a eternidade. Na verdade ele é o Pai da Eternidade. Segundo, ele é uma pessoa: “… e o Verbo estava com Deus…”. Estava face a face com Deus, em perfeita comunhão e sintonia com o Pai. O Verbo é co-igual, co-eterno e consubstancial com Deus Pai. Terceiro, ele é divino: “… e o Verbo era Deus”. O Verbo é uma Pessoa divina. Ele é Deus. Possui os atributos da divindade e realiza as mesmas obras que só Deus pode fazer, pois “todas as coisas foram feitas por ele e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).

2. A encarnação do Verbo de Deus. O apóstolo João diz que o Verbo se fez carne e habitou entre nós. A segunda Pessoa da Trindade, o Verbo de Deus, criador do universo, se fez carne (Jo 1.14), esvaziou-se, deixou sua glória, veio ao mundo e tornou-se servo (Fp 2.6-8). O Verbo de Deus armou sua tenda entre os homens. Ele habitou entre nós. Foi em tudo semelhante a nós, exceto no pecado. Sofreu fome e sede. Suportou cansaço e fadiga. Gemeu, chorou e sangrou. Humilhou-se até à morte e morte de cruz. O Filho do Altíssimo, concebido pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem, nasceu pobre, numa família pobre, em uma cidade pobre. Nasceu não num berço de ouro, mas num berço de palha. Cresceu não num palácio, mas numa carpintaria. Viveu não no fausto e no luxo, mas não tinha onde reclinar a cabeça. Escalou não os degraus da glória humana, mas desceu às profundezas da humilhação, sendo cuspido pelos homens e pregado numa rude cruz.

3. A manifestação do Verbo de Deus. O apóstolo João diz ainda que “vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. O Verbo encarnou-se para revelar-nos Deus. Jesus é a exegese de Deus. Nele habitou corporalmente toda a plenitude da divindade. Ele é a expressa imagem de Deus. A glória de Cristo é a mesma glória do Pai. Quem vê a Cristo, vê o Pai. Ele e o Pai são um. Jesus é o Deus-Homem, o Deus Emanuel, o Deus conosco. Sua encarnação foi um mistério. Sua vida foi um exemplo. Sua morte vicária foi o sacrifício perfeito. Sua ressurreição foi o selo da vitória. Sua segunda vinda será a consumação de todas as coisas. Cristo é o centro das Escrituras. Cristo é o centro da igreja. Cristo é o centro da história. Cristo é o centro da eternidade. Cristo é tudo em todos. Para ele convergem todas as coisas tanto no céu como na terra. Dele, por meio dele e para ele são todas as coisas. Cristo é a nossa vida, a nossa paz, a nossa alegria, a razão da nossa esperança. Devemos celebrar com alegria sua vinda ao mundo. Devemos confiar nele como nosso Salvador. Devemos nos sujeitar a ele como nosso Senhor. Devemos nos prostrar diante dele e adorá-lo como nosso grande Deus. Devemos nos alegrar nele como os pastores de Belém. Devemos adorá-lo como os magos do Oriente. Devemos celebrá-lo como os anjos do céu. A Jesus, o Verbo de Deus, devemos tributar toda honra, glória e louvor, agora, e pelos séculos dos séculos!

Palavra Pastoral

A FÉ E A CERTEZA DA SALVAÇÃO

A FÉ E A CERTEZA DA SALVAÇÃO

Rev. Hernandes Dias Lopes

Há uma estreita conexão entre a fé em Cristo e a certeza da salvação. Foi o próprio Jesus quem disse: “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47). Alguns cristãos sinceros pensam que é impossível ter certeza da salvação e vivem inseguros e sem deleite espiritual. Outros, movidos pela presunção, ostentam uma falsa segurança de salvação e vivem confiados em si mesmos para entrar no céu. É preciso gritar a plenos pulmões que a salvação é uma dádiva de Deus e não uma conquista humana. É oferta da graça e não resultado das obras. É recebida pela fé e não pelos rituais religiosos. Consequentemente, nenhum homem pode vangloriar-se de sua salvação. Se a salvação fosse por méritos, então, o homem teria de que se gloriar, mas como ela é oferta da graça, o homem só pode se curvar e agradecer a Deus por tão grande dádiva.

