Palavra Pastoral

A decisão de servir a Deus na família

A decisão de servir a Deus na família

Rev. Hernandes Dias Lopes

Sua família é o maior patrimônio que você possui. Bens, diplomas e sucesso  profissional perdem o significado para você sem a felicidade de sua família. Na verdade, nenhum sucesso compensa o fracasso da sua família. Não podemos construir nossa felicidade sobre os escombros da nossa família. Não é prudente alçarmos vôos solitários, fazendo carreira solo, deixando a família para trás. Não é coerente ser uma pessoa acessível para os estranhos e incomunicável dentro de casa. Não é racional sermos amáveis com os estranhos e truculentos dentro do lar. Não é consistente sermos piedosos na igreja e profanos no recesso da família. Nossa família precisa estar a serviço de Deus dentro e fora dos portões.
Há muitas famílias doentes e feridas. Há muitas famílias precisando de cura e restauração. Deus ama a família, pois a instituiu. Deus não abre mão da família, pois esta é uma agência do seu Reino na terra. Josué, o grande líder que substituiu Moisés e introduziu o povo de Israel na terra da promessa, deu testemunho diante de toda a nação que ele e sua casa serviriam ao Senhor (Js 24.15). A essas alturas, Josué tinha prestígio e bens, sucesso e fama, mas nenhuma conquista pessoal diminuiu seu propósito de consagrar sua família a Deus. Corremos o risco de priorizarmos outras coisas na família. Buscamos a prosperidade financeira. Cobiçamos o sucesso profissional. Investimos na formação intelectual dos nossos filhos. Disputamos o nosso lugar ao sol. Embora, essas bandeiras sejam legítimas, nada disso nos aproveitará se descuidarmos do principal, que é colocar nossa família no altar de Deus para o servirmos com alegria e fervor. De que maneira nós podemos servir a Deus na família?
1. Podemos servir a Deus na família através de relacionamentos orientados pelas Escrituras – Não podemos servir a Deus, sendo uma bênção para o mundo se não somos um exemplo dentro de casa. O que somos no lar é o que refletimos no mundo. A nossa vida familiar é o alicerce do nosso testemunho para fora dos portões. Uma família onde o marido agride a esposa com palavras e atitudes; uma família onde a esposa não se submete ao marido, antes o trata com desprezo. Uma família onde os pais provocam os filhos à ira e os tratam com amargura, deixando-os desanimados. Uma família onde os filhos desonram os pais e rejeitam seu ensino e exemplo não pode servir a Deus nem ser luz para outras famílias. Precisamos de famílias que vivam em harmonia, que cultivem relacionamentos saudáveis, que andem segundo as balizas da própria Palavra de Deus.
2. Podemos servir a Deus na família através do abandono de práticas que desonram ao Senhor – O povo de Israel ao entrar na terra prometida começou a se esquecer de Deus, a murmurar contra Deus e a imitar o culto dos povos pagãos. Entregaram-se à imoralidade e à idolatria. Capitularam-se a várias práticas pecaminosas e fizeram alianças perigosas que acabaram destruindo a própria nação. O pecado é sorrateiro e sutil. O diabo é um estelionatário e o pecado é uma fraude. O pecado parece inofensivo e aparentemente apetitoso. Mas, aqueles que se rendem a ele, acabam prisioneiros e atados com grossas correntes. Uma família feliz é aquela que busca a santificação. Que lança fora de sua casa aquilo que é abominável ao Senhor. Que não põe diante dos seus olhos coisa imunda. Que não introduz dentro de sua casa bens mal adquiridos. Que não transforma o lar num ambiente de intriga, discussões amargas e maledicências sem fim. A família feliz ama a Deus e odeia o pecado. A família bem-aventurada abandona toda forma de mal e busca ansiosamente as coisas lá do alto, onde Cristo vive.
3. Podemos servir a Deus na família através da renovação de propósitos elevados que glorificam ao Senhor – Precisamos constantemente rever nossos conceitos e valores e ter coragem de mudar, buscando sempre re-alinhar nossa vida aos princípios da Palavra de Deus. Devemos restabelecer na família a prática do culto doméstico. Devemos manter sempre acesa no altar da família a chama da oração. Precisamos amar a Casa de Deus, tendo prazer de buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça. Devemos restabelecer no lar a prática do diálogo regado de compreensão e amor.Precisamos ser cautelosos nas críticas e, pródigos nos elogios. Precisamos ter disposição para perdoar e jamais guardar mágoas no coração. Precisamos investir mais e cobrar menos. Precisamos fazer da nossa casa o melhor ambiente para se viver. Precisamos, à semelhança de Josué dizer: “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (Js 24.15).

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.