Porque a salvação é presente de Deus, independente de mérito humano, quando cremos no Senhor Jesus e o recebemos pela fé como Salvador pessoal podemos ter certeza da salvação. Essa garantia nos é dada pelo próprio Salvador. Jesus não poderia ter sido mais enfático: “Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47). O verbo “ter” está no presente do indicativo. Quem crê em Jesus não teve nem terá a vida eterna, mas tem a vida eterna. É uma posse imediata e segura. O apóstolo João, nesse mesmo viés, escreveu sua Primeira Carta para que os crentes pudessem ter essa certeza: “Estas coisas vos escrevi, a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus” (1Jo 5.13). Jesus disse de forma insofismável: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão” (Jo 10.27,28). Aqueles que creram em Cristo nasceram de novo, foram selados pelo Espírito Santo, têm seus nomes escritos no livro da vida e estão assentados com Cristo, nas regiões celestes, acima de todo principado e potestade. A salvação daqueles que creem em Cristo é assegurada por Deus e nele podemos confiar, pois não é homem para mentir.

É importante enfatizar que a fé não é a causa meritória da salvação; é sua causa instrumental. Não somos salvos por causa da fé, mas mediante a fé. Somos salvos pelo sacrifício de Jesus feito na cruz em nosso lugar e em nosso favor. Jesus cumpriu a lei por nós e satisfez todas as demandas da justiça divina. Ele quitou a nossa dívida e com o seu sangue nos resgatou para Deus. Ele se identificou conosco e morreu a nossa morte. Agora, aqueles que estão em Cristo estão quites com a lei de Deus e com a justiça de Deus. Morremos com Cristo e ressuscitamos com ele para uma nova vida. Agora nenhuma condenação há mais para nós, pois estamos em Cristo Jesus. O Pai nos justificou, o Filho morreu por nós, ressuscitou e está intercedendo em nosso favor e o Espírito nos selou para o dia da redenção. Nossa salvação está plenamente garantida pelo próprio Deus Triúno. Estamos plenamente certos de que nem a morte nem a vida; nem anjos nem principados; nem altura nem profundidade; nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor. Estamos salvos, eternamente salvos. Podemos tomar posse da vida eterna e começar a desfrutá-la aqui e agora. Pela fé podemos desfrutar do gozo antecipado da glória. É claro que não estamos falando de fé na religião, fé nos ídolos, fé em nós mesmos. Estamos falando da fé em Cristo Jesus, o Filho de Deus, o Rei da glória, o Verbo encarnado, o nosso Justo Advogado, Redentor da nossa alma, Senhor da nossa vida, nosso bom, grande e supremo Pastor. Nele temos copiosa redenção. Nele temos refúgio eterno. Nele temos segurança da salvação.

Notícias

NOSSA MISSÃO EM SÃO PAULO

NOSSA MISSÃO EM SÃO PAULO

Rev. Arival Dias Casimiro

Deus tem uma missão para seu povo que mora nas grandes cidades. Deus tem missão urbana para a Igreja Presbiteriana de Pinheiros, na cidade de São Paulo. Deus enviou você para evangelizar os perdidos. Por isso, reflita comigo sobre a experiência missionária de Jonas.

Primeiro, missão urbana é um projeto de Deus para pessoas específicas.
O texto bíblico revela: Veio a palavra do Senhor, segunda vez, a Jonas, dizendo (Jn 3.1).
Observe que a palavra de Deus veio a Jonas. Ele envia a sua palavra especificamente a Jonas. Sabemos que o profeta odiava os ninivitas e não queria a salvação dos mesmos. Por isso ele fugiu a primeira vez para Társis. Deus foi atrás dele e o trouxe de volta à missão na barriga de um grande peixe. A expressão “segunda vez” indica que Deus não desistiu de usar especificamente o profeta Jonas. Pense um pouco: Deus trouxe você para São Paulo e o colocou numa igreja que tem a visão de ser uma grande igreja missionária. Acaso ou um plano de Deus?

Segundo, missão urbana deve ser realizada de acordo com o projeto divino.
O texto registra: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo (v.2). O projeto de Deus define duas coisas: Em primeiro lugar, o campo missionário – Nínive. Deus diz qual é o campo: vai à grande cidade de Nínive. Os mais de 120 mil moradores de Nínive, capital da Assíria, eram o alvo. Era uma cidade importante diante de Deus, por seu tamanho e por sua influência econômica, política e cultural. Pare um pouco e pense na importância de São Paulo. Em segundo lugar, a estratégia missionária: a proclamação da mensagem revelada pelo Senhor. Deus diz: proclama contra ela a mensagem que eu te digo. O profeta não tinha autonomia para escolher o que pregar; ele simplesmente tinha que proclamar aquilo que o Senhor lhe havia revelado. A mensagem do evangelho é sempre “contra” aquilo que o homem quer ouvir em seu estado pecaminoso.

Terceiro, missão urbana é obediência.
Deus disse: dispõe-te, vai e proclama. O cumprimento da ação exige que você saia de seu estado de inércia. Jonas obedece: Levantou-se, pois, Jonas e foi a Nínive, segundo a palavra do Senhor. Ele se levantou e foi a Nínive. A palavra do Senhor não é para ser discutida ou questionada, mas obedecida. Há um ditado jurídico que diz: “Sentença judicial não é para ser discutida, mas cumprida”. Deus é Senhor e Juiz. Os seus decretos devem ser aceitos e obedecidos.

Em síntese, toda a cidade de Nínive se arrependeu e se converteu ao Senhor, por meio da pregação de Jonas. Ele foi o único profeta enviado por Deus a pregar o arrependimento numa terra estrangeira.

Palavra Pastoral

A VISÃO ABENÇOADORA

A VISÃO ABENÇOADORA

Rev. Arival Dias Casimiro

Mais bem-aventurado é dar que receber (Atos 20.35).

John Haggai diz: “Uma visão é uma imagem clara de algo que o líder quer que o seu grupo seja ou faça”. E a partir dessa visão o líder planeja de que maneira essa visão pode transformar-se em realidade. Qualquer visão de valor vem de Deus e fundamenta-se em sua Palavra.

O Conselho da Igreja Presbiteriana de Pinheiros viu na Bíblia, que a missão intransferível urgente de uma igreja local é a evangelização do mundo. Foi Jesus quem definiu a missão de sua Igreja, na chamada Grande Comissão: “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.18-20). Fica evidente neste texto que a missão da Igreja, segundo Jesus Cristo é de natureza espiritual: pregar, batizar e ensinar. Isso é realizado na autoridade de Jesus e no poder do Espírito Santo. O alvo da missão é alcançar todo o mundo, toda criatura e todas as nações. A estratégia é a pregação da Palavra, por meio do discipulado, da proclamação e do testemunho (martírio).

Oswald Smith disse: “A obra mais importante da igreja de Jesus Cristo é a evangelização dos povos, línguas e nações”. O líder moraviano Conde Zinzendorf disse: “O nosso grande alvo é obter para o Cordeiro que foi morto a recompensa do seu sofrimento”. Se Jesus pagou o preço da nossa redenção, devemos, por gratidão, pagar o preço da proclamação dessa redenção.

A nossa visão missionária pode ser resumida num verso de Jesus: “Mais bem-aventurado é dar que receber”. E a nossa igreja encarnou esta verdade e desfruta desta bênção de felicidade. Quanto mais damos, mais recebemos para dar. Quanto mais abençoamos, somos mais abençoados. Trata-se de uma experiência divina e sobrenatural. É viver e experimentar um milagre de Deus, a cada dia. Obrigado Deus por tão grande privilégio.

Convidamos você, membro da igreja a encarnar essa visão e cumprir a sua missão. Invista a sua vida e os recursos que Deus lhe tem dado na obra missionária. Seja um missionário, um intercessor por missões e um ofertante generoso.