Palavra Pastoral

Toque o mundo inteiro pela oração

Toque o mundo inteiro pela  oração

Rev. Hernandes Dias Lopes

A oração tem um caráter universal. Você pode tocar o mundo inteiro pela oração. O apóstolo Paulo trata desta verdade com diáfana clareza (1Tm 2.1-3).
1. A primazia da oração (1Tm 2.1a). “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas…”. As palavras próton pánton “antes de tudo”,  indicam primazia de importância e não de tempo. A oração não é um apêndice no culto, mas parte vital dele. Os apóstolos entenderam a primazia da oração, quando decidiram: “Quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4).
2. A variedade da oração (2.1b). “… que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças…”. Muito embora o objetivo de Paulo é insistir na centralidade da oração mais do que numa análise de seus tipos, o apóstolo usa aqui quatro formas de oração.
Primeiro, as “súplicas”. Elas estão relacionadas à apresentação de um pedido ou uma necessidade a Deus. A ideia fundamental da palavra grega deesis, é um sentimento de necessidade. A oração começa com esse sentimento de nossa total dependência de Deus. Oração é a insuficiência humana aproximando-se da suficiência divina.
Segundo, as “orações”. Designam o movimento da alma em direção a Deus. As orações são um ato de adoração a Deus, exaltando-o pela excelência de seus atributos e rogando a ele pela grandeza de suas misericórdias.
Terceiro, as “intercessões”. Elas estão relacionadas com a súplica em favor de alguém ou de alguma coisa. A palavra grega enteuxis traz a ideia de entrar na presença do rei para lhe fazer uma petição. Portanto, nenhum pedido é grande demais para ele. Para Deus não há impossíveis!
Quarto, as “ações de graças”. Elas tratam da nossa gratidão a Deus pelo que ele tem feito. A palavra grega eucaristia, deixa claro que orar não é apenas aproximar-se de Deus para adorá-lo por quem ele é, e rogar a ele suas bênçãos, mas, também, e sobretudo, agradecê-lo pelo que ele tem feito.
3. O alcance da oração (2.1c,2). “… em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade…”. A oração transpõe todas as barreiras geográficas, culturais e religiosas. Paulo destaca três alcances da oração:
Primeiro, “em favor de todos os homens”. Isso significa que nenhuma pessoa está fora da esfera das nossas orações. Devemos orar pelos salvos e não salvos; pelos irmãos e até pelos inimigos. A expressão “todos os homens” neste contexto significa todos os homens sem distinção de raça, nacionalidade ou posição social e não todos os homens individualmente, tomados por um.
Segundo, “em favor dos reis”. Mesmo que essas autoridades sejam perversas, como era o caso do imperador Nero, devemos orar por elas. Mesmo que pessoalmente sejam pessoas indignas, a posição que ocupam merece nosso respeito e deve ser objeto das nossas orações.
Terceiro, “em favor dos que se acham investidos de autoridade”. A Bíblia é clara em afirmar que toda autoridade procede de Deus e é ministro de Deus para coibir o mal e promover o bem (Rm 13.1-3). Em vez de falar mal das autoridades, devemos orar por elas.
4. Os propósitos da oração (2.2b,3). Com que propósito devemos orar? Devemos orar para vivermos uma vida tranquila e mansa. A vida tranquila refere-se a uma vida livre de inquietudes externas, enquanto a vida mansa é uma vida que está livre de perturbações internas. Devemos orar para vivermos com toda piedade e respeito. Devemos orar porque isto agrada a Deus. O Pai se agrada de ver seus filhos orando e vivendo em sua dependência. O Pai se agrada em ver seus filhos colocando-se na brecha em favor de todos os homens, bem como dos reis e das demais autoridades constituídas.

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.

Palavra Pastoral

Deus, a nossa completa provisão.

Deus, a nossa completa provisão.
Rev. Hernandes Dias Lopes


O Salmo 23 é o texto mais conhecido da Bíblia. Milhões de pessoas conhecem-no de cor.
Sua mensagem tem sido bálsamo para os feridos, consolo para os tristes, refúgio para os
desesperados. Vemos nesse texto, a sublime verdade de que Deus é a nossa completa provisão. A
maior necessidade nossa não é das bênçãos de Deus, mas do próprio Deus das bênçãos. O
doador é mais importante do que a dádiva. Só Deus nos satisfaz. Quem é Deus?

1. Jeová Roí – Esse termo significa: “O Senhor é o meu pastor”. O pastor é aquele que
alimenta, protege, guia, disciplina e restaura. Deus é quem nos conduz pelas veredas da justiça e
nos faz descansar nos pastos verdes. Ele está conosco quando cruzamos os vales escuros e nos
prepara uma mesa farta no deserto. Ele é o pastor que nos acolhe nos braços e nos dá segurança.

2. Jeová Jireh – Esse termo significa “O Senhor proverá”. Davi diz: “O Senhor é o meu
pastor, nada me faltará” (v. 1). O nosso pastor é também o nosso provedor. Ele é a fonte de todo o
bem. Dele procede toda boa dádiva. Quando os nossos recursos acabam, ele continua com seus
celeiros abarrotados. Ele nos abençoa com toda sorte de bênção. Temos não apenas suas
dádivas, mas também, sua presença. Esta é de todas, a melhor provisão.