Palavra Pastoral

VIVA MAIS CONTENTE

VIVA MAIS CONTENTE

Rev. Arival Dias Casimiro

Sêneca disse: “Feliz é o homem que, em qualquer circunstância em que se encontre, sente-se contente”. Sabemos, porém, que na prática, o contentamento é algo difícil e raro entre as pessoas. Gostamos de murmurar e reclamar de Deus, das pessoas e das circunstâncias. Estamos sempre insatisfeitos e prontos a reclamar. Murmurar é o contrário de contentamento. Sobre a murmuração, a Bíblia ensina: Em primeiro lugar, a murmuração é pecado. Deus abomina a murmuração e sempre castiga os murmuradores (Nm 11.1; 14.26-29; 1Co 10.9-10; Jd 14-16). A murmuração esconde o pecado da rebelião e da incredulidade. Murmurar é duvidar do caráter de Deus. Em segundo lugar, a murmuração é prejudicial ao murmurador. A murmuração é uma doença da alma, altamente contagiosa e prejudicial à saúde daqueles que a praticam (Nm 16.20-40).
Assuma o compromisso de viver mais contente e satisfeito. Paulo apresenta-se no texto como alguém que havia aprendido a arte e a obediência do contentamento. Seguindo o exemplo de Paulo, destacamos algumas atitudes que revelam o seu contentamento:

Seja uma pessoa agradecida – Primeiro, esteja satisfeito e agradeça a Deus por aquilo que você tem recebido, pouco ou muito (1Tm 6.5-8). Paulo escreveu aos Filipenses para agradecer pelas ofertas que os irmãos lhe enviaram por intermédio de Epafrodito (Fp 4.18). Contentamento sempre gera gratidão assim como murmuração produz reclamação. Meu irmão, contente-se com pouco, fuja do supérfluo e do desnecessário. Aprenda a ser grato Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco (1Ts 5.18).

Seja um dependente de Deus – Segundo, creia e dependa da providência de Deus, pois Ele controla todas as circunstâncias e conhece cada uma de suas necessidades. Observe que Paulo fala do cuidado dos irmãos de Filipos para com ele, destacando que no tempo certo, as ofertas chegaram (Fp 4.10, 18). Deus está no controle de todas as coisas. No tempo certo, as coisas acontecem e a benção chega. Dependa do Senhor, busque-o como prioridade na sua vida, e todas as coisas lhe serão acrescentadas (Mt 6.33).

Separe o seu coração das coisas – Terceiro, separe a sua satisfação interior das coisas que acontecem com você. É possível viver contente independente das circunstancias (Hb 13.5-6). Lembre-se que a verdadeira satisfação não está naquilo que você tem ou não tem. Precisamos estar acima das coisas e das circunstâncias. Não ponha o seu coração nas coisas materiais. Paulo declara aos Filipenses que o seu interesse por eles não era pelos seus bens materiais ou ofertas, mas o que realmente me interessa é o fruto que aumente o vosso crédito (Fp 4.17). Paulo não era movido pela avareza ou pelo desejo de lucro material.

Receba de Deus a força para o contentamento – Quarto, viva contente, pois Deus lhe dará forças para suportar qualquer situação – Tudo posso naquele que me fortalece (Fp 4.13). Com o poder que vem de Deus, você enfrenta qualquer situação, saúde ou doença, honra ou humilhação, riqueza ou pobreza, aceitação ou rejeição. Tudo posso com a ajuda de Deus.

Seja uma pessoa generosa – Quinto, o contentamento é experimentado quando nos preocupamos com o bem estar dos outros, principalmente, com a vida dos missionários e plantadores de igrejas. E sabeis também vós, ó Filipenses, que, no inicio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se associou comigo no tocante a dar e receber, senão, unicamente vós outros (Fp 4.15). Das igrejas que Paulo fundou somente a de Filipos se associou com ele, quanto ao suprimento de suas necessidades. Dar, compartilhar, assistir ao necessitado é essencial para o contentamento. As nossas ofertas e doações são como um aroma suave, sacrifício aceitável e agradável a Deus (Fp 4.18; Lv 1.9, 13 e 17; 2Co 2.15,16 e Hb 11.4). Ofertar é cultuar a Deus.

Paulo encerra dizendo: E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades. (Fp 4.19). Ele declara que todo aquele que dá com sacrifício para os outros será suprido pelo Senhor. Primeiro, Paulo usa a expressão meu Deus para indicar que ele o conhecia muito bem (2Tm 4.17). Ele sabia ou conhecia de forma prática ao Deus que servia. Segundo, que Deus supriria cada uma ou todas as necessidades dos Filipenses. Observe que ele fala de necessidades e não de desejos, prazeres ou vontade (Sl 37.25; Tg 4.13). Terceiro, o suprimento será de acordo com o Seu poder de suprir – segundo a sua riqueza em glória – isto é, proporcional aos infinitos recursos de Deus; e será por meio de Jesus Cristo – há de suprir, em Cristo Jesus – isto é, por causa dos méritos de Cristo (Rm 8.31-32).

Palavra Pastoral

RAZÕES PARA GLORIFICARMOS A DEUS

RAZÕES PARA GLORIFICARMOS A DEUS

Rev. Hernandes Dias Lopes

“Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas; a ele, pois, glória pelo século dos séculos.” (Rm 11.36)
Os eruditos afirmam, e com razão, que a carta de Paulo aos Romanos é a cordilheira do Himalaia de toda a revelação bíblica. Aqui Paulo chegou à cumeeira, ao ponto culminante das Escrituras. Num texto de irretocável beleza e profundidade, o apóstolo dos gentios traça a nossa trajetória das profundezas da decadência moral às culminâncias da nossa redenção. Depois de destacar que toda a obra da redenção foi planejada soberanamente por Deus e realizada eficazmente por ele, encerra a primeira parte da epístola (capítulos 1-11) numa doxologia, onde desabotoa sua voz em torrentes de exaltação a Deus. Três verdades são destacadas.

Em primeiro lugar, Deus deve ser glorificado porque ele é o idealizador da nossa salvação (Rm 11.36a). “Por que dele…”. Nossa redenção não começa no tempo, mas na eternidade; não começa na terra, mas no céu; não começa com o homem, mas com Deus. Ele planejou a nossa salvação, e isso desde os tempos eternos. Tudo provém dele, pois ele é a fonte e a origem da nossa salvação. Tudo provém de Deus, pois nos amou com amor eterno e nos atraiu para si com cordas de amor. Ele é idealizador da nossa redenção, pois nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo. O evangelho não é um caminho aberto da terra para o céu; é o caminho aberto do céu para a terra. O evangelho não é uma tentativa do homem encontrar Deus; é a decisão de Deus buscar o homem perdido. Todas as religiões do mundo são um esforço humano para agradar a Deus através de obras, ritos e sacrifícios; mas o Cristianismo é Deus tomando a iniciativa de reconciliar o homem consigo mesmo por intermédio de Cristo.

Em segundo lugar, Deus deve ser glorificado porque ele é o executor da nossa salvação (Rm 11.36b). “… e por meio dele…”. Deus não apenas planejou nossa salvação na eternidade, mas a executou na história. Para tornar eficaz seu plano eterno, o Verbo divino, Deus de Deus, luz de Deus, fez-se carne e habitou entre Deus. O unigênito do Pai, da mesma essência do Pai, esvaziou-se e assumiu a forma humana. Sendo Deus, se fez homem; sendo exaltado pelos anjos, se fez servo; sendo imaculado, se fez pecado; sendo bendito se fez maldição; sendo rico se fez pobre; sendo o autor da vida, morreu pelos nossos pecados. O homem não poderia ser o agente de sua própria salvação. Não poderia apagar as manchas de seus próprios pecados. Não poderia voltar-se para Deus por si mesmo. O homem está perdido, cego, surdo, endurecido e morto nos seus pecados. Deixado à sua própria sorte, caber-lhe-ia apenas uma condenação inexorável. Por isso, Deus sendo rico em misericórdia, amou eternamente os objetos de sua ira a ponto de dar seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. O filho de Deus, veio ao mundo para ser nosso fiador e substituto. Deus lançou sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelos nossos pecados. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele e pelas suas pisaduras foram sarados. Ele levou sobre o seu corpo, no madeiro, os nossos pecados. Ele morreu pelos nossos pecados, pagou a nossa dívida e nos reconciliou com Deus. Jesus é o novo e vivo caminho que nos conduz ao Pai.