3. Jeová Shalom – Davi nos diz que o Senhor nos faz repousar e nos dá descanso (v. 2).
Deus não apenas nos dá paz, Ele é a nossa paz. A nossa paz não é ausência de problemas. Ela não é
circunstancial. Nossa paz é uma pessoa divina. O próprio Deus é a nossa paz. Ele é o Jeová
Shalom, que está conosco nas horas turbulentas da nossa vida, como nossa fortaleza e refúgio.

4. Jeová Rafá – Davi diz que Deus refrigera a nossa alma (v. 3). Ele é quem terapeutiza a
nossa alma, cura o nosso corpo e refrigera o nosso coração. Ele é quem sara todas as nossas
enfermidades, sejam elas do corpo ou da alma. É ele quem leva as dores sobre si e abre para nós
uma fonte de consolo e refrigério. Nele temos vida, cura, perdão e salvação.

5. Jeová Tsekanu – Davi nos informa que Deus nos guia pelas veredas da justiça (v. 3). Mas,
antes disso, ele é a nossa justiça. Só andamos pelas veredas da justiça, porque fomos justificados.
Pelo sangue de Cristo, nossos pecados foram cancelados, nossa dívida foi paga e toda as
demandas da lei e da justiça foram plenamente satisfeitas pelo sacrifício substitutivo de Jesus.
Cristo, nosso pastor, é também nossa justiça.

6. Jeová Shamah – Davi nos fala que Deus não nos abandona jamais, mesmo que cruzemos
o vale da sombra da morte (v. 4). Ele é Deus presente, Jeová Shamah. Ele nunca nos desampara.
Mesmo que sejamos infiéis, ele permanece fiel. Ele é como a sombra à nossa direita. Ele é quem
nos carrega no colo, nos segura pela mão direita, e ao fim, nos recebe na glória. Jesus prometeu
estar conosco sempre, até a consumação dos séculos. Não precisamos temer nada nem
ninguém, porque o Deus onipotente é a nossa companhia constante.

7. Jeová Nissi – Davi nos informa que Deus nos dá vitória sobre os nossos inimigos (v. 5).
Ele prepara uma mesa para nós na presença dos nossos adversários. Ele nos honra, derramando
óleo sobre a nossa cabeça e nos proporciona profusa alegria, fazendo o nosso cálice transbordar.
Deus é a nossa bandeira e nossa vitória.

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.

Palavra Pastoral

Aprendendo com Jesus na Escola da Oração

Convido você a matricular-se na escola da oração. O nosso mestre maior é o próprio Filho de Deus. Aprendamos com ele! Destacamos três fatos acerca do ministério de oração de Jesus.

1. O cansaço físico não impedia Jesus de orar – Jesus levantou-se alta madrugada, depois de um dia intenso de trabalho, e foi para um lugar deserto para orar. Ali ele derramou o seu coração em oração ao seu Pai Celeste. Jesus entendia que intimidade com o Pai devia preceder o exercício do ministério. Jesus deu grande importância à oração. Ele mesmo orou quando foi batizado (Lc 3.21). Orou uma noite inteira antes de escolher os doze apóstolos (Lc 6.12). Ele se retirava para orar quando a multidão o procurava apenas atrás de milagres (Lc 5.15- 17). Ele orou antes de fazer uma importante pergunta aos discípulos (Lc 9.18) e também orou no Monte da Transfiguração, quando o Pai o consolou antes de ir para a cruz (Lc 9.28). Ele orou antes de ensinar seus discípulos a “Oração do Senhor” (Lc 11.1). Jesus orou no túmulo de Lázaro (Jo 11.41-42). Orou por Pedro, antes da negação (Lc 22.32). Orou durante a instituição da Ceia (Jo 14.16; 17.1-24). Orou no Getsêmani (Mc 24.32), na cruz (Lc 23.34) e também após a ressurreição (Lc 24.30). Hoje ele está orando por nós (Rm 8.34; Hb 7.25). Se Jesus que era santo, inculpável, puro e apartado dos pecadores orou continuamente, quanto mais nós que somos sujeitos à fraqueza! Se ele foi encontrado necessitando orar com alto clamor e lágrimas (Hb 5.7), quanto mais nós devemos clamar por nós, que ofendemos a Deus diariamente de tantas formas!

2. A oração para Jesus era intimidade com o Pai e não desempenho diante dos homens – Jesus buscava mais intimidade com o Pai do que popularidade (Mc 1.35). Ele era homem do povo, mas não governado pela vontade do povo. Sempre que os homens o buscavam apenas como um operador de milagres, viu nisso uma tentação, mais do que uma oportunidade e refugiava-se em oração. O evangelista Marcos registra três momentos quando Jesus preferiu o refúgio da oração: Primeiro, depois do seu bem-sucedido ministério de cura em Cafarnaum, quando a multidão o procurava apenas por causa dos milagres (Mc 1.35-37); segundo, depois da multiplicação dos pães e peixes, quando a multidão o queria fazer rei (Mc 6.46) e terceiro, no Getsêmani, antes da sua prisão, tortura e crucificação (Mc 14.32-42).

3. Jesus dava mais valor à comunhão com o Pai do que ao sucesso diante dos homens – A multidão deseja ver a Jesus novamente, mas não para ouvir sua Palavra, porém, para receber curas e ver operações de milagres (Mc 1.37). Certamente Pedro não discerniu a superficialidade da multidão, sua incredulidade e sua falta de apetite pela Palavra de Deus. Todo pregador é fascinado com a multidão, mas Jesus algumas vezes, fugiu dela para refugiar-se na intimidade do Pai através da oração. A intimidade com Deus em oração é mais importante do que sucesso no ministério. O pregador que busca intimidade com Deus mais do que popularidade diante dos homens sabe ir ao encontro das multidões e também fugir delas. É tempo de nos matricularmos na escola de oração de Jesus e aprendemos com ele a nos deleitarmos em Deus numa vida abundante de oração!

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.

Palavra Pastoral

Jesus, o cabeça da Igreja

O mundo inteiro acompanha, surpreso, a renúncia de Bento XVI, como líder maior do Catolicismo Romano. O alemão Joseph Ratzinger é o 265º papa e um dos maiores expoentes teólogos da Igreja Romana. Homem culto, que domina seis idiomas, entre eles o Português. É autor de vários livros, pianista e membro de várias academias científicas. É reconhecidamente conservador. Combateu firmemente a teologia da libertação. Como chefe de Estado e líder de um dos maiores segmentos religiosos do mundo, é uma das pessoas mais respeitadas de nosso tempo. Porém, o momento é oportuno para fazermos algumas reflexões sobre a posição que o papa ocupa. É o papa o cabeça da igreja, a pedra fundamental sobre a qual a igreja está edificada, o supremo mediador e o substituto do Filho de Deus, como preceitua a dogmática romana? Vejamos o que a Palavra de Deus ensina:

Em primeiro lugar, Jesus é o cabeça da igreja. Essa verdade está meridianamente clara em Efésios 5.23. Nenhum homem, por mais culto ou piedoso, poderia ser o comandante da igreja universal. Somente Jesus tem essa honra. Jesus é o dono da igreja, o Senhor da igreja, o cabeça que governa a igreja, o bispo universal da igreja.

Em segundo lugar, Jesus é a pedra sobre a qual a igreja está edificada. O papado está alicerçado na interpretação de que Pedro é a pedra sobre a qual a igreja está edificada e que todo papa é sucessor de Pedro. A grande questão é se essa interpretação tem amparo bíblico. O contexto de Mateus 16.18 está todo voltado para a Pessoa de Cristo. O próprio Pedro deixou claro que Jesus e não ele é a pedra sobre a qual a igreja está edificada. No começo do seu ministério Pedro disse que Jesus é a pedra (Atos 4.11) e no final do seu ministério, quando escreveu sua primeira carta, tornou a enfatizar esse mesmo fato (1 Pedro 2.4-8).

Em terceiro lugar, Jesus é o único mediador entre Deus e os homens. O título concedido aos papas, “Sumo Pontífice”, significa supremo mediador. Essa expressão não cabe em nenhum líder religioso, pois a Bíblia é categórica em afirmar que só existe um Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1 Timóteo 2.5). O próprio Jesus disse: “Eu sou o Caminho, e a Verdade, e a Vida e ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14.6).

Em quarto lugar, Jesus enviou o Espírito Santo como seu substituto. O título atribuído aos papas “Vicarius Fili Dei”, ou seja, substituto do Filho de Deus, também, não pode ser concedido a nenhum homem. O substituto do Filho de Deus não é o papa, nem qualquer outro líder religioso, mas o Espírito Santo (João 14.16). O Espírito Santo, sendo Deus, está para sempre com a igreja e na igreja. O Espírito Santo veio para exaltar a Cristo e nos conduzir à verdade.

Em quinto lugar, Jesus é o dono da igreja. Foi o próprio Jesus quem disse a Pedro que ele mesmo edificaria a sua igreja (Mateus 16.18). A igreja é Deus, pois foi comprada com o sangue de Jesus (Atos 20.28). Jesus nunca passou-nos uma procuração, dando-nos a liberdade para sermos os donos de sua igreja.

Em sexto lugar, Jesus é o edificador da igreja. Nós somos os cooperadores de Deus, mas é Deus mesmo quem edifica a sua igreja. Um planta, outro rega, mas o crescimento vem de Deus (1 Coríntios 3.9). Jesus disse: “Eu edificarei a minha igreja” (Mateus 16.18). Não conseguiríamos acrescentar nem um membro ao corpo de Cristo, mesmo que usássemos todos os recursos da terra.
Em sétimo lugar, Jesus é o protetor da igreja. A igreja não caminha vitoriosamente à parte da assistência e proteção de Cristo. Ele disse: “… e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18). Os inimigos da igreja são muitos e perigosos, mas Jesus é o nosso escudo e protetor. Ele é o general desse glorioso exército que caminha triunfantemente rumo à glória. Bendito seja seu santo nome!

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.