Em terceiro lugar, Deus deve ser glorificado porque o louvor de sua glória é o propósito da nossa salvação (Rm 11.36c). “… e para ele são todas as coisas; a ele, pois, glória pelo século dos séculos”. A salvação não é uma medalha de honra ao mérito que ostentamos no campeonato da vida. Não é um troféu que levantamos no pódio da exaltação humana. Nossa salvação foi planejada, executada e consumada por Deus para que todos os remidos sejam apresentados, nos séculos vindouros, como troféus de sua graça, a fim de que Deus receba a glória pelos séculos dos séculos. Se o fim principal do homem é glorificar a Deus, o fim principal de Deus é glorificar a si mesmo, pois não existe nenhum outro propósito mais elevado e santo do que a própria exaltação de Deus, aquele que é o início, o meio e o fim de todas as coisas. Por toda a eternidade, os remidos se desdobrarão em louvor e adoração a Deus por tão grande salvação e nem mesmo assim poderão esgotar esse tributo de gratidão!

Palavra Pastoral

A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ

Rev. Arival Dias Casimiro

A Justificação pela Fé é a principal doutrina do cristianismo. Martinho Lutero disse: “Esta doutrina é a cabeça e a pedra fundamental. Por si só, ela gera, alimenta, edifica, preserva e defende a igreja de Deus. E sem ela, a igreja de Deus não poderia existir nem por uma única hora”. Martin Lloyd-Jones afirmou que a justificação pela fé “é a grande doutrina central de todo protestantismo, e vocês descobrirão que em cada avivamento ela sempre vem na vanguarda”. A igreja cai ou permanece de pé por causa desta doutrina. Ela é a espinha dorsal de todas as doutrinas bíblicas. John Piper diz: “Pregar e viver a justificação pela fé glorifica a Cristo, resgata pecadores desesperados, encoraja santos imperfeitos e fortalece igrejas frágeis”.
A justificação é um ato jurídico ou uma sentença divina na qual Ele declara perdoado todo pecador que crê em Jesus. Luiz Berkhof define: “A justificação é um ato judicial de Deus no qual Ele declara, baseado na justiça de Jesus Cristo, que todas as exigências da lei estão satisfeitas com respeito ao pecador”. A justificação é o contrário de condenação. Ela é um ato único e legal que remove a culpa do pecado e restaura o pecador à sua condição de filho de Deus, com todos os seus direitos, privilégios e deveres. A justificação não ocorre na vida do pecador, não produz mudanças no seu caráter, mas no Tribunal de Deus. Justificação é uma declaração e santificação é transformação. Mas, é a partir da justificação que o Espírito Santo inicia no pecador todo o processo de santificação até a sua glorificação. A justificação possui cinco características básicas, segundo o ensino de Paulo em Romanos 3.21-31.

Primeira, a justificação se origina em Deus. A justificação pela fé é a manifestação da justiça de Deus sobre os pecadores. Ele é quem toma a iniciativa de perdoar o homem de todos os seus pecados, declarando-lhe que não existe mais nenhuma condenação contra ele. Ele é o autor da justificação, a qual não pode ser obtida pela obediência humana à lei de Deus (Gl 2.16,21). Ele é o Juiz Supremo que declara a absolvição do pecador.

Segunda, a justificação é pela fé. A justiça de Deus é recebida mediante a fé (Rm 3.22). A justificação não acontece por causa da fé, mas por meio, ou através, da fé. A fé não tem nenhum merecimento, mas é o instrumento ou a mão que recebe o presente. Esta fé não existe naturalmente no coração humano, mas é um presente de Deus. Por isso, toda pessoa para ser justificada precisa receber de Deus a fé: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8).

Terceira, a justificação é uma necessidade. Todos os homens são pecadores e necessitam do perdão de Deus. A justiça de Deus é para todos e sobre todos, judeus e gentios, porque todos erraram o alvo, deixando de ser conforme o propósito de Deus. Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23).

Quarta, a justificação é gratuita. A justificação é um presente que Deus concede ao homem. Paulo diz: sendo justificados gratuitamente, por sua graça (Rm 3.24). A palavra gratuitamente significa “como um presente”, “sem pagamento”; e a palavra graça significa “por um favor imerecido”. Ela não pode ser comprada por obras humanas ou conquistada por méritos pessoais. Ela é exclusivamente pela graça.