Palavra Pastoral

Como viver sem máscaras

O carnaval é a maior festa popular do Brasil, e talvez, do mundo. Nessa festa da extravagância e dos excessos, muitas pessoas saem às ruas usando máscaras. Algumas dessas pessoas escondem-se atrás das máscaras; outras se revelam por meio delas. Uma máscara é tudo aquilo que esconde ou encobre a nossa verdadeira identidade. É importante ressaltar que existem máscaras tangíveis e intangíveis; algumas cobrem o rosto; outras tentam disfarçar as atitudes da alma.

De certo modo todos nós usamos máscaras. Aquele que diz que nunca usou uma máscara, possivelmente esteja acabando de afivelar uma no rosto, a máscara da mentira. O problema das máscaras é que elas proclamam uma mentira ou escondem uma verdade. Quando usamos máscaras, as pessoas passam a amar não quem nós somos, mas quem nós aparentamos ser. As máscaras também não são seguras. Por melhor que nós as afivelemos, elas podem cair nas horas mais impróprias e nos deixar em situação de total constrangimento.

Queremos mencionar aqui algumas máscaras usadas ainda hoje.

1. A máscara da piedade - O apóstolo Paulo, ensinando sobre a doutrina da Nova Aliança, diz que podemos ser ousados em vez de agir como Moisés que pôs um véu sobre a face para que as pessoas não atentassem para a glória desvanecente em seu rosto. Quando Moisés subiu o Monte Sinai para receber as Tábuas da Lei, ao regressar, seu rosto brilhava. As pessoas não podiam olhar para ele. Então, ele colocou um véu em sua face para que as pessoas pudessem se aproximar e falar com ele. Mas houve um momento em que Moisés percebeu que a glória estava acabando. Ele não precisava mais do véu, porém, ele continuou com o véu, porque não queria que as pessoas soubessem que sua glória era desvanecente. Muitas vezes, somos parecidos com Moisés. Tentamos impressionar as pessoas com uma espiritualidade que não temos. Aparentamos ser mais crentes, mais piedosos do que na verdade somos.

2. A máscara da autoconfiança - O apóstolo Pedro era um homem impulsivo. Falava para depois pensar. Quando Jesus declarou que seus discípulos iriam se escandalizar com ele e iriam se dispersar, Pedro não titubeou e foi logo dizendo que ainda que todos o abandonassem, ele jamais o faria. Disse ainda que estava pronto para ir com Jesus para a prisão ou até mesmo para a morte. Pedro julgou-se forte e até melhor do que seus pares. Porém, naquela mesma noite, Pedro fraquejou e dormiu quando Jesus pediu para ele vigiar. Pedro abandonou a Jesus e seus condiscípulos e infiltrou-se na roda dos escarnecedores. Pedro negou, jurou e praguejou, dizendo que não conhecia a Jesus. A máscara de sua autoconfiança caiu quando Jesus olhou para ele. Então, ele caiu em si e desatou a chorar.

3. A máscara do legalismo - Um legalista é inflexível com as outras pessoas, mas condescendente consigo. Ele enxerga um cisco no olho de seu irmão, mas não vê uma trave no seu. O legalista preocupa-se mais com a forma do que com a essência. Cuida mais da aparência do que do interior. Os fariseus eram legalistas. Eles eram fiscais da vida alheia, mas descuidados com sua intimidade com Deus. Eram bonitos por fora, mas feios por dentro. Jesus os comparou a sepulcros caiados, limpos por fora, mas cheios de rapina por dentro. Os fariseus eram hipócritas. Eles eram atores que representavam no palco um papel diferente daquele desempenhado na vida real.

A vida cristã é uma contínua remoção das máscaras. A Bíblia diz que onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade; não liberdade para fazer o que queremos, mas liberdade para vivermos na luz. Pela obra de Cristo e pela ação do Espírito, podemos viver sem máscaras, sendo transformados de glória em glória, até atingirmos a estatura de Cristo, o Varão Perfeito.

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.

Palavra Pastoral

Nova Aliança

Muitas vezes você já prometeu a Deus mudar de vida, deixar hábitos arraigados, abandonar pecados e não conseguiu. Qual o problema? Falta de sinceridade? Não. É que você estava confiando em você mesmo para essas mudanças. Nosso eu sempre fracassa.

Nós não temos condições de obedecer a lei. Ela é espiritual, santa e justa, mas nós somos carnais. Nós estamos sempre aquém das exigências de Deus. Pela antiga aliança jamais conseguiríamos alcançar a salvação. Pois o querer fazer o bem está em nós, mas não o poder para efetuá-lo. Paulo neste capítulo fala como passar da antiga para a nova aliança. Ele mostra como ter uma vida vitoriosa:

1. Gratidão triunfante; 2. Otimismo indestrutível; 3. Vitória constante; 4. Impacto irresistível; 5. Integridade irrefutável.