Quinta, a justificação se baseia em Jesus Cristo. A salvação é gratuita para o pecador, mas ela teve um alto custo para Deus. Para nós, a salvação é grátis, mas para Deus custou a vida de seu Filho. Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo (1Pe 1.18-19). É por meio do sacrifício de Jesus que Deus toma a culpa do pecador e a atribui a Jesus Cristo. E a justiça que há em Jesus Cristo é imputada ao pecador. Jesus pagou a pena em nosso lugar, e por isso nenhuma condenação há para aquele que nele confia. Creia agora mesmo em Jesus e receba a sua justificação.

Palavra Pastoral

A GRAÇA DE DEUS, FAVOR IMERECIDO

A GRAÇA DE DEUS, FAVOR IMERECIDO

Rev. Hernandes Dias Lopes

A salvação do homem é vista pelas religiões do mundo inteiro apenas de dois modos: o homem é salvo pelos seus méritos ou pela graça de Deus. A salvação é um caminho aberto pelo homem da terra ao céu ou é resultado do caminho que Deus abriu do céu à terra. O homem constrói sua própria salvação pelo seu esforço ou recebe a salvação como dádiva imerecida da graça divina. Não existe um caminho alternativo nem uma conexão que funde esses dois caminhos. É impossível ser salvo ao mesmo tempo pelas obras e pela graça; chegar ao céu pelo merecimento próprio e ao mesmo tempo através de Cristo.

A soberana graça de Deus é o único meio pelo qual podemos ser salvos. Os reformadores ergueram a bandeira do Sola Gratia, em oposição à pretensão do merecimento humano. Queremos destacar quatro pontos importantes no trato dessa matéria.

1. A graça de Deus é um favor concedido a pecadores indignos.

Deus não nos amou, escolheu, chamou e justificou por causa dos nossos méritos, mas apesar dos nossos deméritos. A causa da salvação não está no homem, mas em Deus; não está no mérito do homem, mas na graça de Deus, não está naquilo que fazemos para Deus, mas no que Deus fez por nós. Deus não nos amou porque éramos receptivos ao seu amor, mas amou-nos quando éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos. Deus nos escolheu não por causa da nossa fé, mas para a fé; Deus nos escolheu não porque éramos santos, mas para sermos santos; não porque praticávamos boas obras, mas para as boas obras; não porque éramos obedientes, mas para a obediência.

2. A graça de Deus é concedida não àqueles que se julgam merecedores, mas àqueles que reconhecem que são pecadores.

Aqueles que se aproximam de Deus com altivez, cheios de si mesmos, ostentando uma pretensa espiritualidade, considerando-se superiores e melhores do que os demais homens, são despedidos vazios. Porém, aqueles que batem no peito, cônscios de seus pecados, lamentam sua deplorável condição e se reconhecem indignos do amor de Deus, esses encontram perdão e justificação. A graça de Deus não é dada ao homem como um prêmio, é oferta imerecida; não é um troféu de honra ao mérito que o homem ostenta para a sua própria glória, mas um favor que recebe para que Deus seja glorificado.

3. A graça de Deus não é o resultado das obras, mas as obras são o resultado da graça.

Graça e obras estão em lados opostos. Não podem caminhar pela mesma trilha como a causa da salvação. Aqueles que se esforçam para alcançar a salvação pelas obras rejeitam a graça e aqueles que recebem a salvação pela graça não podem ter a pretensão de contribuir com Deus com suas obras. A salvação é totalmente pela graça, mediante a fé, independente das obras. As obras trazem glória para o homem; a graça exalta a Deus. A graça desemboca nas obras e as obras proclamam e atestam a graça. As obras são o fruto e a graça a raiz. As obras são a consequência e a graça a causa. As obras nascem da graça e a graça é refletida através das obras.

4. A graça de Deus é recebida pela fé e não por meio das obras.

A salvação que a graça traz em suas asas é recebida pela fé e não por meio das obras. Não somos aceitos diante de Deus pelas obras que fazemos para Deus, mas pela obra que Cristo fez por nós na cruz. A fé não é meritória, é dom de Deus. A fé é o instrumento mediante o qual tomamos posse da salvação pela graça. O apóstolo Paulo sintetiza este glorioso ensino, em sua carta aos Efésios: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.8-10).