Como viver esse padrão? A nossa suficiência vem de Deus. O problema não é a força do pecado, mas a ausência de Deus. O problema não é fúria do diabo, mas a ausência de Jesus. Quando você tem intimidade com Deus, você tem os seus olhos desvendados. Você arranca a máscara do diabo e tira a capa brilhante do pecado e o vê em todo o seu horror. Quando você está na intimidade de Deus, você vê que o melhor do mundo é lixo em comparação com a sublimidade do conhecimento de Cristo.

Paulo faz aqui quatro contrastes entre a velha e a nova aliança:

1. A velha aliança é um código de leis escritos em tábuas de pedra, a nova aliança é a lei de Deus escrita em nossos corações. Na nova aliança Deus muda o nosso coração. Tira o coração de pedra e nos dá um coração de carne. Ele muda as disposições íntimas da nossa alma. Ele nos predispõe e nos capacita a obedecer. Ele é quem opera em nós o querer e o realizar. Agora obedecemos não por medo, mas por amor.

2. A velha aliança exigia justiça, a nova aliança traz perdão. A alma que pecar essa morrerá. Deus não inocenta o culpado. Todos são culpados. Todos pecaram. Não há quem possa guardar a lei. A lei é santa, mas somos impuros. A lei é como a lanterna, o raio x, o prumo. Ela não nos corrige. Ela não nos transforma. Mas a graça nos transforma, nos perdoa. Nos acolhe com misericórdia.

Agora recebemos a alegria do perdão, da restauração. 3. A velha aliança traz a morte, a nova aliança, produz justificação. O resultado da desobediência é a morte. O salário do pecado é a morte. Mas na nova aliança, Jesus morre pelos nossos pecados. Ele se faz pecado por nós. Nele somos justificados. Agora não temos mais condenação sobre nós. Somos perdoados, aceitos pelo Pai. 4. Na velha aliança a glória era desvanecente, mas na nova a glória é permanente. A lei veio para nos levar a Cristo. Cristo é o fim da lei. A glória de Cristo é permanente.

Podemos com base na nova aliança viver uma viva de ousadia. Paulo contrasta essa ousadia com a covardia demonstrada por Moisés. Ele colocou véu no rosto. Não queria que as pessoas soubessem que sua glória era desvanecente. Podemos correr esse risco de usar máscaras: 1. Máscara do legalismo – fariseus; 2. Máscara da coragem – Pedro; 3. Máscara da filantropia – Ananias e Safira; 4. Máscara da Santidade – fariseu; escribas e fariseus (Jo 8); 5. Máscara da pureza – Deus vê o coração; 6. Máscara da super-espiritualidade – os coríntios; 7. Máscara da honestidade – os irmãos de José; 8. Máscara da Hipersensibilidade; 9. Máscara da Duplicidade; 10. Máscara da retidão – ausência de perdão. Essas máscaras são tiradas em Cristo, pela transformação do Espírito

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.

Palavra Pastoral

Por que eu creio na Bíblia?

Eu creio na Bíblia porque ela é totalmente fiel e confiável quanto à sua origem, conteúdo e propósito. Ela vem de Deus, revela Deus e chama o homem de volta para Deus. O homem não é o centro da Bíblia; Deus é. A Bíblia é o livro dos livros. Concebida no céu, nascida na terra; inspirada pelo Espírito de Deus, escrita por homens santos de Deus; proclamada pela igreja, crida pelos eleitos e perseguida pelo mundo. A Bíblia é o livro mais lido no mundo, mais amado no mundo e o mais perseguido no mundo. Destaco três verdades axiais sobre a Bíblia:

-1º lugar, quanto à sua origem, afirmamos categoricamente que a Bíblia procede de Deus. A Bíblia não foi concebida no coração do homem, mas no coração de Deus. Não procede da terra, mas do céu. Não é produto da lucubração humana, mas da revelação divina. Muito embora homens santos foram chamados para escrever a Bíblia, e nesse processo Deus não anulou a personalidade deles nem desprezou o conhecimento deles, o conteúdo da Escritura é inerrante. O próprio Deus revelou seu conteúdo e assistiu os escritores para que registrassem com fidelidade seu conteúdo. A Bíblia não é palavra de homens, mas a Palavra de Deus. É digna de inteira confiança, pois é inerrante quanto a seu conteúdo, infalível quanto às suas profecias e suficiente quanto a seu conteúdo.

-2º lugar, quanto ao seu conteúdo, afirmamos confiadamente que a Bíblia fala sobre Deus e sua oferta de salvação. Só conhecemos a Deus porque ele se revelou. Revelou-se de forma geral na obra da criação e de forma especial em sua Palavra. É verdade que os céus proclamam a glória de Deus e toda a terra está cheia de sua bondade. É verdade que podemos encontrar as digitais do criador em todo o vasto universo. Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos. Porém, conhecemos acerca de seu plano redentor através das Escrituras. A salvação é um plano eterno de Deus. Mesmo nos refolhos da eternidade, o Pai, o Filho e o Espírito, o Deus Triúno, planejou nossa salvação. Nesse plano, o Pai escolhe para si um povo e envia o Filho ao mundo para redimi-lo. Jesus faz-se carne. Veste pele humana, vive entre os homens, cumpre cabalmente a lei, satisfaz a justiça divina e como nosso representante e substituto leva sobre si nossos pecados sobre a cruz e morre vicariamente, pagando nossa dívida e adquirindo para nós eterna redenção. Completando a obra da salvação, o Espírito Santo aplica, de forma eficaz, a obra de Cristo no coração dos eleitos, de tal forma que aqueles que Deus predestina, também os chama e aqueles a quem chama, também os justifica e aos que justifica, também os glorifica. É impossível, portanto, que aqueles que foram eleitos por Deus Pai, remidos pelo Deus Filho e regenerados e selados pelo Espírito Santo pereçam eternamente. O mesmo Deus que começou a boa obra em nós, completá-la-á até o dia de Cristo Jesus.

-3º lugar, quanto ao seu propósito, afirmamos indubitavelmente que a Bíblia visa a glória de Deus e a redenção do pecador. A Bíblia não é um livro antropocêntrico; é teocêntrico. Seu eixo central não é o homem, mas Deus. Seu propósito não é exaltar o homem, mas promover a glória de Deus. Não é mostrar quão grande o homem é, mas quão gracioso é Deus. A história da redenção é a mais bela história do mundo. Fala de como Deus nos amou, estando nós mortos em nossos delitos e pecados. Fala de como Deus nos resgatou estando nós prisioneiros no cativeiro do pecado. Fala de como Deus nos libertou estando nós no império das trevas, na casa do valente, dominados pelo príncipe da potestade do ar. Nossa redenção tem como propósito maior a manifestação da glória de Deus e o nosso prazer nele. Concluo, portanto, com a conhecida afirmação de John Pipper: “Deus é tanto mais glorificado em nós, quanto mais nós nos deleitamos nele”.

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.

Palavra Pastoral

Semeadura e Colheita

Estamos iniciando mais um ano. É tempo de novos sonhos e desafios. É tempo de investimento e semeadura. A vida é feita de escolhas e decisões. Se fizermos escolhas erradas e tomarmos a direção errada distanciar-nos-emos do alvo de Deus para nossa vida. Se fizermos uma semeadura errada, no campo errado, faremos também uma colheita errada. A lei da semeadura e da colheita é universal. Colhemos o que semeamos, e colhemos mais do que plantamos. Destacaremos alguns princípios para a nossa reflexão:

1. A semeadura exige um tempo de preparação. Antes de semear um campo, o agricultor prepara o terreno. Lançar a preciosa semente sem primeiro arar a terra é trabalhar para o desastre. Na parábola de Jesus, o semeador lançou a semente à beira do caminho, no chão batido e sem umidade. A semente não penetrou na terra e por isso, as aves dos céus vieram e comeram-na. Lançou também a semente no terreno pedregoso e a semente até nasceu, mas por falta de umidade, mais tarde secou. De igual forma, semeou no meio dos espinheiros e a semente ao nascer foi sufocada, e mirrada, não produziu frutos. Apenas a semente que caiu na boa terra frutificou a trinta, a sessenta e a cem por um. Nós somos os semeadores e também o campo onde a semente é lançada. Precisamos preparar nosso coração para receber essa divina semente!

2. A semeadura exige esforço e sacrifício. O salmista diz que quem sai andando e chorando enquanto semeia, voltará com júbilo trazendo os seus feixes. Muitas vezes devemos umedecer o solo duro com as nossas próprias lágrimas. Semear não é coisa fácil: exige preparo, esforço e sacrifício. Para semear precisamos sair e nos desinstalar do nosso comodismo. Às vezes, nessa semeadura nós encontramos toda sorte de resistência. Na parábola do semeador a semente foi atacada pelos seres espirituais, racionais e irracionais. O diabo, os homens, as aves, os espinhos e as pedras conspiraram contra a semente. O diabo rouba, os homens pisam, as aves arrebatam, os espinhos picam e as pedras ferem a semente. É por isso, que a semeadura, muitas vezes, arranca lágrimas dos nossos olhos. Mas, o semeador não desiste por causa do sacrifício da semeadura, ele sai andando e chorando enquanto semeia pela certeza de que a colheita é certa, abundante e feliz.

3. A semeadura determina a colheita. Nós colhemos o que semeamos. A colheita é da mesma natureza da semeadura. Aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Quem semeia amizade, colhe afeto. Quem semeia amor, colhe simpatia. Quem semeia bondade, colhe misericórdia. Quem semeia no Espírito, do Espírito colhe vida eterna; mas quem semeia na carne, da carne colhe corrupção. Não podemos colher figos de espinheiros. A colheita não é apenas da mesma natureza da semeadura, mas também mais numerosa que a semeadura. Quem muito semeia, com abundância ceifará. Quem semeia ventos colhe tempestade. A semeadura é apenas um vento, mas a colheita é uma tempestade. Nossas palavras e ações são sementes que se multiplicam para o bem ou para o mal. Precisamos ser criteriosos na escolha das sementes. Estamos entrando pelos portais de mais um ano. Que tipo de semente nós vamos semear, em nossa vida, em nossa família e em nossa igreja? Que tipo de semeadura nós teremos em nossos estudos, em nossos relacionamentos e em nosso trabalho? Como será nossa semeadura em nossa vida espiritual? Que Deus nos ajude a semearmos com alegria e com abundância no campo certo, usando as sementes certas, para colhermos os frutos certos. Nós somos a lavoura de Deus e ele espera de nós muitos frutos, pois é assim que ele é glorificado!

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.

Palavra Pastoral

Natal, uma boa nova de grande alegria

O Natal é a celebração do nascimento de Jesus, o Filho de Deus. Muitos cristãos hesitam em comemorar o Natal e outros chegam mesmo a fazer oposição a essa comemoração, em virtude de não sabermos, com exatidão, a data precisa em que aconteceu esse fato auspicioso. Ainda outros desaconselham a celebração do Natal em virtude dos vários adendos acrescidos à festividade como presépio, árvore enfeitada e Papai Noel. Entendemos, que esses acréscimos não fazem parte do verdadeiro Natal e não devem distrair nossa atenção. Precisamos, portanto, resgatar o verdadeiro sentido do Natal e devolvê-lo a seu verdadeiro dono, Jesus Cristo, nosso Salvador.

A celebração do Natal é legítima, pois o primeiro Natal foi motivo de festa no céu e na terra, comemorado pelos anjos e pelos homens. A grande notícia anunciada pelo anjo do Senhor, aos pastores de Belém foi: “Não temais; eis aqui vos trago boa-nova de grande alegria, que o será para todo o povo: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.10,11). Natal é a verdade bendita de que o Eterno entrou no tempo, Deus se fez homem e o Senhor dos senhores se fez servo. Natal é o cumprimento do plano da redenção, traçado nos refolhos da eternidade. Natal é a concretização da promessa do Pai e o cumprimento das profecias anunciadas pelos patriarcas e profetas. Natal é a consumação da esperança de Israel. Na plenitude dos tempos, o Cristo de Deus, nasceu de mulher, nasceu sob a lei, para nos redimir dos nossos pecados.

Natal não é festa gastronômica. Natal não é o comércio guloso capitaneado pelo velho bojudo de barbas brancas. Natal não é troca de presentes nem ruas enfeitadas com cores policromáticas. Natal é a luz do céu invadindo a escuridão da terra. Natal é o Verbo eterno de Deus, se fazendo carne para habitar entre nós, cheio de graça e de verdade. Natal é o Deus que nem o céu dos céus pode contê-lo esvaziando-se, a ponto de nascer como um bebê numa pobre vila da Judeia. Natal é o criador e dono do universo despojando-se de sua glória para calçar as sandálias da humildade, fazendo-se pobre para tornar-nos ricos. Natal é a proclamação embalada nas asas da alegria, anunciando que Jesus é o Salvador do mundo, o Messias prometido, o Senhor do universo.
Natal é a evidência mais eloquente do amor de Deus aos pecadores. Quando Deus criou o universo, fê-lo pela palavra do seu poder. Quando Deus criou o homem, colocou a mão no barro. Porém, quando Deus desceu para resgatar o homem entrou no barro, pois o Verbo se fez carne, vestiu pele humana e armou sua tenda entre nós. Natal é a consumação da maior dádiva de Deus ao homem. Deus amou o mundo e deu seu Filho Unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Deu-o não a quem merece, mas a pecadores indignos. Deu-o não para ser exaltado entre os homens, mas para ser cuspido por eles. Deu-o não para entrar na história como o Rei da glória, mas para carregar a cruz maldita, como servo sofredor. Deu-o não na última hora, mas desde a eternidade!

Natal é a festa da salvação. É a celebração que nos remete ao plano eterno de Deus, quando a própria Trindade, no recôndito dos tempos eternos, decidiu nos amar e nos destinar para a salvação. Nesse projeto divino, o Pai envia o Filho e o Filho se submete ao Pai. Nesse decreto eterno, o Pai escolhe um povo e o dá como presente a seu Filho. O Filho deixa a glória que sempre teve com o Pai e desce para morrer em favor desse povo. O Espírito Santo, regenera e sela esse povo como propriedade exclusiva de Cristo. Agora, nós, povo de Deus, povo redimido, alcançado pela graça, devemos exaltar pelos séculos sem fim, o Cordeiro de Deus, por tão grande salvação.

Que o Natal de Jesus seja celebrado por todos nós, com fervor efusivo, com alegria indizível e com entusiasmo sem igual!

Rev. Hernandes Dias Lopes

Hernandes Dias Lopes é pastor colaborador da Igreja Presbiteriana de Pinheiros. Cursou Teologia no Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas e tem doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary, de Mississippi (EUA). Diretor Executivo da LPC (Luz Para o Caminho), membro titular da Academia Evangélica de Letras do Brasil e autor de mais de 100 livros. o Rev. Hernandes é casado com Udemilta e pai de 2 filhos, Thiago e Mariana.